RIBEIRA SECA

Um nome que identifica uma das mais ricas zonas de caça desta ilha e que pretende, ao nomear este sítio, servir de caderno de anotações, de pensamentos e divagações sobre o passado, a actualidade e o futuro da actividade cinegética açoriana.

Pela defesa do património cultural e natural de Santa Maria.

Vila do Porto, 21 de Outubro de 2006

Pedro Miguel Silveira

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Portugal Campeão do Mundo de Santo Huberto

No passado dia 18 de Outubro, do corrente ano, realizou-se na Grécia, a final do Campeonato do Mundo de Santo Huberto e de Caça Prática.

Portugal, na final de Santo Huberto, sagrou-se Campeão do Mundo com o primeiro lugar obtido pelo Carlos Pires, de Barcelos, que também se classificou em terceiro lugar por equipas, com o contributo do Alberto Cantineiro, da ilha Terceira, o qual obteve uma excelente classificação.

Nas provas dos cães de parar, foi vice-campeão do Mundo, a título individual, outro português, desta feita o Vitor Silva e por equipas ocupou o mesmo lugar ou seja, sagrou-se Vice-campão na companhia do Matos, da ilha Terceira.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

III Aniversário

Faz hoje 3 anos que iniciei este blogue.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

Escritos da Caça Açoriana

São documentos das nossas Gentes, da nossa História, da nossa Cultura, registos das características, daquelas que nos diferenciam e distinguem dos demais, que nos identificam, que manifestam aspirações, desejos, temores e receios, virtudes e defeitos, que nos fazem iguais e diferentes, mas sempre Açorianos!

Na fotografia que ilustra este pequeno texto estão presentes três bons exemplos do que acabo de mencionar e cuja leitura vos aconselho.

Em primeiro plano está "Recordações", de João Gago da Câmara.
Trata-se de uma obra editada em 2002, da qual apenas foi efectuada uma tiragem de 500exemplares e cuja paginação, montagem e impressão esteve a cargo da Gráfica Açoriana, Lda.
No livro, entre outras recordações que a pessoa de grande qualidade que é seu autor nos narra ao longo da sua prosa, está uma referência ao Sargento Soares, do qual refere o seguinte: "foi talvez o melhor caçador que conheci e um inesquecível amigo e companheiro de muitas caçadas. Homem valentíssimo, de estrutura maciça, face extremamente rosada, olhar oblíquo, ombros largos e forte pescoço, faziam dele aquela inconfundível pessoa" e continua por mais algumas páginas.
Nesta ilha encontram-se alguns familiares do Sargento Soares que formam porventura o mais antigo grupo de caça a praticar a actividade venatória em Santa Maria.

Mais recente temos "Um Caçador Açoriano", da autoria de Gualter Furtado, editado que foi em 2006, também pela Gráfica Açoriana, Lda e numa tiragem de 500 exemplares.
A ele já me referi anteriormente e tanto este livro como o "Recordações" possuem inúmeras fotografias que complementam a informação publicada, a qual é de inestimável valor, enriquecendo de sobremaneira o património de qualquer biblioteca cinegética.

Por fim, mas nem por isso menos importante, estão 4 fotocópias retiradas dos exemplares originais do mensário denominado de "Caça", composto e impresso na tipografia d'O Açoriano Oriental, ao longo de 11 números, distribuídos que foram gratuitamente aos caçadores do distrito de Ponta Delgada (o qual ainda engloba o concelho de Vila do Porto) nos anos de 1936 e 1937, cujo redactor, editor e proprietário se tratou de Eduíno G. Botelho.

Numa breve deslocação que fiz à cidade de Ponta Delgada, no passado mês de Setembro, aproveitei para ir à biblioteca daquela cidade a fim de a visitar e de nela tentar matar o pouco tempo livre que me restava, pelo que indaguei sobre a existência deste jornal.
Infelizmente a instituição não é possuidora de todos os que foram publicados, mas apenas dos n.ºs 1, 5, 6 e 8, que obviamente aproveitei para solicitar as respectivas cópias, tendo sido o oitavo produzido em Janeiro do ano de 1937.

Uma curiosidade que achei deliciosa na leitura deste jornal, encontra-se na coluna designada por "Receitas uteis aos caçadores". A do primeiro número reza as seguintes, transcritas tal e qual se lêem: "UMA BOA GRAXA PARA BOTAS - Oleo de linhaça cru (bôa qualidade) 1/2 litro; Cebo de Holanda ... 30 grs; Cêra bela ... 23 grs; Resina ... 16 grs. MODO DE FAZER - Derrete-se ao calor o sebo, a cêra e a resina (podendo coar-se para ficar mais pura) e junta-se aquecendo sempre, o oleo a pouco e pouco mexendo sempre; quando se tem tudo misturado mexe-se sempre até arrefecer, podendo-se pôr a vasilha em agua fria para ser mais rapido; uma vez arrefecida aplica-se nas botas com um pincel ou escova branda.
Ferrugem dos canos das ESPINGARDAS
Indicam como sendo muito bôa a seguinte receita: Petroleo ... 1/2 litro; Parafina solida ... 50 gra. Faz-se dissolver a parafina no petroleo. Untam-se os canos e mais a ferragem com esta solução e passadas 24 horas limpam-se muito bem com pano seco."

A este mensário voltarei mais à frente, pois é demonstrativo de excelentes exemplos de associação e participação activa para o desenvolvimento da caça neste distrito, dos quais nos sentiríamos muito envergonhados se fossemos contemporâneos de tais promotores, pois apesar de antigos demonstraram que muito souberam fazer em tempos de grandes dificuldades e que, ainda hoje, passados tantos anos, revelam possuir a nobre capacidade para ensinar.

Concluo com o meu reconhecido e profundo agradecimento a todos estes Açorianos que um dia tiveram a ousadia e a amabilidade de partilhar comigo recordações, vivências e as tão estimadas receitas que tanto enriquecem os escritos da caça Açoriana e nos tornam melhores Caçadores.

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Açores no Campeonato do Mundo de Santo Huberto

Nos dias 12 e 13 de Setembro realizou-se, em Estarreja - Murtosa, a Final Nacional do Campeonato de Santo Huberto organizado, pela primeira vez em conjunto, pela FENCAÇA - Federação Portuguesa de Caça em associação com a CNCP - Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses.

Esta final contou com os patrocínios do Clube de Pesca e Caça da Murtosa, da Associação de Caçadores e Pescadores de Avanca e ainda das Câmaras Municipais da Murtosa e de Estarreja.

Nas provas, que foram julgadas por 6 Juízes, incluindo alguns com estatuto internacional, participaram 26 concorrentes em representação de todo o País, tendo sido a delegação dos Açores constituída pelo Alberto Cantineiro, Olívio Ourique, Ricardo Rodrigues, Cremilde Marques e José Toste, ficando como Delegado da equipa insular o Gualter Furtado.

Quatro dos Caçadores Açorianos classificaram-se nos primeiros 10 lugares e o Alberto Cantineiro, da ilha Terceira, acompanhado da sua braco alemã, Íris dos Açores, nascida na Graciosa, sagrou-se Campeão Nacional e irá representar Portugal na Final Mundial de Santo Huberto, a ocorrer na Grécia, na companhia do segundo classificado, Carlos Pires, da Federação de Caçadores do Minho.

É de enaltecer a importância que assume este feito desportivo já que os Caçadores Açorianos, para além de serem todos amadores, lutam também com imensas dificuldades para treinarem os seus cães de parar, entre outras contrariedades que se lhes apresentam, mas, mesmo assim e contra todas as adversidades, teimam em levar o nome dos Açores e de Portugal mais longe e mais alto.

Vamos torcer para que os nossos desportistas consigam alcançar os mais elevados desígnios e que nos possam presentear com os melhores resultados!

Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

O Livro e a Caça

Um livro, por definição é, essencialmente, um conjunto de folhas de papel, em branco, escritas ou impressas, soltas ou cosidas, em brochura ou encadernadas, mas um Livro de Caça, é muito mais do que isso!

Este é um tema que penso abordar e registar neste blogue desde há algum tempo a esta parte, mas a falta de oportunidade foi uma condicionante insensivel e indiferente à minha vontade, pouca liberdade, por isso, me concedendo.

Um Livro de Caça é diferente, não por abordar o tema da caça, mas por ser escrito por um Caçador, por aquele que viveu o momento preciso que descreve e não por uma terceira pessoa que o imagina. Na minha opinião, quando isso acontece, ou seja, ser escrito por outrém que não o Caçador, passa a ser uma obra de ficção e de qualidade relativa que, na maior parte das vezes, não vale nem o próprio papel onde foi impresso.
Para mim, assim, um livro de caça tem de possuir duas características essenciais para que possa ser devidamente aproveitado: ser escrito por um Caçador e estar de acordo com as regras da composição.

Felizmente tenho a sorte de possuir alguns poucos destes, lamentavelmente não todos quanto desejo, e deles falarei, atempadamente!

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Apresentação da Confraria

No dia 9 de Agosto de 2009, nas Fontinhas, Ilha Terceira, foi apresentada a Confraria da Gastronomia Cinegética dos Açores, abreviada para CGCA, numa cerimónia que contou com as representações da Câmara Municipal da Praia da Vitória, da Secretaria Regional da Economia e do Senhor Representante da República para os Açores, o Juíz Conselheiro José Mesquita, e ainda com a participação de muitos Caçadores e Amigos.

O evento foi apadrinhado pela Confraria dos Gastrónomos dos Açores e do seu Presidente António Cavaco, bem como pela Confraria do Vinho Verdelho, através do seu Presidente, tendo sido empossados, na mesma altura, como Confrades da CGCA Gualter Furtado - Presidente da Assembleia Geral e Olívio Ourique - Presidente da Direcção, que em Sessão a realizar na Ilha do Pico, no próximo dia 3 de Outubro, darão posse aos restantes Confrades.

A Confraria compromete-se a defender o património gastronómico cinegético dos Açores e de Portugal já que esta se trata da primeira Confraria Gastronómica do País, no que à caça diz respeito, constituída legalmente e com todos os seus Orgãos Sociais em funções, podendo ser contactada através do Olívio Ourique, com o contacto 917206756.

Em associação com a apresentação da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores o Clube Cinegético e Cinófilo, na mesma data, prestou uma homenagem a alguns caçadores Açorianos cuja vida e presença no mundo da caça se pautou sempre por um sentido ético elevado, uma grande paixão, numa postura alegre e de defesa da caça com princípios.
Estes Homens apresentam-se hoje com cerca de 80 anos e continuam sérios devotos de Santo Huberto.
São eles os Senhores Gabriel José e Alvarino, da Ilha Terceira, o Senhor Valquirio Louro, da ilha Graciosa, e o Senhor Henrique Pacheco, da Ilha de São Miguel.
Cada um deles, à sua maneira, deram um inestimável contributo para que muitos de nós fossemos hoje Caçadores e para que os cães de caça continuem a ter um papel central no acto venatório.

A constituição dos Órgãos Sociais da Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores, ficou a seguinte:

Direcção

Presidente – Olívio Ourique
Vice-Presidente – Cremildo Marques
Vogal – Germano Nunes
Suplente – Isaac Ourique
Suplente – José Teixeira

Assembleia-Geral

Presidente – Gualter Furtado
Vogal – Virgínio Carvalho
Vogal – Valquírio Louro

Conselho Fiscal

Presidente – Vivaldo Azinhaes
Vogal – Mário Bettencourt
Vogal – Vítor Inácio

Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Uma Caçada na Ilha de São Jorge

Andavam a desafiar-me insistentemente para ir observar o que se estava a passar com o coelho bravo na Ilha de São Jorge e obviamente também para caçar.

Recusei muitas vezes estes convites, já que por princípio não caço no período de reprodução das espécies cinegéticas, mas em meados de Julho, embora existam ainda muitos láparos, o período crítico da reprodução das coelhas está ultrapassado e lá disse que sim aos meus companheiros de caça da Terceira (Olívio) e do Pico (Cremilde). Reunimos alguns cães de caça (já que “caçar” sem cães não é caça) e rumamos a São Jorge. Ao nosso Grupo juntaram-se o “Bivalves”, do Continente, que nos acompanhou numa de apreciar as paisagens e saborear a gastronomia local e por arrasto ver os seus dois podengos trabalhar, o Vitor, também do Continente, e o Valério (Russo), ambos a trabalhar na Ilha do Pico.

A Ilha de São Jorge tem paisagens e vistas deslumbrantes, naquela Ilha tem-se a sensação de estarmos num Arquipélago e no Atlântico.
A Montanha do Pico é uma presença incontornável e a Graciosa, o Faial e mesmo a Terceira estão sempre presentes no horizonte.
Quanto à restauração sugiro uma ida ao Amílcar, na Fajã do Ouvidor, que não se irão arrepender.
É pena alguns restaurantes não utilizarem mais os produtos locais, que são excelentes (carne, lacticínios e peixe), chegando-se ao cúmulo de alguns restaurantes não terem na sua ementa o famoso queijo de São Jorge.

Atenção com o betão e às construções desenquadradas do meio em que se inserem!
A este propósito a Ponta dos Rosais está a pedir uma intervenção urgente que minimize o estado de abandono a que está votada. Mas vão a São Jorge que irão gostar.

Espingardas tínhamos 4, e 6 cães do Olívio, 2 do Bivalves e 1 meu.
Caçamos três dias e o resultado foi muito satisfatório. De referir que nestes três dias fizemos umas refeições á base de coelhos bem prolongadas e ainda fizemos algum turismo com visitas às Fajãs, etc., isto é, podíamos ter ainda cobrado mais coelhos.

Voltando aos coelhos bravos a situação parece-me preocupante, justificam-se pois algumas medidas correctoras da actual densidade desta espécie cinegética, mas sem nunca por em causa a sua sustentabilidade. Não podemos ser tacanhos nem fundamentalistas ao ponto de não reconhecermos que é imprescindível o envolvimento dos agricultores e estes tem de ter rendimento com a presença do coelho bravo, caso contrário a situação pode acabar mal, com tentações criminosas de introdução da hemorrágica e proliferação deliberada de gatos lançados nas pastagens com consequências devastadoras sobre outras espécies como é o caso das Galinholas.

Abrir a caça todos os dias e todo o ano, distribuir pontualmente cartuchos aos “caçadores” são medidas avulso, quando a resposta deve ser integrada e coordenada!
Em situações como a de São Jorge a solução de fundo tem de estar numa lei da caça (1)que permita o ordenamento do território, e que seja suficientemente atractiva para as Organizações da Caça e os Caçadores.
Paralelamente deve ser incentivada a caça social para as pessoas de menores recursos, e aqui também entram os transportes aéreos inter-ilhas que apresentam um preço proibitivo tanto para as passagens das pessoas como para o transporte dos cães (custa uma fortuna) e do produto da caçada.
Uma outra medida passa pela divulgação da elevada qualidade da carne do coelho bravo incentivando o consumo local (nós oferecemos uma parte importante dos coelhos que caçamos a pessoas da Ilha de São Jorge).

A bem da caça e do coelho bravo e da Lavoura justifica-se que os Recursos Florestais (2) promovam um levantamento da situação, contratem quem perceba do assunto, envolvam os lavradores e alguns caçadores e depois tomem as medidas que se justificarem, mas por amor de Deus à partida não antecipem as conclusões e sobretudo não criem as condições para a “emigração“ de quem ousa ter idéias e propostas válidas.
O Coelho bravo nunca deve ser tratado como uma praga e deverá ser sempre encarado como uma mais valia cultural, desportiva e até de rendimento.

(1)- Será que a nova Lei da Caça nos Açores já está em vigor, mesmo com alguns artigos declarados anti-constitucionais?

(2)- Chamem a este debate o Desenvolvimento Agrário, que me parece ter lá gente discreta.

Gualter Furtado, Julho de 2009

terça-feira, 30 de Junho de 2009

A Caça à Narceja nos Açores

Divagações e algumas reflexões sobre a sustentabilidade da sua caça no arquipélago.

No início de Junho deste ano, quando regressava aos Açores depois de uma ausência de dois meses, surpreendi-me a pensar que há mais de um mês que não via uma narceja, o que já não me acontecia desde 2004: estar um mês sem observar narcejas…

Nas terras altas da Terceira

Contornando aqui o que esta confissão possa significar no domínio do patológico, depois de uma brevíssima passagem por São Miguel, viajei até à Terceira, em trabalho, e, logo que tive oportunidade procurei as pastagens altas da ilha, para os lados do Pico da Bagacina. Esta é uma zona onde ainda se encontram algumas áreas de pastagens naturais, com interessantes manchas de turfeira e juncos, e solos bastante húmidos, mesmo durante o período estival.

Entrei então numa pastagem que conheço bem, passeando sob o olhar curioso e atento dos touros, um elemento que faz parte da paisagem local. Após prospectar bem o terreno, durante mais de meia-hora, comecei a inquietar-me pela ausência de narcejas e por não lograr um único levante. Mesmo naqueles locais com “bom aspecto”, com juncos e alguma água. Ainda assim continuei. Aproximava-me então dum dos tão característicos – e “amaldiçoados” – muros de pedra solta quando, a cerca de meio-metro dos pés, me salta uma narceja, num “desajeitado voo de ave ferida”, a voar rente ao solo e indo pousar a algumas dezenas de metros de distância. Estaquei de imediato. Um passo a mais poderia significar a morte duma cria ou o esmagamento dum ninho. Com efeito tratava-se dum ninho. Com quatro ovos. E não se tivesse dado o feliz acaso da ave me ter saltado tão próximo, e de ter visto exactamente o local donde havia levantado, nunca teria descoberto este ninho, de tal maneira se encontrava bem escondido e camuflado entre a vegetação. Ali estava, num buraco perfeito entre as ervas, o ninho de narceja mais “invisível” que observei até hoje. Afastei-me do local rapidamente, de modo a não perturbar mais, permitindo que a fêmea regressasse o mais rápido possível à incubação dos ovos. Enquanto me afastava levantei uma segunda narceja, um macho, que ganhando altura se exibiu num ruidoso voo de parada, vocalizando no ar durante alguns minutos. Continuei por mais algum tempo, a procurar na restante área com potencial habitat de reprodução, não voltando a levantar mais nenhuma ave. No entanto, já próximo do carro encontrei os restos duma narceja morta (e predada*). Fiquei então a pairar num misto de exaltação e apreensão pelo que tinha assistido. Saía dali com a certeza de que o local ainda era uma zona de reprodução mas em estado de degradação/decadência. Quando em 2005 ali tinha feito um censo, existiam 2-3 casais de narcejas e agora existia apenas um.

No dia seguinte, uma visita nas pastagens vizinhas mais não fez do que acentuar a minha apreensão. Embora não tendo feito uma busca exaustiva, a observação de apenas mais quatro aves (e ainda os despojos duma segunda ave predada) deixou-me preocupado e a pensar no assunto durante os dias seguintes.

*Um juvenil não-voador e uma fêmea adulta, encontrados numa área relativamente reduzida, fazem adivinhar uma elevada mortalidade durante o período reprodutor, devido à grande vulnerabilidade das fêmeas durante a fase de incubação e às crias/juvenis enquanto estão dependentes dos progenitores.

No Planalto dos Graminhais

Alguns dias depois, já em São Miguel, fui até ao Planalto dos Graminhais, o único sítio nesta ilha onde existe a possibilidade de observar narcejas, durante a época de nidificação. Não visitava o lugar desde o início de Abril e estava com bastante curiosidade, para tentar perceber se eram evidentes os efeitos de uma época de interdição da caça no local. Esta foi a primeira reserva de caça, criada com o propósito de proteger esta espécie, não só nos Açores como a nível nacional. E muito bem, na minha opinião. Com efeito, não fazia sentido continuar a caçar-se a Narceja na única área de reprodução no Grupo Oriental. Menos ainda quando se sabe estarmos na presença duma população reprodutora muito reduzida, de cerca de meia-dúzia de casais (6-7 em 2005; 3-4 em 2008), que tem como zona potencial de nidificação uma área com menos de 100 ha.

Embora durante os meses de Outono e Inverno sejam ali caçadas/observadas, com regularidade, aves oriundas do continente europeu (a Narceja-comum Gallinago gallinago e a Narceja-galega Lymnocryptes minimus) e da América do Norte (a Narceja de Wilson Gallinago delicata), o risco de estarem a caçar- se as aves residentes/potenciais reprodutores era muito elevado e, com a minha experiência pessoal do local e de caça a esta espécie, diria que bastante efectivo. O abate de duas aves ali anilhadas (2007 e 2008), uma a algumas centenas de metros do local onde havia sido anilhada e a outra a poucos quilómetros, na Achada das Furnas, parecem corroborar estes receios.

Mas abandonemos por momentos as reflexões e divaguemos um pouco pelo Planalto dos Graminhais. Que, naquele dia, percorri embevecido e quase em extâse – se a felicidade existe este é o seu estado mais próximo – durante seis horas. Sem parar. Quase sempre envolto por um manto de nevoeiro ou, mais exactamente, pelas nuvens. O lugar é de uma beleza ímpar, coberto por juncos e almofadados montes de musgão, em infinitos tons de verde. E o nevoeiro e tempo chuvoso, que ali encontramos durante grande parte do ano, transmitem ao local uma aura de misticismo únicas. Embora desconhecido é, seguramente, o mais selvagem e belo local de São Miguel e uma das mais originais e antigas paisagens de Portugal. É também uma turfeira e, porventura, a pastagem natural e zona húmida de altitude mais bem conservada do país.

Além do aspecto lúdico e do evidente prazer pessoal que retiro sempre que vou aos Graminhais, esta visita proporcionou-me também, inesperadamente confesso, a confirmação de nidificação de três casais de Narceja: três crias (duas delas já “esvoaçantes”), acompanhadas por adultos, de duas ninhadas diferentes, e um ninho com quatro ovos. Se a descoberta das crias não me surpreendeu muito pela sua localização, pois deu-se na zona onde têm sido localizadas mais aves durante a época de reprodução, a descoberta do ninho deu-se num local “novo” onde, embora habitualmente ali observe uma/duas aves, nunca havia confirmado a sua nidificação. Ainda, o comportamento de algumas das outras aves levantadas/observadas faz-me pensar na forte possibilidade de mais 2-3 casais na zona. Cerca de 14 indivíduos diferentes observados (nunca havia observado tal número durante a época de nidificação) e, embora não tenha feito uma prospecção exaustiva, o que me foi dado observar faz-me pensar na possibilidade, bem real, de 5-6 casais na actualidade, se pensar que podem ter-me passado despercebidas algumas aves (sobretudo alguma fêmea, a incubar ou junto de alguma cria).


No terreno das especulações

Embora avaliando apenas as duas últimas épocas de reprodução, a comparação, talvez prematura, oferece-nos um quadro optimista. Esta avaliação, repito, é no entanto ainda feita “a quente” e, mais do que sustentada por um recenseamento, é resultado da observação directa e do conhecimento empírico que o autor tem da espécie nos Açores e, sobretudo, do estado da sua população no Planalto dos Graminhais.

Assim, este aparente aumento, poderá dever-se à:

- Interdição da caça = estabilidade e incremento da população reprodutora. Com efeito, após uma época sem se caçar na zona, “salvaram-se” não só alguns possíveis reprodutores como – habitat disponível existe –, eventualmente, devido ao sossego agora proporcionado, houve novos indivíduos a estabelecer-se na zona.

Ou, por outro lado a:

- Factores meteorológicos = aumento de habitat disponível e aumento da taxa de sobrevivência das crias. De facto, se chover com maior regularidade as aves poderão sentir-se, por um lado, impelidas a ocupar novos territórios, e por outro, se o clima for mais doce na altura da eclosão dos ovos, a possibilidade de sobrevivência das ninhadas aumenta.

Pessoalmente acredito mais na primeira possibilidade. E se voltar ao início deste texto, à Terceira, os “factos” clarificam-na. Na Terceira, na zona atrás referida (assim como nos restantes territórios de nidificação), está autorizada a caça à narceja. Até ao início da época pré-nupcial. Para se ter uma ideia, no dia 18 de Fevereiro, neste local, ouvi um macho a vocalizar (Chip-call), sendo que a caça a esta espécie havia fechado no fim de semana anterior… Se adicionar-mos o facto de a caça, ao coelho, ter aberto em Agosto, em toda a ilha, e revelarmos que no início de Agosto ainda podem existir crias e juvenis a ensaiar os primeiros voos… Depois, tem havido um aumento do número de caçadores a caçar à narceja e a exercer uma maior pressão sobre a espécie nestas áreas.

Se agora voltarmos ao Planalto dos Graminhais e pegarmos nas primeiras impressões do autor, depois de uma época em que a caça no local esteve interdita, por muito que nos esforcemos, teremos dificuldade em justificar aqui a manutenção da caça a esta espécie.

Poderemos ainda abordar a questão da ilha do Corvo. A única no arquipélago açoriano onde não se caça. A nenhuma espécie. E, embora com habitats de nidificação semelhantes aos que existem em São Jorge, Pico ou Flores, é a ilha com maior densidade de narcejas ou seja, aquela em que proporcionalmente existem mais narcejas. De longe.

Mas não deixemos aqui espaço para mal-entendidos. Não sou contra a caça à narceja. Pelo contrário. A narceja é uma espécie que, embora tendo sofrido um ligeiro declíneo nos últimos anos, a nível europeu, apresenta um estatuto de ameaça pouco preocupante, estando classificada pela BirdLife International como SPEC 3. E no nosso país, no Continente e nos Açores, é um invernante comum e regular. Apenas não concordo – acho mesmo que não faz sentido – que se autorize a sua caça nos seus territórios de reprodução. Sobretudo em locais onde os factores de ameaça são evidentes, como a degradação do habitat e reduzido número de efectivos populacionais. Penso que em alguns locais, como por exemplo aqueles que são referenciados no texto, não se devia autorizar a sua caça e, em relação às outras espécies, apenas se deveria permitir o exercício venatório entre Outubro e o fim de Janeiro.

Por exemplo, acho de uma imoralidade atroz (e inabilidade na gestão dos recursos cinegéticos) que nas Flores a caça ao coelho esteja aberta durante todo o ano, em todo o lado, e todos os dias. Não pelos coelhos, que são de facto imensos, mas pela perturbação que a sua caça pode causar noutras espécies, como as galinholas e as narcejas, que fazem o ninho no solo. E como estamos no campo da cinegética fiquemo-nos apenas por estas duas espécies.
Também aqui se deveriam proteger algumas zonas, pelo menos durante o período de reprodução.

Penso que no Pico e em São Jorge, devido às especificidades dos terrenos frequentados pelas narcejas (“pantanosos”, ventosos e chuvosos), assim como pelos efectivos existentes no Outono e Inverno, o impacto da caça será menor do que noutras ilhas. E, na verdade, o número de caçadores que ali caçam à narceja é pouco significativo. Por outro lado, em Santa Maria e na Graciosa, por serem ilhas onde a espécie não nidifica, pode-se ser menos escrupuloso com os locais e calendários venatórios.

Tal como para todas as espécies cinegéticas dos Açores, o calendário venatório deve ser feito e ajustado tendo em conta o seu estatuto fenológico e particularidades. Para tal é necessário conhecer bem a dinâmica das populações, em todas as ilhas, não só no período de Outono/Inverno como durante a época de reprodução. Como se sabe, em ilhas pequenas os ecossistemas e o equilíbrio das populações de aves é quase sempre muito frágil. Fazer censos regulares, durante todo o ciclo anual, e estudar a ecologia das espécies, é essencial para que se possa estabelecer um calendário criterioso: a bem da caça e da conservação.


Texto e fotos da autoria de Carlos Pereira

terça-feira, 23 de Junho de 2009

Apuramento Regional de Santo Huberto na Terceira

Os representantes dos Açores na final nacional de Santo Huberto serão apurados numa prova a realizar na ilha Terceira, nos dias 8 e 9 de Agosto próximo.

A final nacional a realizar no Continente Português, irá ocorrer no mês de Setembro e desta Prova sairão os representantes de Portugal no Campeonato do Mundo de Santo Huberto com cães de parar, o qual já contou, por várias vezes, com a presença de caçadores Açorianos.

Pela Primeira vez a Final Nacional será organizada em conjunto pela FENCAÇA e pela Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP), pondo-se fim a um desentendimento entre estas duas organizações que em nada beneficiava o Santo Huberto.

As inscrições para o Apuramento Regional devem ser feitas no Clube Cinegético e Cinófilo da Ilha Terceira, que será a Capital do Santo Huberto nas Festas da Praia da Vitória.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Onde Estão os Milhafres

No passado mês de Maio, foi levada a efeito uma desratização na ilha de Santa Maria, através da colocação de veneno.
Preocupa-me, apesar de a aceitar como um medida de combate necessária, apenas em alguns casos, o efeito que este tipo de procedimentos causa nas espécies que fazem dos ratos um dos seus pratos alimentares, nomeadamente a do mocho e a do milhafre.

Estas aves de rapina encontram-se no topo de uma cadeia alimentar e o papel que desempenham é de extrema importância, pois seleccionando os elementos mais frágeis, bem como alimentando-se das carcaças de animais, ajudam a promover o desenvolvimento e a sustentabilidade do meio ambiente, onde todos existimos e nos movimentamos.
Neste tipo de desratização, embora não sejam as espécies-alvo, o mocho e o milhafre são vítimas de uma desvastação fenonemal, precisamente ao ingerirem o veneno que debela as suas presas.

Todos os dias, a partir das 10H00, sobrevoavam a minha casa, pelo menos dois milhafres (o da foto era um deles), os quais também tinham árvores de poiso bem definidas.
Naquela que é vulgarmente denominada de estrada-de-baixo, sita no aeroporto, já não são avistados e ali haviam sempre dois ou três. Todos eles desapareceram!

Relembro que, no passado, não muito distante, até aos inícios dos anos oitenta do século passado, possuíamos uma ave de rapina em tudo semelhante ao actual milhafre, mas um pouco maior e de cabeça branca, que desapareceu totalmente depois de uma campanha deste género.

Não existirão outras soluções, mais selectivas e igualmente eficazes para o combate aos ratos, que tantos prejuízos nos provocam?
Apelo às várias forças marienses, sobretudo aquelas que se movimentaram e que tanto esforço despenderam no dizer e no fazer para evitar que a "sorte de varas" fosse introduzida neste arquipélago, que também se preocupem com esta situação pois, apesar de não possuir o mesmo mediatismo, aqui poderá pronunciar-se um rude golpe na existência destas aves de rapina!

terça-feira, 26 de Maio de 2009

A Caça no Uruguai

A República do Uruguai situa-se na América do Sul e tem como fronteira o Brasil e a Argentina. O País possui 3,3 milhões de habitantes sendo que cerca de 60% da sua população reside na capital que é Montevideu. O seu território apresenta uma área de 176 mil km quadrados isto é quase o dobro do território Português. Os terrenos agrícolas e os pastos são a paisagem dominante, sendo a economia Uruguaia profundamente agrária com predominância para as produções do sorgo, girassol, soja, milho, trigo e gado.

A estrutura agrária assenta em grandes propriedades e por enquanto as técnicas e o maneio utilizado nas produções facilitam a forte reprodução das rolas, perdizes e lebres. Os campos também têm muitas pequenas lagoas e lagoeiros que garantem o habitat adequado às narcejas e fixação dos patos embora sem a expressão que estes têm na Argentina e no Brasil, principalmente nos braços do rio da Prata (Paraná).
As espécies cinegéticas pertencem aos proprietários da terra e só se pode caçar nestes terrenos com a autorização dos donos das mesmas. Não existem Associações de Caçadores nem Zonas de Caça tal qual estão organizadas em Portugal (Continental).
Por conseguinte, para se caçar no Uruguai é indispensável a participação de parceiros locais e conhecedores das extremas das propriedades, caso contrário, arrisca-se a ser autuado e passar um mau bocado. Para um caçador estrangeiro caçar no Uruguai também necessita de uma autorização especial e uma guia provisória de utilização de arma de caça válida para as diferentes espécies cinegéticas a caçar, e por um período determinado (atenção a este pormenor). Esta autorização é passada pelo Chefe de Departamento do Registo de Armas da Republica Oriental do Uruguai que é a autoridade competente no Departamento que caçamos, de nome Flores (a capital é Trinidad).

Munidos das respectivas licenças e autorizações, com guias locais e bons companheiros de caça temos os requisitos mínimos para desfrutarmos de uma semana de caça a sério e muito agradável. A espécie cinegética mais abundante é a rola que existe aos milhões nos campos de sorgo e de girassol, bem como nas dormidas, sendo mesmo considerada uma praga. É pois natural que em 8 dias de caça e apenas em algumas horas (2 a 3 horas) um grupo de 7 caçadores tenha dado 17200 tiros e cobrado 12000 rolas! Este número é extraordinário e pode ser mesmo considerado “ um atentado”, mas garanto que não representa nada, mas mesmo nada, na população de rolas que tem o Uruguai.

Eu que sou um caçador que só sabe caçar com um cão ou cães, não resisti nos intervalos das perdizes e lebres em 6 dias de caça também a ter dado 900 tiros às rolas e cobrado aproximadamente 700 rolas, muito longe dos meus companheiros e em especial do amigo Henrique que foi capaz de numa semana dar 8200 tiros numa recente viagem que fez ao Uruguai e com uma eficácia muito próxima dos 90%, nunca vi ninguém atirar tão rápido. Para quem gosta de atirar e caçar às rolas o Uruguai é um paraíso.
O meu grande Objectivo ao concretizar este sonho de caçar no Uruguai eram as perdizes e as grandes lebres e com o meu próprio cão (foi uma decisão difícil a escolha do cão a levar...), e este foi atingido em pleno. A escolha foi a minha jovem cadela E. Bretão de nome Pipoca (embora no registo conste Flores) com quase 2 anos. Fui o único do nosso grupo de caçadores que levou cão.

Era grande a expectativa que tinha quanto ao seu comportamento na presença das perdizes do Uruguai (parecem-se com codornizes grandes) e das lebres que atingem mais de 6 Kgs de peso, sendo algumas delas quase do tamanho da Pipoca. A Pipoca teve de vencer uma dura viagem de avião de 32 horas (ida e volta com inicio em Ponta Delgada), embora tivesse tido um treino especial e natural para debelar este sacrifício. Chegada ao destino não caçou no primeiro dia pois fazia parte do plano um dia de descanso, mas já no segundo dia e a caçar para 7 espingardas deu para perceber a sua qualidade superior, fruto de muito trabalho, carinho e carga genética dos seus antepassados. Foi extraordinário verificar como aquela cadela fora do seu meio ambiente, com cheiros estranhos, terrenos diferentes, espécies cinegéticas desconhecidas com comportamentos novos, e em pouco tempo se apercebeu da forma como as perdizes utilizavam “artimanhas” para se protegerem dos seus predadores, como fugiam a patas, o mesmo se passando em relação às lebres que enlouqueceram por completo a Pipoca.

A caçar comigo ou na companhia dos outros companheiros caçadores a Pipoca portou-se muito bem, de tal forma que chegou ao Uruguai como Estudante e regressou com um Doutoramento com Distinção. Atenção que nem todos os cães que lá vão se portam desta maneira, foram vários os relatos de cães que em outras ocasiões, no Uruguai, vindos de Portugal, do Brasil e da França que ao ouvirem os primeiros tiros nunca mais apareceram.
De referir que em épocas anteriores, a E. Bretão de nome Carpa a caçar com o José Carlos também já tinha tido um excelente comportamento, de tal forma que me perguntavam se a Pipoca era filha da Carpa.
Em síntese, ver trabalhar a Pipoca, os seus cobros em terra e na água foi uma excelente compensação para uma ida às terras do Outro Mundo e que dificilmente se repetirá.

O balanço cinegético foi positivo, a comida com muitos grelhados também, o alojamento muito aceitável, até porque uma Residencial por mais modesta que seja desde que permita que os meus cães durmam no meu quarto passa logo a hotel de 5 estrelas, como foi o caso.
O “Hotel Campo” é uma pequena aldeia turística localizada muito próximo de Trinidad que serve de base aos caçadores, servido por pessoal muito dedicado e com muita higiene. Quem vai à procura de coisas Luxuosas aconselho-o a não fazer o nosso programa, mas se procurar dignidade e a eficiência possível então siga este caminho. Os Companheiros do Grupo garantiram uma forte componente social indispensável na caça, depois rimo-nos muito, o que é excelente para esfrangalhar este stress que vivemos no dia a dia.

Uma palavra de apreço para os representantes Portugueses da organização responsável que nos levou ao Uruguai, os Senhores Ferreira e Celestino, pois esforçaram-se ao máximo para que tivéssemos uma semana com caça e com um bom ambiente.
Quanto aos Guias locais portaram-se muito bem e muito do bom resultado das Caçadas deve-se a eles.
Um outro aspecto foi o que fazer com toda esta caça?
Uma parte importante foi para os nossos Guias, outra era oferecida a pessoas locais que se aproximavam de nós e nos pediam caça, e fizemos também alguns petiscos.
Para as perdizes e lebres tínhamos sempre procura, mas confesso que para as rolas a oferta excedia a procura.

O futuro da caça no Uruguai está muito dependente do que será o futuro da agricultura naquele País e principalmente do comportamento dos proprietários das terras, cuja estrutura tende para uma maior concentração, mais mecanização, utilização de produtos e monda química.
Existe hoje já uma forte presença estrangeira no mundo rural, com uma participação crescente dos Argentinos que vão para o Uruguai ao que me disseram para fugirem da politica fiscal que o governo Argentino está a desenvolver em relação às produções agrícolas e negócio de terras na Argentina, inflacionando o preço da terra no Uruguai o que constitui uma tentação para os locais venderem a estrangeiros este meio de produção, tudo se conjuga pois para uma industrialização da terra com as usuais consequências negativas para as espécies cinegéticas.
Pergunto-me até quando os produtores agrícolas estão dispostos, neste novo cenário, a “ sustentarem “ os milhões de rolas?
É uma interrogação que pode ter várias e antagónicas respostas.
O que eu não tenho dúvida é que a caça tal qual é praticada hoje no Uruguai dificilmente dentro de meia dúzia de anos manterá a mesma quantidade e qualidade que tem hoje.
Ainda que de uma forma informal a caça já representa hoje para o mundo rural e Trinidad em particular uma importância interessante, contribuindo para a criação sazonal de muitos postos de trabalho e receitas para a hotelaria, restauração, aluguer de viaturas, etc.

Finalmente, duas notas que não resisto a relatar.
A primeira diz respeito ao Brasil, e conta-se em poucas palavras: no local onde estávamos a residir tínhamos a companhia de um grupo de caçadores Brasileiros amantes dos cães de parar e que foram ao Uruguai só para caçar perdizes. Perguntei a um deles como é que se encontrava organizada a caça no Brasil, e ele respondeu-me que legalmente não se podia caçar em nenhum Estado do Brasil, já que a caça estava proibida e contou-me que em meados da década de 80 do Século passado o Governo proibiu a caça em todo o Brasil com o argumento que ia proceder a um levantamento exaustivo de todas as espécies cinegéticas e a um Censo que serviria de base a uma nova Lei da Caça no Brasil, resultado foi que o estudo nunca chegou a ser feito (segundo me disse o amigo brasileiro) e que a caça continuava proibida legalmente. E disse-me legalmente, porque todos os anos os caçadores brasileiros continuam religiosamente a fazer as suas aberturas e fecho do período venatório como faziam há 30, 40 ou 50 anos. Mais, fazem todos os anos quase 2000 Kms para irem caçar o Perdigão ao Nordeste brasileiro com os seus pointers e bracos alemães debaixo de uma temperatura de mais de 40 graus centigrados! Aqui fica a minha homenagem aos verdadeiros caçadores Brasileiros que não podem nem devem ser confundidos com outros indivíduos que andam com armas na mão com comportamentos desviantes e que podem ser tudo menos caçadores.

A última nota vai para os estudiosos e amantes das aves. Nunca vi na minha vida tanta variedade de aves e pássaros como no Uruguai!
As suas cores e tamanhos impressionam e mereciam um levantamento e estudo profundo, o que parece não estar concluído. Estas aves mereciam uma atenção e protecção especial pois fazem parte e são Património da Humanidade.

Gualter Furtado, Maio de 2009

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Passo a PassoTiro a Tiro

Recentemente o Dr Ângelo Sequeira editou um Livro sobre a Vida e a Caça com o Titulo “Passo a passo, tiro a tiro".

Trata-se de uma obra de leitura obrigatória pela forma genuína como um Médico e Caçador nascido em Trás-os-Montes descreve a sua paixão pela caça.
É importante que relatos como este sejam publicados para que os mais novos e a nossa sociedade compreendam que a caça quando praticada com amizade, amor pelos nossos companheiros cães, respeito pelas espécies cinegéticas e meio ambiente é uma arte nobre e que vale a pena viver.
O Dr. Ângelo Sequeira tem hoje uma das maiores Bibliotecas de Cinegética do País e atrevo-me a dizer do Mundo, o que diz bem da forma como viveu e vive a Caça.

Obrigado pois, por mais este contributo para a defesa da Caça.


Texto e fotos enviados por Gualter Furtado

domingo, 5 de Abril de 2009

Santo Huberto em São Miguel

Realizaram-se nos dias 4 e 5 de Abril, na ilha de São Miguel, duas Provas de Santo Huberto com Cão de Parar sobre perdizes vermelhas, julgadas pelo Juíz Paulo Cruz

Decorreram com o tempo magnifico e em terrenos com vistas deslumbrantes!

As Classificações foram as seguintes:

1º lugar - José Moniz - Braco Alemã (F)-Iris
2º lugar - José Teixeira - Epagneul Bretão (M)- Kikas
3º lugar - Gualter Furtado - Epagneul Bretão (M)- Pico

À margem das provas foi discutido com preocupação o facto de terem sido encontrados muitos coelhos bravos mortos na Ilha do Pico, à semelhança do que já aconteceu na costa Norte de São Miguel, desconhecendo-se se se trata de intoxicação alimentar, hemorrágica ou outra origem, aguardando-se pois os resultados e investigação por parte dos Serviços Oficiais.


Texto e foto da autoria de Gualter Furtado

terça-feira, 31 de Março de 2009

FCA - Comunicado

A Federação dos Caçadores dos Açores lamenta profundamente que a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas e em particular a Direcção Regional das Florestas estejam a autorizar “aberturas de caça” em diferentes Ilhas dos Açores ao coelho bravo no período de reprodução da espécie pondo em causa a sua sustentabilidade, quando no período que se deve caçar que é de Outubro a Dezembro foram introduzidas restrições em algumas destas Ilhas como foi o caso de Santa Maria.

A Federação dos Caçadores dos Açores não põe em causa que possam e devam existir correcções do eventual excesso de coelhos neste período, compreende e está solidária com os problemas dos Agricultores, o que não aceita é que estas autorizações estejam a ser dadas sem a explicação fundamentada que se exige e sem ouvir a Federação dos Caçadores dos Açores.
Não contem connosco para avalizar uma politica cinegética feita por tautologia e ao reboque das pressões do momento.

A Federação dos Caçadores dos Açores também lamenta que, excedidos todos os prazos, a SRAF não consiga Regulamentar a nova Lei da Caça, convertendo este instrumento de gestão da caça numa total inutilidade. Nenhuma complexidade jurídica justifica tal demora.

Açores, 31 de Março de 2009

Paulo Cruz - Presidente da Direcção

Gualter Furtado - Presidente da Assembleia Geral

As Palavras Leva-as o Vento

Finalizou no passado dia 29 de Março de 2009, o período de caça ao coelho sem limite em Santa Maria.
Essa medida tinha por base combater a praga que representava o coelho, disso alegava e fazia questão de acusar a associação de agricultores desta ilha.

Apraz-me enaltecer a atitude muito digna da esmagadora maioria dos caçadores marienses que, numa demonstração de elevado sentido de cidadania, de profundo respeito pelas espécies cinegéticas e por esta arte, se abstiveram de cometer tais atrocidades e não caçaram!

De acordo com uma reportagem publicada no muito ilustre e nobre mensário desta terra "O Baluarte", na sua edição de Março, refere que, no dia 26 de Fevereiro do corrente ano, realizou-se uma reunião com o objectivo de "pensar o sector da caça, numa perspectiva de ilha", nas palavras do deputado regional, Duarte Moreira.

Nesta reunião estiveram presentes, além do mencionado, o Director Regional dos Recursos Florestais, José Mendes, elementos das associações de caçadores e de agricultores, bem como das entidades governamentais ligadas aos sectores agrícola, da caça e do turismo, refere o mesmo jornal.

Poderá ler-se igualmente que o Eng.º José Mendes, afirma que a regulamentação da lei caça para os Açores está quase a ser publicada e que a mesma prevê a criação de zonas de caça regionais, associativas e turísticas. Que, para além disso, disponibiliza "todo o apoio técnico e jurídico".
Enalteceu o facto de ser "um projecto com bastante interesse para a ilha e que poderá gerar mais valências económicas a nível turístico".

Em geito de conclusão o Eng.º Duarte Moreira acrescenta que "compete aos interessados directos neste assunto, caçadores e agricultores, discutir o assunto e daqui sair uma zona de caça, que tenha mais valias económicas para a ilha de Santa Maria, sem descurar a protecção ambiental e a preservação dos recursos cinegéticos".

É imperativo e de primordial importância que seja regulamentada a lei da caça, quanto antes.
Não faz qualquer sentido manifestar todas estas boas intenções no dia 26 de Fevereiro de 2009 e publicar no dia 12 Março de 2009 as normas que permitiram dar caça ao coelho sem limite de peças em Santa Maria na segunda quinzena desse mês, acção totalmente contrária ao que foi proclamado inicialmente.
Esta situação é muito preocupante, porque as pessoas mais atentas poderão começar a duvidar da veracidade das afirmações e das verdadeiras intenções por detrás das palavras anunciadas, pois não faz sentido num dia dizer uma coisa e noutro fazer outra.

É de realçar a iniciativa extremamente positiva de juntar as diferentes partes para se encontrar um consenso - é este o caminho -, mas também é necessário dar continuidade a esse importante esforço, para que não se fique apenas pelas palavras e boas intenções.

segunda-feira, 30 de Março de 2009

O Pico da Vara

O Pico da Vara é o ponto mais alto da Ilha de São Miguel com cerca de 1100m de altitude estando localizado no Concelho do Nordeste, embora o concelho da Povoação reevindique também como seu este verdadeiro património natural.
O seu acesso tanto pode ser feito a partir do Nordeste (Achada, Algarvia, Fazenda e Santo António) como a partir da Povoação.

O percurso é difícil e em algumas partes é mesmo perigoso sobretudo no Inverno e quando chove, recomendando-se sempre a presença de um Guia e nunca, mas nunca fazer esta subida sózinho. Por exemplo se escolhermos o percurso a partir da Povoação a sua extensão é de 15,2 Km, e o tempo médio de caminhada é de 05h.
Com partida dos Graminhais ( no cimo da Achada do Nordeste ) caminhando com calma levamos 02h30m até atingir o ponto mais alto, mesmo fazendo muitas paragens a fim de contemplar as maravilhas da Natureza.

Próximo do Pico da Vara localiza-se no Planalto dos Graminhais uma Turfeira magnífica onde vivem e se reproduzem as poucas Narcejas residentes em São Miguel (zona interdita ao exercicio da caça e bem), e do outro lado temos a Tronqueira do Nordeste onde habita o Priolo, ave que só existe na Ilha de São Miguel e nos Concelhos da Povoação e do Nordeste.

Toda a zona do Pico da Vara é palco de vegetação e flora endémica de uma riqueza extraordinária.
Com uma presença importante de Estrelinhas e Tentilhões e alguns Coelhos bravos. Quanto às vistas e quando temos bom tempo são simplesmente espetaculares.

Durante o percurso somos por duas vezes supreendidos por dois marcos a assinalar dois acidentes de aviação ocorridos no Século passado sem sobreviventes, um da Air France e outro da F A P.
São locais de meditação e de profundo respeito por todos aqueles que perderam ali a vida .
Marcel Cerdan o grande boxeur nascido na Argélia, campeão do mundo de pesos médios e que pouco tempo antes de embarcar naquele fatidico vôo da Air France tinha perdido o título mundial para o Jake La Mota, foi um dos que perdeu a vida naquele triste dia de 27 de Outubro de 1949.
Cerdan era um ídolo em França e a sua ligação à grande cantora Edith Piaf inspirou historiadores e escritores (Daniel de Sá escreve um brilhante artigo sobre o Pico da Vara e também sobre este tema), sendo a sua morte chorada em todo o Mundo principalmente em França.
Recorde-se que o objectivo deste avião era fazer escala no Aeroporto de Santa Maria onde nunca aterrou.
Desde criança que ouço esta história e os horrores que se seguiram, que propositadamente omito.
É pois com emoção que nos curvamos junto ao marco que assinala este triste acontecimento.

Passados uns instantes estamos de volta a um meio ambiente deslumbrante, que urge respeitar a todo o custo, e que simboliza o que de melhor existe em São Miguel, nunca sendo de mais lembrar que se trata do único local da ilha em que ainda existe vegetação característica dos primeiros tempos do Povoamento. No minimo exige-se Respeito.

Para a História das nossas vidas fica registado que no Sábado de 28 de Março de 2009 um Grupo de Amigos constituído pelo Octaviano Mota, Gualter Furtado, Joaquim Bensaude, Antonio Serpa, José Raposo, Pedro Fernandes e Carlos Pereira (Guia) subiram o Pico da Vara pelos Graminhais colocando mais um anel na corrente da Defesa da Natureza, o que deve constituir uma prioridade das prioridades nas nossas Ilhas.

Finalmente uma palavra de apreço ao Resturante da Achadinha que mesmo fora do horário normal do almoço nos serviu uns magnificos petiscos e uns torresmos que nos souberam muito bem.
E assim se passou mais um dia nesta época do Defeso da Caça e caçando de uma maneira diferente!


Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

quinta-feira, 12 de Março de 2009

Caça Sem Limite em Santa Maria

Caça ao coelho sem limite de peças em Santa Maria na segunda quinzena de Março

O Governo dos Açores decidiu permitir a caça ao coelho sem limite de peças em várias zonas da ilha de Santa Maria, entre 15 e 29 de Março.

Praia-Almagreira, Flor da Rosa-Mãe de Deus-Vila do Porto e Gramas-Touril-Almagreira são as áreas a que se aplica a decisão, que o Executivo de Carlos César justifica com a elevada densidade da espécie nelas existente.

Segundo o Executivo, nas zonas abrangidas pela medida o coelho bravo tem vindo a provocar prejuízos, designadamente em pastagens, vinhas, plantações de meloa e melância e outras culturas hortícolas.

12 de Março de 2009

Notícia retirada de AZORES.gov.pt


NÃO CONTEM COMIGO!!!

Medidas infelizes aprovadas pelo secretário que aparecem dias depois de ter prometido algo semelhante para a ilha de São Jorge.
Se houvesse um estudo científico que comprovasse, preto no branco, o mal de que acusam os coelhos de Santa Maria, contra estas medidas pouco haveria a opôr, mas não é isto que se verifica.
Estas normas não têm por base nenhum estudo aprofundado e muito menos de carácter científico que as possa suportar minimamente.
Fá-lo apenas na observação empírica de uns ilustres desconhecidos.

As áreas em questão são utilizadas para a produção de meloa e como pastagem de gado bovino, sobretudo.
Tanto uma como a outra actividade recebem subsídios governamentais.

- Se é para proteger a cultura da meloa, porque razão a colocam na lixeira?
Há fotos a circular na net que o denunciam!!!

- Se é para proteger a vaca, porque razão criam explorações agrícolas encima de explorações agrícolas, todas na mesma área de pastagem da primeira, cuja consequência é a morte das vacas à míngua, sem alimentação que chegue para todas?
Foi aprovada uma lei, que entrará em vigor no próximo ano para evitar estes abusos e atropelos.

Afinal a responsabilidade cabe a quem?
Presumo que seja mais fácil para uns e cómodo para outros atribuir a culpa aos coelhos e o leitor comigo concordará.


Na verdadeira defesa das espécies cinegéticas, da caça e dos caçadores devia entrar a Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, mas dessa nem sabemos se foi consultada ou se, porventura, se fez representar, e mais, não sabemos se ainda existe sequer?!

DAQUI FAÇO UM APELO AOS CAÇADORES PARA QUE NÃO CACEM NAS ZONAS EM QUESTÃO E QUE CUMPRAM OS LIMITES DO CALENDÁRIO VENATÓRIO.
A CAÇA É UM ACTO PERMITIDO ÚNICAMENTE ÁQUELES QUE SE ENCONTRAM LEGALMENTE HABILITADOS PARA TAL, PELO QUE NA NOSSA VONTADE E SÓ NA NOSSA VONTADE, RESIDE A APLICAÇÃO OU A NÃO APLICAÇÃO DESTAS MEDIDAS FEITAS A GRANEL, SEM PÉS NEM CABEÇA!

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Andaluzia 2009

Decorreu de 11 a 21 de Fevereiro de 2009, a semana Internacional de Andaluzia para todas as raças continentais (ex: Bracos alemães, Drahthaares, Epagneul Bretons, Griffon Korthals, Bracos Italianos).
Nestes dias tiveram lugar o Campeonato da Europa do Epagneul Breton, o Campeonato do Mundo do Braco Alemão e a Copa da Europa de Primavera.
José Matos foi seleccionado para representar Portugal nos 3 Campeonatos.

José Matos, da ilha Terceira, destacou-se naquele que é o troféu mais cobiçado por todos os treinadores a nível mundial:
- A Copa da Europa.
É de salientar que este troféu existe desde o ano de 1985 e é a primeira vez que um português o ganha.
Um feito extraordinário!


A Copa da Europa tem uma particularidade que advém da gravação do nome do cão, do condutor e do país numa taça de prata que no final do ano é entregue no país que organiza a seguinte Copa da Europa, que ocorrerá na Grécia, no ano de 2010.

Critérios de selecção nos dias 11 e 12, bem como nos dias 15 e 16 de Fevereiro, nas provas abertas a todos os concorrentes. Foram seleccionados os melhores cães portugueses ficando assim ordenadas as equipas:
Campeonato da Europa do Epageul Breton: “Ágata dos Malheiros” condutor e treinador José Matos, “Bacardi” condutor João Aguilar treinador José Matos, “Fredi e Cuco” condutor Jorge Piçarra.
Campeonato do Mundo do Braco Alemão: “Íris, Iuri e Vasco” condutor e treinador José Matos.
Copa da Europa para todas as raças continentais “Iuri e Bacardi” condutor e treinador José Matos, “Vénus e Uni” condutor Vítor Silva, reserva “Átomo dos Malheiros” condutor e treinador José Matos.

Os países que já ganharam a Copa da Europa: França 8 vezes, Itália 3 vezes, Bélgica 2 vezes, Dinamarca 1 vez, Espanha 2 vezes, Croácia 1 vez, País basco 3 vezes.
Portugal, apenas 1 vez com o Epagneul Breton, macho, de nome “Bacardi”, com a nota mais alta que um cão pode ter 1º EXCELENTE CACT CACIT.

Texto e fotos enviado por Gualter Furtado

quinta-feira, 5 de Março de 2009

Praga de Coelhos em São Jorge

Noé Rodrigues, secretário regional da agricultura e florestas, anunciou hoje, na ilha de São Jorge, que irá alterar o calendário venatório, introduzir novas modalidades e mais dias de caça, bem como modificar os horários em que é praticada a caça ao coelho de modo a combater a "praga" que este lagomorfo representa naquela ilha.

Esta tomada de posição vai de encontro à solicitação da Associação Agrícola da Ilha de São Jorge que deseja diminuir o número de coelhos-bravos naquela terra, os quais, na versão dos agricultores jorgenses, estão na base de elevados prejuízos.

Ninguém está mais a favor de salvaguardar e proteger os investimentos legais feitos na agricultura ou em qualquer outro lado do que eu, porém, seria de muita utilidade quantificar o valor do eventual prejuízo de que são acusados os coelhos de provocar aos agricultores da ilha de São Jorge.
Verdadeiras pragas são os ratos, os estorninhos, os melros e os pardais, mas desses pouco ou nada se diz ou se faz.

Em vez de se voltar a cair no tremendo erro que se cometeu na ilha do Pico, com a autorização de verdadeiras atrocidades, que envergonham qualquer região que se deseja desenvolvida, contrárias a toda a lógica de bem gerir, que desta vez se faça por dissipar qualquer dúvida sobre a real natureza desta solicitação e que haja o bom senso de promover e implantar uma verdadeira política de gestão cinegética, porque é isto que falta nos Açores e não de medidas a vulso e à vontade do freguês, que não resolvem e provocam mal-estar social.

Prova de Santo Huberto

Realizou-se em São Miguel no passado fim-de-semana de 28 de Fevereiro e 1 de Março, a primeira Prova de Santo Huberto com cão de parar sobre perdizes vermelhas tendo como Juíz o Paulo Cruz.

Os primeiros Classificados foram os seguintes :

1º lugar - Paulo Moniz com a Braco Alemã F- Maia

2º lugar - Gualter Furtado com o Epagneul Breton M- Pico

3º lugar – José Teixeira com o Epagneul Breton M –Kikas

De referir e dando cumprimento à nova Lei das Armas os concorrentes foram fiscalizados por uma brigada da PSP que verificou as condições de transporte das armas (caixas e bolsas), o cadeado, toda a documentação(livrete, uso e porte de arma, etc), e o respectivo seguro, enquanto dois guardas florestais no uso das competências respectivas fiscalizaram a carta de caçador, a licença de caça, o chip do cão e licença de caça do mesmo.

Registe-se a boa cooperação entre as duas entidades. Acresce que tudo está encaminhado para que este ano o apuramento da representação dos Açores na final Nacional e à semelhança de todo o País seja realizada a partir de uma prova e organização conjunta da FENCAÇA e da CNCP, que são as duas entidades de cúpula dos Caçadores Portugueses.

*texto e 1ª foto da autoria de Gualter Furtado
2ª foto da autoria de José Carlos

quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Uma Caçada Diferente

A Motivação

A caça para mim hoje são os cães de caça, o meio ambiente, as caminhadas, as espécies cinegéticas, as armas, os cartuchos, os amigos, a gastronomia e de preferência a cinegética e a cultura ligada à caça.
Em síntese caçar não é só “puxar o gatilho“, e foi nesta filosofia de vida ligada ao mundo da caça, que numa recente visita a Paris decidi fazer uma caçada diferente, sem arma nem cartuchos, optando por uma visita a um Museu de Caça e da Natureza, um almoço num Restaurante típico de Paris e a conselho do amigo Guy de Brée e uma visita a uma Espingardaria de armas de ocasião (segunda mão).
Antes de entrar propriamente no tema desta crónica não resisto em contar muito resumidamente como conheci o Guy. Um dia desafiei o Manel França para ir caçar comigo aos coelhos na Ilha das Flores e na companhia do Olivio da Terceira e do Cremilde do Pico e com os nossos cães (a Diana, o Leãozinho, o Piloto, o Charuto e o cruzado de Setter Inglês de nome Barbeiro), diga-se de passagem que estes eram apenas uma selecção dos cães que temos, já que transportar cães inter-Ilhas custa uma fortuna, de forma que para obviar este constrangimento escolhemos a máxima eficiência com o menor peso.
O Manel respondeu-me que nos acompanhava com muito gosto nesta caçada nas Flores, mas a arma que ia levar era uma máquina fotográfica, e em contrapartida pediu-me para se fazer acompanhar de um caçador de nome Guy de Brée, a minha resposta e de imediato foi, venha lá este amigo. Entretanto, o Manel alertou-me para planificarmos bem estas datas, já que o Guy fazia questão de ir para e vir das Flores de barco, ao que eu respondi que mesmo em finais de Julho era complicado e barcos com ligação aos Açores com partida do Continente só porta contentores e petroleiros, resposta do Manel, ele desenrasca-se. E assim foi, o Guy lá se fez ao mar em Leixões num navio de transporte de mercadorias. Foram quase 30 dias vinda e volta, já que o barco teve de parar em várias Ilhas para fazer as descargas e as cargas, e não nos esqueçamos que as Flores é a fronteira a Ocidente da Europa.
A tripulação deste navio da Transinsular foi extraordinária com o Guy, com o Imediato e o Comandante a dispensarem-lhe um tratamento excelente e a todos os níveis, mais do que compensando a dureza da viagem. Chegado às Flores o amigo Guy fez questão de cobrar apenas 3 coelhos com a sua calibre 20 e por sinal bem atirados, e depois arrumou a arma e o resto do tempo foi para saborear a gastronomia local e apreciar as paisagens deslumbrantes da Ilha. Que contraste com aqueles matadores que ainda hoje se deslocam às Flores só para fazer números e armazenar carne.
Aqui está a explicação porque decidi seguir os conselhos do Guy na minha “caçada” em Paris, até porque ele fala com um entusiasmo de França e de Paris como eu falo da Ilha do Pico, da Terceira ou de Santa Maria.
Mas voltemos a Paris, Paris é uma cidade grande em tudo, plana, bem desenhada, com as ruas bem assinaladas, e portanto muito fácil para andar a pé (cuidado com os condutores e as passagens nas passadeiras) e localizar objectivos.
Assim, estava facilitada mais uma regra fundamental do tipo de caça que gosto de praticar hoje e que se traduz em “caminhar Kms e correr nem 1 metro”. Não é pois de estranhar que logo no primeiro dia em Paris tenha andado a pé aproximadamente 30 Kms.
Acresce que durante o percurso e em todos os recantos onde existiam árvores, água e relva lá tínhamos uma grande variedade de aves e algumas delas parentes de espécies cinegéticas como era o caso dos pombos torcazes da Bastilha ou dos patos reais junto à Torre Eiffel.

Vamos ao Museu

Museu da Caça e da Natureza
62, Rue des Archives - 75003 Paris
www.chassenature.org
Preço do bilhete: 6 euros
Permitido tirar fotos sem flash
Está aberto de Terça a Domingo

O Museu é constituído por duas Exposições, uma permanente e outra temporária.
A permanente tem 15 salas com temas diferenciados, com destaque para as salas do javali, do veado, do lobo, dos cães, dos cavalos, da falcoaria, das aves, dos troféus, das amostras e chamarizes, das pinturas com motivos de caça, das armas, das louças, dos trajes e dos móveis também com motivos de caça. De referir que na mudança de uma sala para outra somos contemplados com situações extraordinárias como a da raposa a dormir toda enrolada numa cadeira. Quanto à exposição temporária a que tive a oportunidade de visitar era dedicada a duas caçadas ao javali, uma no palanque e a outra de aproximação e no meio de uma tempestade. O realismo era tal que eu tive a sensação de ser o protagonista daquelas caçadas.
Este Museu está intimamente ligado à personalidade de François Sommer e Jaqueline Sommer que foram os fundadores e mecenas deste Museu. São considerados em França como os pioneiros da defesa da fauna e da natureza e da tomada de medidas que regulamentassem o exercício da caça para lhe conferir uma base de sustentabilidade. François Sommer (1904-1973) inspirou o Presidente da Republica Francesa Georges Pompidou na criação do primeiro Ministério do Ambiente em França.
Vale a pena pois visitar este Museu e verificar como é actual e fundamental a sua filosofia de propostas para a defesa da Caça e da Natureza, já que com águas poluídas, matas devastadas, terrenos e pastagens com cargas excessivas de pesticidas e adubos não temos Natureza nem Caça. A este propósito recomendo a compra no museu de uma reprodução do Livro de Caça de Gaston Phébus (apenas 15 euros), escrito à V Séculos, e no qual se pode ler e ver que “a caça é uma actividade tão antiga como a humanidade... e uma fonte de inspiração para as artes e para as letras”.

O Almoço e a Espingardaria

De seguida rumo à Rue de Grenelle (muito próximo dos “Inválidos” onde estão os restos mortais de Napoleão) para almoçar no Restaurante mais antigo de Paris “A La Petite Chaise”, especialmente recomendado pelo Guy e que remonta a 1680.
É um pequeno Restaurante frequentado no passado e no presente por artistas, escritores, caçadores e políticos como François Mitterand que fez deste estabelecimento o seu Quartel General.
Ainda hoje na entrada do Restaurante temos um espelho que ostenta uma pequena cadeira e que é o símbolo e deu o nome ao Restaurante, e que resta da casa original que se estima tenha sido construída em 1610. A comida é de grande qualidade e com destaque para uma fabulosa sopa de cebola com pão e queijo e que é um dos pratos típicos de Paris. O preço não é barato mas também não é exagerado e dias não são dias e depois temos sempre a alternativa de cortar noutras despesas, é tudo uma questão de escolhas e bom senso. Mas valeu a pena.
Terminado o almoço rumo à Espingardaria de armas de ocasião (usadas) do Senhor Gilbert Laurent e que fica na mesma Rue de Grenelle. O Laurent é mesmo um Senhor que sabe receber bem. A Espingardaria não é muito grande mas está recheada de armas de caça com bom aspecto e de boas marcas. Mas o que mais me impressionou foram os preços muito acessíveis. Evidentemente que a minha idade e principalmente a nova Lei das Armas é um travão à aquisição de novas armas de caça, pelo que me fiquei pela agradável conversa com o Sr Laurent e nunca se sabe se algum dia não volte lá, já que aquelas Merkel , Saint Etienne e Darnes são mesmo de encher a vista.

E assim se cumpriu mais uma jornada com "Uma Caçada Diferente"

Gualter Furtado

Paris, Fevereiro de 2009

*texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

No Fio da Navalha

Faz parte do equipamento de qualquer caçador e desempenha uma função de primordial importância, embora, por vezes, seja relegada para segundo plano, a faca é um utensílio e uma presença imprescindível nas jornadas de caça.

As que constam na foto, estão em casa há algumas décadas:

-A primeira é brasileira e, que me lembre, nunca teve grande utilidade, sobretudo devido à qualidade da lâmina e à resistência do material que nunca nos convenceu. Também desconheço como veio aqui parar, certo é que cá existe;
-A segunda é nacional e ronda os 40 anos. De construção sólida foi, por isso, muito fiável e de uso seguro, que não esconde o esforço a que esteve sujeita, mas agora encontra-se em fase de repouso, numa justa reforma;
-O canivete comprei-o em 1994, sendo o mais recente do lote e o que, destas, ainda me acompanha nalgumas jornadas, por ser leve e servir perfeitamente para o fim a que se destina.

Aquando da aquisição de uma faca para a actividade venatória convém termos a consciência de que estamos a adquirir uma ferramenta de trabalho e que, apesar de poder ficar muito bem à cintura, a escolha poderá não ser a mais indicada, pelo que seja necessário identificar o fim a que se destina antes de a adquirir, pois uma própria para segurar ou rematar um animal ferido já não poderá ser a mais propícia para esfolar e o mesmo se passa com a lâmina, pois se a intenção é mantê-la permanentemente afiada convém que não seja em carbono ou num aço muito duro, por dificultar a amolação.

Há modelos muito bonitos, de grande qualidade, em metais cujas ligas e métodos de transformação apenas são conhecidos por quem as junta, com lâminas feitas a primor, cabos em marfim e madeiras exóticas, artísticamente esculpidas, mas que custam alguns milhares de euros e encontram-se noutro patamar sem, no entanto, perderem as qualidades de uma verdadeira arma de caça.

A faca, nos seus diversos modelos e múltiplas funcionalidades, é um auxiliar importante e muitas vezes determinante para o bom sucesso da jornada, cuja natureza e objectivos não devem ser desprezados.

terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

X Montaria ao Javali de Mós do Douro 07FEV09

Organização:
- Associação de Caçadores das Encostas do Douro
Local:
- Zona de Caça Associativa de Mós do Douro
Director da Montaria:
- Gualter Furtado


Nº de Postos: 110
Nº de Matilhas: 15
Nº de Tiros: 100 (valor aproximado )
Nº de Javalis Cobrados: 16 (dezasseis)

Dia magnífico ,mancha localizada junto ao Douro numa paisagem deslumbrante ,com vinhas , oliveiras , amendoeiras em flor ,etc,. Organização bem preparada e sublinhe-se o facto de estarmos em presença de caçadores jovens como os Engenheiros Agrícolas Ricardo Carvalho e o Rui e uma vasta equipe de participantes locais e todos eles "amadores".
Um excelente almoço com uma sopa à lavrador e uns rojões de comer e chorar por mais .
Mós do Douro está de parabéns.

Depois de bem almoçados procedeu-se ao leilão dos javalis com a receita a reverter para a Organização e como contributo para fazer face a parte das despesas. E aqui começou um outro momento alto da montaria com o meu amigo Cremilde Marques , que se deslocou comigo dos Açores de propósito para participarmos nesta montaria e no Domingo encerrarmos a época de caça aos tordos em Trás os Montes na Quinta do Barracão da Vilariça . Quando o Cremilde (o Barbas do Pico) começou o leilão os caçadores e habitantes da terra ficaram impressionados com a sua capacidade de mobilizar os presentes e fazer subir o preço dos porcos de tal forma que já o queriam contratar para ir fazer os leilões em montarias no Minho e no Centro do País.

Ficámos satisfeitos por darmos uma ajuda à Organização que bem merecia , e por outro lado ,cumprímos com um dos Objectivos que prosseguimos quando vamos a estas caçadas que é valorizar a componente social e honrar o nome dos Açores.

Como notas à margem sublinho a presença de Monteiras e de Matilheiras que muito valorizaram a montaria , a forma superior como nos receberam e a prova dos excelentes vinhos do Douro em casa do Senhor Luis Polido .

Finalmente registo a honra com que aceitei o convite do Dr Antonio Graça para ser o Director da Montaria e sublinho que durante a oração recordamos o nosso companheiro recentemente falecido João Brito Fontes (Grande Monteiro).
Aqui fica a minha homenagem às Gentes das encostas do Douro que à custa de muito trabalho transformaram uma encosta bela mas muito dura e difícil de trabalhar num produto sem paralelo que são os vinhos do Douro e do Porto.


No Domingo a história foi outra , com poucos tordos mas muita alegria e um aproveitamento máximo das especiarias da Região ( Alheiras , azeite , pão no forno de lenha , queijos, etc ).



Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado

quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

Manutenção da Espingarda de Caça

Após uma jornada de caça, além do resguardo e alimentação dos cães, do amanho das peças abatidas, o caçador deve também preocupar-se em realizar uma cuidada limpeza e manutenção da sua espingarda.

Geralmente, a maior parte de nós, quando chega a casa cansada, sequiosa e com fome, a primeira coisa que faz é colocar os cães no canil, depositar a caça num canto e encostar o "ferro".
As peças ficam assim para serem limpas durante o serão, e, a espingarda à espera da próxima jornada.

Cuidar da limpeza e manutenção da espingarda de caça é uma tarefa de primordial importância, tanto para a segurança do portador, como para o bom funcionamento da mesma. No entanto o tema passa algo desapercebido e muitas das vezes é mesmo descurado.
Não há nada pior do que fazer uso de uma arma que apresenta um comportamento defeituoso e instável em virtude de uma má manutenção.

Uma espingarda de caça, daquelas que usámos na caça menor, é composta essencialmente por dois tipos de material. São eles o aço e a madeira.
A chapa de coice ou calço da coronha, varia entre a madeira, nas mais nobres, no plástico, na borracha e nos seus derivados, na generalidade das restantes.
Há também um conjunto de peças móveis, em aço, quer no interior da báscula, no sistema de gatilho, no fuste e na entrada dos canos.

No final da jornada:

Devem ser realizados todos os procedimentos de segurança para evitar algum disparo acidental; proceder-se à limpeza exterior da arma, através de um pano limpo, a qual visa remover a maior parte da sugidade, nomeadamente os pós, terra, lama, salpicos de sangue, gordura e suor das mãos, bem como a humidade, no caso de ter apanhado uma molha. Em acto seguido: desmontar a arma; bloquear o gatilho e deposita-la no seu estojo.
De referir que uma simples gotícula de sangue é suficiente para danificar a protecção dos metais e criar um ponto de ferrugem.

Em casa, na mesma data:

Canos

- Retirar os canos e fazer várias passagens pelo seu interior (câmara de detonação, almas, "chokes") com um pano ou escova de pêlo para retirar os vestígios de pólvora e chumbo que possam estar soltos e facilmente removíveis;
- De seguida pulveriza-los com WD40 para fazer o mesmo procedimento, mas desta vez já com um escovilhão de aço. Não esquecer que devem insistir na zona da câmara, na boca dos canos ou nas proximidades dos "chokes", se esta tiver choques intermutáveis, que deverão estar montados e devidamente instalados, para não danificar a rosca;
- Feito isto, passar um pano até que saia completamente limpo. Aqui, há quem o faça com água quente e sabão ou com gasóleo;
Colocam água quente com sabão ou apenas gasóleo num contentor e lavam os canos desta maneira. Como a vareta faz um efeito de sucção através do seu movimento, provoca a renovação constante do líquido e uma limpeza bem eficaz;
- Assim que os canos estão limpos e apresentam o aço brilhante, sem qualquer réstia de pólvora e chumbo, pulveriza-los com WD40;
- Limpar e secar muito bem o WD40, tanto o que se encontra no exterior dos canos como no seu interior;
- Deitar umas gotas de óleo fino, daquele que se usa para olear as máquinas de costura, por exemplo "Singer", num pano limpo e deixar um película de pouca espessura no interior e pincelar o exterior com o mesmo óleo.

Quanto aos choques amovíveis, depois de limpos os canos, devem ser removidos e continuada a sua operação de limpeza, sem esquecer a rosca existente nos canos. Finalizada esta acção, deverão os mesmos ser recolocados, depois de lubrificados, no seu local original, mas não totalmente apertados.
A fita, por sua vez, requer uma atenção redobrada e se for "ventilada", mais ainda, porque é um local propício ao alojamento de todo o tipo de detritos. O mesmo cuidado requerem os canos se também forem "ventilados".
Existem óleos próprios para este tipo de operação, vendidos nas espingardarias, mas sempre utilizei o "Singer". Fica ao critério do leitor a escolha, mas não aconselho o uso daqueles que servem exclusivamente para remover mais facilmente as manchas de chumbo, porque são extremamente abrasivos.
Poderão encontrar nos armeiros estojos de limpeza bastante completos e sugiro a adição ao conjunto de um pincél e de uma escova de dentes.
O WD40 não serve para lubrificar, embora seja um excelente auxiliar na limpeza, pelo que nunca deve ser utilizado como lubrificante.

Fuste

- Limpar muito bem o fuste de modo a que todas as suas partes móveis fiquem sem mácula;
- Colocar umas gotas de óleo nas molas e nas partes metálicas articuladas.

Báscula

- Com um pano limpo, esfregar e limpar muito bem toda a superfície da báscula para que fique imaculada;
- Cuidar para que todos os orifícios, nomeadamente dos trincos, percutores, gatilho, alavanca de abrir, patilha de segurança e patilha selectora fiquem livres de quaisquer resíduos;
- pincelar toda a superfície com um óleo fino;
- colocar umas gotas desse óleo em todas as partes móveis, de tempos a tempos, sem exageros.

Não aconselho ninguém, a não ser que tenham recebido formação adequada, a desmontar as platinas.
Esta operação deve ser realizada por um técnico especializado, sempre que disso haja necessidade.

Madeira da Coronha, Fuste e Calço da Coronha

- Devem ser muito bem secas com um pano e o recartilhado muito bem limpo através de uma escova;
- Poderão passar uma película de óleo muito fina, do mesmo que mencionei acima, mas não convém exgerar na quantidade;
- É muito importante que estejam sempre bem secas quando se faz essa operação, ou então não se faz.

Semi-automáticas

Este tipo de mecanismo requer uma manutenção e limpeza mais extensa, nomeadamente em relação à mola recuperadora, à limpeza do pistão e da válvula de escape.
Enquanto não é necessária a sua substituição a mola deve estar bem limpa e encontrar-se devidamente lubrificada, como o pistão. Por sua vez a válvula exige que os seus orifícios se encontrem desimpedidos, pelo que também devem ser alvo de uma limpeza e lubrificação constantes.

Conclusão

Finalizadas todas as operações supramencionadas, a espingarda de caça está pronta para ser novamente montada e aguardar o surgimento de uma nova jornada.
Convém salientar que, no momento em que é guardada, o óleo não deve escorrer em momento algum, pelo que deve haver cuidado na colocação da película final, para que cubra toda a superfície, mas na quantidade suficiente para tal e só.
Aconselho guardarem a espingarda desmontada em caixa própria, mas se o fizerem montada e na vertical, devem cuidar para que o óleo não escorra e que vá introduzir-se, p.e., nos orifícios dos percutores ou ir alojar-se noutro local.
Nas operações de limpeza devem usar-se sempre panos limpos e para a protecção das mãos um par de luvas.
Mesmo limpa e devidamente guardada, devemos manter-nos atentos em relação ao aparecimento de manchas e surgimento de pontos de ferrugem, pelo que convém renovar a película de óleo de tempos a tempos.
Quanto maior for o indíce de humidade relativa do ar, como acontece nesta região insular, mais atento deve estar o responsável pela sua conservação, pelo que é preferível manter este tipo de equipamento numa divisão da casa bem seca e sujeita à presença de um desumificador.

Como caçadores e portadores de armas de fogo, devemos preocupar-nos por manter limpas e funcionais as espingardas, seja por uma questão de desempenho, por segurança e para a longevidade dos materiais, mas sobretudo pelo respeito que tais artigos nos devem merecer.
Cuidar da limpeza de uma arma é uma prática inteligente e de fácil execução que muito nos pode dizer sobre a personalidade e responsabilidade de um caçador.

domingo, 25 de Janeiro de 2009

Observação de Aves

"Os Açores não sendo ricos na diversividade de Aves tem uma densidade muito boa que aliada às aves de arribação e as que procuram refúgio no Arquipélago no seguimento de fenómenos de dispersão em relação às suas rotas de emigração e que ocorrem no período dos temporais ,fazem dos Açores uma Região extraordinária para a observação de Aves .

A SPEA e o Centro de Estudo e Apoio ao Desenvolvimento do Priolo (ave originária e que só existe na Ilha de São Miguel) no dia 24 de Janeiro realizaram um passeio à lagoa das Sete Cidades ( paisagem única no Mundo e que urge perservar a todo o custo)e aos Mosteiros para observarmos aves que nos visitam ou se reproduzem nos Açores .

Tendo por cenário uma paisagem deslumbrante foi possível observar diversas espécies de patos como a Frisada ,Arrábio , Pato-escuro Americano, Colhereiro e outas aves como a Garça-real, Galeirões, Galinhas de àgua e a rola do mar.



Esta actividade é muito procurada e praticada por cidadãos dos Países Desenvolvidos e de pessoas com uma consciência civíca desenvolvida."



Gualter Furtado

Texto e fotos da autoria de Gualter Furtado, sobre a observação de aves no arquipélago dos Açores.

quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Dos Cães e de donos

Um bidão de 200 litros, deitado, velho, castanho da ferrujem e da terra que o cobria, esburacado, a desfazer-se, ao qual havia sido retirado o tampo, para que, dali, se pudesse fazer alguma coisa parecida com uma porta para o pobre cachorro entrar e sair, também ele castanho, da cor da lama...

Ainda há quem os mantenha assim, sem dignidade, desconhecendo que merecem, pelo menos, uma casota de madeira, impermeável e de tamanho suficiente, onde possam encontrar refugio e fazer o seu ninho;
Ainda há quem os prive de comida, de água fresca e de liberdade;
São grandes, médios, pequenos, de orelhas afitadas, descaídas, de uma só para cima, de várias cores e feitios, de bom sangue, de raça e sem raça nenhuma, e, ainda há quem desconheça tudo isto.

Pobre do cachorro que lhe calhe um dono destes na rifa!

Encontra-mo-nos numa estação de dias frios, ventosos e de chuva.
Não custa nada proporcionar ao nosso cão um abrigo seguro e confortável, bem como a quantidade diária de comida.
Esqueçam os bidões de chapa que são frios e húmidos de Inverno, quentes e sufocantes no Verão e façam por colocar um estrado de madeira no interior da casota para que não entrem em contacto com o chão frio e molhado quando repousam.

A altura da alimentação é uma excelente oportunidade para brincar com eles, passar algum tempo, reafirmar os laços de amizade.
Mantenham um vestuário de parte para esse fim, para que possam toca-los e deixarem-se tocar sem receio de sujar ou de rasgar a roupa, porque os cães gostam de correr, de saltar, de mordiscar, de lamber, mas sobretudo de atenção.
Experimentem falar com os vossos cães, como falam normalmente, e não se surpreendam se ele vos tentar responder.

Um cão não é só para o dia da caça, nem possui um interruptor que o liga e desliga.
Trata-se sim, de uma autêntica e surpreendente força da natureza, tenha o caro leitor pernas para o acompanhar e a sensibilidade para o respeitar.

sábado, 17 de Janeiro de 2009

Qualidade ou Quantidade

É certo que o edital de caça impõe um limite de peças a cobrar, mas infelizmente há sempre algum pateta ignorante que o desrespeita por puro egoísmo ou por outras razões menores e insignificantes.

Fará sentido, nos dias de hoje, julgar o sucesso de uma jornada pela quantidade de peças cobradas?
Há idiotas que acreditam que sim, que a classificação do resultado de uma jornada é achado em função do que mataram e que quanto maior for esse número, melhores caçadores serão!

A realidade cinegética que vivemos em Santa Maria, exige-nos que sejamos comedidos nas capturas e inteligentes para encontrar uma saída do marasmo em que nos encontramos.

O que devemos retirar de uma jornada de caça é óbviamente o produto do nosso esforço, mas também o trabalho dos nossos cães, o lance que vivemos.
Quantas vezes não recordámos só esta parte em detrimento da caça que foi abatida?
Lembrá-mo-nos de um belo tiro, da façanha de um cão, mas e quantas vezes não acabámos por esquecer a quantidade em favorecimento do coelho que nos proporcionou "aquele momento"?

Pergunto-vos se existe necessidade de matar todos os coelhos e mais alguns sempre que existe essa possibilidade, infrigir a lei para ultrapassar a conta, inclusivé?
Ninguém gosta mais de saborear um bom coelho do que eu, mas convenhamos e tenhamos bom senso!

segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Aves Observadas

As aves que seguem abaixo foram avistadas, ontem, no decurso da tarde, na costa norte e noroeste desta ilha de Santa Maria, nas seguintes densidades:




1.ª foto: 20
2.ª foto: 60
3.ª foto: 01
4.ª foto: 30
5.ª foto: 02





sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Aves Observadas

As fotos que ilustram este texto foram conseguidas ao longo de dois dias (o final da tarde de ontem e a manhã de hoje).

Para tal percorri parte da costa sudoeste desta ilha de Santa Maria.

Infelizmente não apresentam melhor nitidez porque foram conseguidas a mais de 100 metros de distância, excepto a que retrata uma galinha de água, que esteve um pouco mais próxima.

Fica o registo da passagem destas aves por Santa Maria, excepto da galinha de água que é residente, mas muito esquiva e com uma capacidade de vôo que me surpreendeu.

As que se apresentaram em maior número foram os patos.

Observação:

Da 1.ª foto, a que faz a introdução deste artigo: 1
Da 2.ª: 2 (estas detectavam-me a cerca de 200ms de distância e faziam questão de alertar todos os que estivessem nas redondezas, como demonstra o momento captado na foto)
Da 3.ª: 2
Da 4.ª(galinha-d'água): 5
Da 5.ª (patos): 42
Da 6.ª: 8






quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

As Galinholas nos Açores

"Resultante da cooperação desde 2000 entre o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade de Porto e a Direcção Regional dos Recursos Florestais dos Açores, têm sido desenvolvidos estudos sobre as várias espécies cinegéticas do arquipélago.

Na sequência da publicação de 2004, em 2008 foram publicados os resultados dos trabalhos desenvolvidos, em particular no Pico e São Miguel em 2007, relativos às galinholas. As outras espécies-alvo são o coelho bravo, a codorniz, a perdiz-cinzenta e a narceja."


Autor: Calibre 12 ( a revista do caçador português )
Texto e fotos: Portal Santo Huberto

quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Astra 89 de Canos

Ao revolver documentos antigos deparei-me com uma licença para uso e porte de arma de caça, referente à Astra, calibre 12, que possuia a particularidade de apresentar um par de canos com 89 cms de comprimento, à qual fiz menção há alguns dias.

Infelizmente essa indicação não consta das características mencionadas no quadro respectivo.

Por curiosidade, o preço desta licença no ano de 1965, foi de 45$00 (quarenta e cinco escudos) e podia ser emitida tanto pelo Comandante da Polícia de Segurança Pública da localidade, pelo comandante de secção ou pelo vice-presidente da câmara, neste caso foi pelo presidente.

terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

A razão de ser RIBEIRA SECA

Há dois anos que tenho o imenso prazer de gerir e desenvolver este blogue.

Independemente das opiniões diversas que, eventualmente, possa gerar ou suscitar há uma questão comum, frequentemente colocada.

Qual a razão de se chamar "Ribeira Seca"; porque foi que escolhi esse nome para o identificar?

Certo é que corre uma ribeira com esse nome nesta ilha, no lugar de Campo Pequeno, no sentido Norte/Sul, indo desaguar no mar, na costa adjacente ao Ilhéu da Vila. Todos sabemos o quão previligiada é essa zona em densidade de caça, mas a razão de ter escolhido tal designação para o blogue também é mais uma.

Sir Thomas More, um inglês do séc. XVI, escreveu uma obra a que chamou "Utopia".
Num jogo de palavras inteligente, descreve aquela que seria a sociedade ideal, caracterizada pela liberdade, respeito, partilha, bom senso.
De salientar que criou "utopia" a partir de duas palavras gregas que significam lugar inexistente.
A sua história é-nos contada por um português, Rafael Hitlodeu de seu nome, que a conheceu numa das suas muitas viagens. A palavra "hitlodeu" também tem a sua origem no grego que significa palavras ocas ou sem sentido.
Trata-se da história de um lugar que não existe, cujo conteúdo cabe a cada leitor, no seu íntimo, avaliar a importância!

Passados quinhentos anos, na aurora do séc. XXI, continuamos a sonhar com uma sociedade mais livre, fraterna e igual.
Tanta falta que ainda fazem o respeito e o bom senso na actividade venatória!

Acresce dizer que possuia um rio, de nome Anidro que, tal como os nomes anteriores, advém da junção de duas palavras gregas e significa que não contém água.
Um rio sem água tal e qual uma Ribeira Seca que pretende proporcionar um lugar aprazível num deserto de idéias e de acções.

sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Pombo-Torcaz

Cada vez torna-se mais difícil de avista-lo em Santa Maria, trata-se de uma ave que me maravilha toda a vez que tenho a sorte de a ver voar.

Não é todos os dias que temos a possibilidade de encontrar o Pombo-Torcaz (Columba palumbus), mas esta manhã tive um desses momentos.

Por sorte vi-o planar num vôo majestoso, bem à minha frente, a cerca de 15 metros. Fiquei estupefacto, pois esta ave seduz-me devido ao seu tamanho, bem maior do que o pombo-da-rocha ou doméstico, e às riscas bem delineadas e características que ostenta nas asas.
Foi pousar uns metros mais à frente e aproveitei para ir buscar a máquina e tirar as fotografias que ilustram este texto.

Representa uma ave cada vez mais rara nesta ilha.
Embora não existam quaisquer dados científicos, estimo que a sua densidade não ultrapasse as poucas dezenas.
Pela mesma altura, no ano passado, eram duas destas que sobrevoavam estas bandas.

Espero que não acabem por desaparecer tal como sucedeu a uma ave de rapina, semelhante ao nosso milhafre, mas um pouco maior e de cabeça branca, na primeira desratização com veneno, que se realizou nesta ilha, há cerca de 20 anos atrás.

quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Fecho de 2008

Numa altura em que se reorganiza o espaço, fecham-se e arquivam-se pastas, abrem-se outras, enfim prepara-se caminho para mais 12 meses, que se desejam produtivos, é perfeitamente lógico aplicar um comportamento semelhante à caça, embora nesta o período temporal se distribua por épocas, intercaladas nos anos, como este que agora termina.

A título particular não tive tantas jornadas como aquelas que desejava, situação influenciada por diversos factores.
As que vivi no corrente ano, descrevo-as honestamente como sendo umas do caçador e outras da caça, pois dias houveram melhores do que outros, aliás como considero natural.

Recordo-me certa vez de estar num local por mim muito bem trilhado e ver caça rebentar em lugares por desta nunca dantes percorridos e ainda por cima fora de tiro para meu grande desgosto e desalento dos canídeos, já desesperados com a minha azelhice.
Noutro dia, em zona quase desconhecida vi-os passar, por três vezes, a espaços de poucos minutos, um de cada vez. Os sacanas dos coelhos raspavam-se pelo mesmo sítio, lá ao longe e, mais uma vez, fora de alcance dos cartuchos de 30grs que me alimentam os canos e avivam o espírito com tamanha eficácia.
Antes que os muito dignos e nobres cães que me acompanham, me começassem a escarnecer e chamar todo o tipo de nomes, muita razão teriam para fazê-lo, lá me coloquei a modos de surpreender algum no tal espaço por onde se esgueiravam. O ardíl tanto resultou que naquela desalmada correria nem se apercebeu o que lhe acertara entregando sem mais tropelias a alma ao criador e o corpo a um daqueles guisados de comer e chorar por mais, degustado na terra e abençoado nos céus.
A receita ainda é da minha avó, que nas suas 98 primaveras recorda-se perfeitamente do preparo e tempêro dos pobres caçapos que meu avô lhe levava, fazendo uso de uma Astra de 89 cms de canos, mais ou menos justa, devido às cargas personalizadas que tragava.

Uma palavra de reconhecimento bem merecida ao excelente trabalho e companhia que os meus cães, cada um a seu modo é bem verdade e é justo que se diga, me proporcionam, tornando cada jornada, independentemente da sorte que me calha, um enorme prazer e uma renovada vontade de continuar!

Desejo que 2009 seja um ano de Paz e que a nossa caça recolha algum carinho por parte daqueles que assumiram o seu destino, que também lhes ilumine a consciência e mostre o caminho para que os enormes sacrificíos que todos estamos a fazer valham realmente a pena.

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

CAÇA - um balanço da época 2008/2009 nos Açores

Convido-vos à leitura deste artigo, da autoria de Gualter Furtado, no qual transmite a sua opinião sobre a presente época venatória no arquipélago ao mesmo tempo que nos coloca, enquanto caçadores marienses, uma importante questão.

"Pode-se dizer que esta época venatória praticamente acabou no dia 28 de Dezembro já que espécies como a Galinhola ( fechou em finais de Novembro), o coelho bravo e a codorniz ( fecharam no último domingo de Dezembro ) já não se podem caçar nos Açores com excepção do coelho para a Ilha do Pico e para a Ilha das Flores e num processo que envolve muitas dúvidas e pode mesmo por em causa a sustentabilidade de outras espécies como seja a Galinhola da Ilha Montanha , já que manter aberta a “ caça “ ao coelho no Pico todo o ano e todos os dias é uma decisão muito pouco acertada.

Nesta época venatória a Ilha Terceira voltou a destacar-se como a Ilha mais equilibrada e diversificada em matéria de disponibilidade de recursos cinegéticos , ao ponto de , caso os furtivos e os “caçadores” que não respeitam os limites fixados nos calendários venatórios fossem convenientemente controlados poder-se-ia considerar esta Ilha como um verdadeiro paraíso para a caça com ética e desportiva.

Em São Miguel e embora longe dos tempos gloriosos da caça assistiu-se a uma ligeira recuperação do coelho bravo e do efectivo de codornizes , embora à custa dos lançamentos de codornizes criadas em cativeiro , e cuja capacidade de reprodução no terreno de caça carece ainda de muito estudo e acompanhamento. Quanto às narcejas e outras aves de arribação como os patos tem sido cobrados praticamente em todas as Ilhas encerrando o período de caça às narcejas este mês de Janeiro e aos patos em Fevereiro como é o caso da Ilha Terceira , como é sabido , a disponibilidade destas espécies depende muito dos temporais e do fenómeno de dispersão.

Finalmente a pomba da rocha e com muitos cruzamentos com aves de pombal foi e é a espécie cinegética mais abundante nas Ilhas proporcionando boas caçadas e excelentes pratos de gastronomia.

Em termos de síntese pode-se dizer que esta época foi muito razoável , proporcionando momentos de convívio muito agradáveis e sempre com a caça como factor aglutinador de amizades que duram uma vida.

Espera-se que este ano de 2009 seja marcado por um continuado combate aos furtivos e que finalmente seja publicada a regulamentação da nova Lei da Caça dos Açores , e sem a qual este diploma não serve de nada .

E em Santa Maria será que o encerramento na presente Época Venatória dos Anjos , Risco , etc teve algum impacto na recuperação do coelho bravo?

Votos de Um Bom Ano Novo Cinegético

Gualter Furtado"

sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

1 de Janeiro de 2009 - Novo Período de Caça

Ao contrário do que acontece actualmente, em que é permitido caçar aos Domingos, feriados nacionais e regionais, a partir de 1 de Janeiro de 2009 só será permitido caçar no último Domingo e apenas no último Domingo de cada mês.

Dentro de poucos dias entrará em vigor o 2.º Período de caça ao Coelho e Pombo-da-Rocha, como prevê o presente edital de caça.

Assim, a partir do 1.º de Janeiro de 2009, só será permitido a caça ao Coelho e Pombo-da-Rocha no último Domingo de cada mês.

A todos os caçadores amigos, responsáveis e cumpridores, independentemente das opiniões que nos possam ou não dividir sobre a situação da caça em Santa Maria, deixo votos de boas jornadas.

terça-feira, 21 de Outubro de 2008

II Aniversário

Faz hoje dois anos que iniciei este blogue.

sábado, 18 de Outubro de 2008

Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores

"O Clube Cinegético e Cinófilo da Ilha Terceira e o seu Presidente Olívio Ourique estão já a preparar a “Confraria de Gastronomia Cinegética dos Açores”, colmatando assim uma lacuna existente na Caça nos Açores.

Esta Confraria irá materializar a confecção de pratos gastronómicos à base de espécies cinegéticas que vivem nos Açores e de arribação. Um dos outros objectivos é fazer o levantamento e a recolha deste património cinegético que se encontra disperso pelas diferentes Ilhas do arquipélago. Existem já caçadores de outras Ilhas dos Açores que estão entusiasmados com esta iniciativa que é importante para valorizar o papel do caçador, dar vida à componente social da caça e afirmar esta actividade na sua vertente cultural."

Artigo e foto, da autoria de Gualter Furtado, retirado do Santo Huberto, o Portal do Caçador.

O leitor poderá aceder ao artigo completo clicando AQUI

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Postal Para Um Amigo Ausente

Trata-se de um texto, e de uma foto, da autoria de Gualter Furtado, sobre a abertura geral na ilha de São Miguel, "enviado a um amigo Caçador que partiu para muito longe."

"Caro Amigo,

Lá se cumpriu mais uma abertura de caça na Ilha de São Miguel no Domingo dia 12 de Outubro. Mas longe do entusiasmo de outros tempos , já que a Hemorrágica, os furtivos e a gestão Oficial da Caça a tal nos obriga . Consegui fazer a conta dos Coelhos bravos , isto é , 2 coelhos por caçador ( imagina ao que chegamos) . Os meus cães de coelhos tal como eu avançam para a terceira idade a uma velocidade impressionante , mas por enquanto, o que nos falta em rapidez , felizmente que ainda nos sobra em experiência, valha-nos isto . Já me ia esquecendo , depois dos Coelhos fizemos uma bonita caçada às pombas da rocha que existem este ano em boa quantidade a que pode também não ser alheio o aumento do cultivo do milho para o Gado , já que os cereais para os humanos também já não se produzem na nossa Ilha. Um abraço, e recorda o passado já que o presente não é nada animador.

GF"

quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Fotos de Aves Migratórias

As fotos que se seguem foram obtidas no passado dia 27 de Setembro, nesta ilha de Santa Maria.










quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Lei da Caça Regulamentada

O último Conselho do Governo dos Açores aprovou finalmente e com algum atraso o Regulamento da nova Lei da Caça nos Açores e que estipula as condições em que é feito o ordenamento do território (apenas 25 % será ordenado, é muito pouco mas é o inicio de um corte com o passado).

Artigo da autoria de Gualter Furtado, publicado no Portal Santo Huberto, em 18SET08, sob o título "Açores: Nova Lei da Caça Regulamentada".
A foto utilizada, também acompanha o artigo original, e é de autoria de Carlos Pereira.

Clique no primeiro parágrafo para aceder à totalidade da notícia.

sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Não Somos Palhaços

"Associação de Caçadores de São Miguel virou costas: Governo açoriano caça sozinho"

É com esta frase que João Paz dá inicio ao artigo transcrito abaixo, publicado em 23 de Agosto de 2008, pelo Correio dos Açores,

"A Associação de Caçadores de São Miguel cumpriu o que prometeu. Não foi à reunião para a definição do calendário venatório. “Não somos palhaços...”, afirma Paulo Cruz para depois explicar: “Em três anos nunca foi tida em conta uma única das nossas propostas”. Um ano em que aumenta a caça ilegal e o mercado negro do coelho bravo.

Um “autêntico colete de forças” é como o presidente da direcção da Federação de Caçadores dos Açores, Paulo Cruz, considera o calendário venatório de São Miguel agora publicado. Um calendário que, em sua opinião, “aperta com quem está legal e favorece a caça furtiva”.
“Sabemos que se pratica todo o ano a caça ilegal, não existe fiscalização suficiente e as multas não são dissuasoras”, afirma Paulo Cruz.
A Associação de Caçadores de São Miguel fez questão em não estar presente este ano na reunião com o governo para definição do calendário venatório por as suas propostas não serem levadas em conta. “Fazem sempre o que querem. As pessoas não podem estar nos cargos muito tempo...”, afirma, a propósito, Paulo Cruz.

Aliciamento?

O presidente da direcção da Federação de Caçadores foi confrontado esta semana com um telefonema do director regional dos Recursos Florestais, José Mendes, a solicitar uma reunião para o estabelecimento de um protocolo para a concessão de um apoio de 12 mil euros. A Federação está constituída há dois anos e cinco meses. Os actuais órgãos sociais terminam o mandato em Abril do próximo ano. No início solicitaram um apoio para pagamento, principalmente, das despesas de constituição da Federação. Ao contrário do que prometera, o governo não concedeu qualquer apoio. Agora, a dois meses de eleições regionais, a direcção regional dos Recursos Florestais disponibiliza-se para conceder 12 mil euros de apoio enquadrados num plano de acção que será alvo de um protocolo, cuja proposta vai ser analisada agora pelas cinco associações de caçadores dos Açores que constituem a Federação.
Gualter Furtado, presidente da Assembleia-Geral da Federação de Caçadores dos Açores, é também um crítico do calendário venatório de São Miguel. “Enquanto a caça não for ordenada, dificilmente saímos da cepa torta. E, enquanto isso, vão proliferando os caçadores ilegais”, afirma.
O veterano da caça nos Açores diz ter conhecimento que está para conselho de governo uma proposta de diploma para estabelecer um perímetro de caça ordenada correspondente a 25% da área de caça de São Miguel. Nos outros 75% continuará a ser praticada caça em regime livre.

Caça ilegal e mercado negro

Paulo Cruz está revoltado com a prática de caça ilegal em São Miguel. Ainda esta semana recebeu uma informação, a que dá crédito, de que um caçador furtivo abateu, durante a noite e com o apoio de holofote, 80 coelhos no Salto do Cavalo.
Estes abates à margem da lei levam a crer que existe um mercado negro onde se vende, ilegalmente, coelhos bravos. “Sim, é verdade. Há caçadores furtivos que vivem só disso. Dormem de dia e caçam de noite. Com os telemóveis, tornou-se muito mais difícil fiscalizar esta caça furtiva. Eles passam a vida a rir-se de nós que temos tudo legal. Mesmo que sejam apanhados, pagam uma multa irrisória”, o que leva à conclusão de que a caça ilegal é um negócio que compensa.
“Recentemente – elucida Paulo Cruz – tive oportunidade de chamar a atenção para os prejuízos que está a causar a caça ilegal e para a necessidade de mais fiscalização. Na altura, o Sr. Secretário da Agricultura e Florestas, Dr. Noé Rodrigues, chamou-me demagogo. Fiscalizam quando é fácil fiscalizar e quando ninguém está ilegal. Por exemplo, quando estamos a caçar codornizes, surgem os fiscais a ver se temos o número certo de codornizes que podemos abater e se estão aniladas”.

O torcaz e aves de arribação

O calendário venatório para São Miguel omite a possibilidade de caçar ou não pombo torcaz, uma situação considerada “normal” por Paulo Cruz pois, como refere, ao ser considerada subespécie endémica da Região, está protegida pela directiva comunitária ‘Aves’. Logo, deixa de ser uma espécie cinegética tal como acontece com o milhafre.
O processo em redor da população de pombos torcazes dos Açores não é pacífico. Paulo Cruz constata que a grande densidade de pombos torcazes em quase todas as ilhas da Região causa prejuízos na agricultura.
Gualter Furtado vai mais longe ao considerar um “absurdo” o que se está a passar com o pombo torcaz. Diz que as Associações de Caçadores estão a aguardar há mais de 20 anos um estudo sobre a população de torcazes encomendado à Universidade dos Açores. É preciso saber quais as bases que terão levado à consideração de espécie endémica. Nunca se soube nada dos resultados. Tenho dúvidas de que o estudo exista”, completa o veterano entre os caçadores açorianos.
É também incompreensível que o calendário venatório limite a três por domingo o número de narcejas e patos a abater na ilha de São Miguel. “Tratam-se de aves de arribação. Não são aves endémicas. Passam ocasionalmente nos Açores. A restrição governativa não faz sentido nenhum”, refere Paulo Cruz

Restrições e proibições

O calendário venatório iniciou-se no primeiro dia de Julho e termina a 30 de Junho do próximo ano. É permitida a caça ao coelho entre o segundo domingo de Outubro e o primeiro domingo de Dezembro e apenas aos domingos. Cada caçador só pode caçar dois coelhos por dia. Nos grupos com cinco a oito caçadores, pode-se abater 10 coelhos por dia e por grupo.
É proibida a caça de coelho com o uso de furão e não podem ser utilizados instrumentos cortantes (foices, sachos e afins) para a abertura de veredas de passagem.
A caça à cordoniz tem como limite temporal os quatro domingos do mês de Dezembro. Só pode ser abatida entre as nove e o meio-dia, pelo processo de “caça de salto” com o limite máximo de cinco peças por domingo e por caçador. Em termos legais, cada caçador só poderá abater até 20 codornizes por ano.
A caça ao pombo-da-rocha é permitida entre o segundo domingo de Outubro e o último domingo de Janeiro de 2009. A caça desta espécie é autorizada aos domingos pelos processos de casa de “salto” e de “espera” até Às 15 horas, com o limite máximo de dez peças por dia e por caçador.
É proibida a caça ao pombo-da-rocha com utilização de barco e nos locais de nidificação da espécie, nomeadamente junto às barrocas do mar.
A caça à narceja é permitida ao domingo, pelo processo de “caça de salto” entre o segundo domingo de Outubro e o primeiro domingo de Janeiro até Às 15 horas e com o limite máximo de três peças por dia e por caçador.
A caça ao pato é permitida aos domingos, entre o segundo domingo de Outubro e o último domingo de Janeiro, pelo processo de “caça de salto” e de “espera” até às 15 horas.
É proibida a caça com espingarda, nas zonas de protecção à codorniz e na zona de protecção à galinhola.

Uso de cães

Durante a época venatória é permitido dar uso aos cães de caça de espécies cinegéticas de pêlo, nomeadamente os cães utilizados na caça ao coelho (Podengos), sem utilização de armas de fogo, apenas no último Domingo de cada mês, entre as nove horas e o meio-dia, na zona compreendida entre a Estrada Regional N.º 1 – 1.ª e as barrocas do mar, em redor de toda a ilha de S. Miguel. Cada caçador ou grupo, não pode utilizar mais do que 12 cães, com tolerância de mais 2 cachorros com menos de um ano. No uso aos cães, cada grupo não poderá ser constituído por mais do que 3 pessoas, devendo cada um dos proprietários dos cães ser portador da respectiva Carta de Caçador e Licença dos cães.
É proibida a exibição de qualquer peça de caça, no exterior das viaturas ou atrelados utilizados para o transporte dos cães.
É permitido dar uso aos cães de caça de espécies cinegéticas de pena, identificados como cães de parar, durante toda a época venatória, salvo nos meses de Março a Setembro, em que o treino dos cães apenas é permitido aos Sábados, Domingos, Feriados Nacionais e Regionais, nos terrenos cujas culturas assim o permitam, à excepção das zonas assinaladas para protecção à codorniz, da zona de protecção à galinhola e nas zonas de sementeira assinaladas, no âmbito da recuperação do habitat da codorniz.
É proibido dar uso aos cães de parar nos terrenos onde tenha decorrido qualquer tipo de prova de caça, com lançamento de espécies cinegéticas criadas em cativeiro, pelo período de uma semana, a contar da data de realização da prova. A informação sobre os locais e datas de realização das provas de caça estará disponível nos serviços florestais da ilha de S. Miguel."

quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Os Furtivos

O texto que se segue foi-me enviado por mail e aborda, sem complexos, a necessidade dos caçadores chamarem, a si, e quanto antes, a gestão das zonas de caça, pelo que vos convido a uma leitura atenta.

"Prometi a mim mesmo nos próximos tempos não voltar a falar nem escrever sobre a matança de coelhos bravos feita pelos clandestinos e furtivos . Mas face à tomada de posições das Associações de Caçadores do Pico , da Terceira , de São Miguel e também de alguns caçadores Marienses que se preocupam com a defesa da caça e da sua sustentabilidade resolvi voltar ainda que levemente ao assunto.Convinhamos que este problema dos furtivos e negociantes de carne de coelho bravo é recorrente e quanto a mim não tem solução enquanto os caçadores não forem uma parte activa na resolução do problema , isto é, não se unirem em torno das suas Associações de Caçadores e não avançarem para o Ordenamento da Caça. A reaccionária, velha e caduca ideia de que a Caça Ordenada e as Reservas e as Associativas só " servem para os ricos " e a prevalecer nos Açores a prazo só pode conduzir ao aumento dos furtivos e à redução progressiva das espécies cinegéticas e principalmente do coelho bravo.
Sem uma cumplicidade activa entre Governo, Agricultores e Caçadores, dificilmente temos caça.

Por conseguinte, caros confrades Caçadores, enquanto não for aprovada e publicada a regulamentação da nova Lei da Caça ( e que prevê apenas 25 % para território ordenado nos Açores-muito pouco)e os Caçadores organizadamente com este instrumento legal não avançarem para a caça ordenada, vamos continuar a lamentar-nos dos furtivos, do governo , etc, e continuaremos a assistir à delapidação do nosso património Cinegético.

G Furtado"

São Mais de Metade

"Em vésperas da abertura do calendário venatório, a 24 de Agosto, os caçadores defendem a valorização de uma modalidade que poderá ser uma aposta para o turismo na ilha Terceira.

A Associação Terceirense de Caçadores queixa-se de uma lei pouco severa e da falta de apoio governamental para formar e investir na caça.

Coelho, codorniz e galinhola são os animais de caça mais prejudicados pelos caçadores furtivos que abatem aquelas espécies fora da época venatória. Em conversa com o nosso jornal, o presidente da Associação Terceirense de Caçadores (ATC) alerta para a necessidade “urgente” da regulamentação da nova lei regional da caça.

“Actualmente a lei não considera crime abater animais de caça fora de tempo, apenas é contra-ordenação”, revela João Vicente. E continua: “As multas acabam por ser baratas e compensatórias, pois com 100 coelhos caçados fica tudo pago”.

A opinião é partilhada por Eduardo Leal Luís, presidente do Clube de Caça das Fontinhas (CCF), acrescentando que os caçadores “não se respeitam uns aos outros”.

“O caçador que está a caçar coelho, por exemplo, não deve abater tudo o que lhe aparece à frente. Uma espécie pode estar dentro da época mas a outra não”, explica.

Questionados sobre o eventual número de caçadores furtivos na ilha Terceira, ambos responderam prontamente que “são mais de metade”. A qualidade do coelho bravo e por conseguinte a sua procura para consumo e venda são os principais motivadores.

“A sorte é ser abundante na ilha devido às características vulcânicas e vegetação da Terceira. Noutras ilhas com pouca quantidade, como São Miguel ou Pico, o coelho já teria desaparecido”, considera o responsável pela ATC.

Em termos de atracção turística a caça constituiria uma “aposta” nos Açores. João Vicente acredita que no caso da ilha Terceira a abundância do coelho bravo, a nova lei regulamentada e o apoio do Governo Regional formariam as garantias necessárias para investimento no sector.

“O nosso coelho é muito conhecido no continente e isso motiva os caçadores a viajarem até à ilha. Hoje com os custos das passagens e das estadias, as associações não têm possibilidades financeiras para apoiar a vinda de caçadores aos Açores”, conclui João Vicente."

Artigo publicado n´A União, de Quarta-Feira, dia 20 de Agosto de 2008, em Actualidade.


NOTAS


- A caça furtiva é uma realidade mais do que evidente nesta região, não é só característica de uma ou outra ilha em particular.

- Continuamos a desconhecer a razão da discrepância existente no tratamento do furtivo, visto que no continente é crime e neste arquipélago não passa de uma simples contra-ordenação.

- A caça pode muito bem ser um factor de desenvolvimento local e regional importante, mas apresenta-la como quem tira um coelho da cartola, sem um plano devidamente estruturado, em que a exploração racional deste recurso seja o culminar de um esforço crescente e gradual na organização dos terrenos, desenvolvimento de habitats e da biodiversidade que interessa salvaguardar, não fará melhor do que o pior dos furtivos!

sábado, 23 de Agosto de 2008

Borrelho-de-Coleira-Interrompida

Fotos de 1 adulto e de de algumas crias de Borrelho-de-coleira-interrompida, Charadrius alexandrinus, anilhados na última viagem de Carlos Pereira à ilha Terceira, no final do mês passado.
Trata-se de uma das três limícolas residentes nos Açores (as outras são as nossas amigas bicudas).

Como têm um voo todo "escangalhado", alguns confundem-nos por vezes com narcejas (caçarretas dum raio!)...





*Texto e fotografias de Carlos Pereira, cuja reprodução é interdita, recebidos por mail e adaptados a este post.

quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Parque Natural de Santa Maria

Em sessão extraordinária, realizada de 1 a 3 de Julho do corrente ano, o Parlamento Açoriano aprovou o diploma que cria o Parque Natural de Santa Maria, o qual integra e classifica diversas áreas terrestres e marítimas da ilha.

Em reunião de 18 de Julho passado, o Conselho de Ilha emitiu um parecer favorável em relação ao documento supracitado e sugeriu a representação rotativa da Associação Agrícola de Santa Maria e da Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, por entender existirem assuntos que directamente se relacionam com a actividade destas associações.

A foto e a informação que ilustram o texto acima foram retiradas do jornal mensal "O Baluarte", da sua edição de Agosto de 2008.

NOTAS


- De referir que uma área importante na zona da Ribeira Seca, bem como outra, que parte do Lugar de Piedade, Malbusca, até ao Farol da Maia, é considerada área protegida para a gestão de habitats ou espécies e que Feteiras de Baixo, na freguesia de São Pedro, até ao lugar de Norte, na freguesia de Santa Bárbara, é identificada com a classificação de área de paisagem protegida.

De salientar que os locais supramencionados são conhecidos por todos os caçadores como essenciais para a prática da actividade venatória

quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Mais Fiscalização Contra a Caça Ilegal

Artigo da autoria de Pedro Galego publicado em 18AGO08 no Correio da Manhã
Fonte: Portal Santo Huberto

"Os organismos dos sectores da caça pedem mais policiamento e fiscalização para combater o que consideram um "flagelo": o furtivismo ou abate ilegal de espécies venatórias. A caça ilegal tem vindo a aumentar e a prejudicar os que exercem a actividade de forma legal.

"É um problema enorme, talvez dos maiores que o sector atravessa. São autênticas chacinas feitas durante a noite. Vemos os rastos de pneus, os cartuchos e as armadilhas. A chacina cresceu nos últimos cinco a seis anos", disse ao CM Hélder Ramos, presidente da Federação Portuguesa de Caçadores (FPC).

Por seu turno, Jacinto Amaro, presidente da Federação Nacional de Caça (Fencaça), defende que a solução passa por uma maior habilitação dos homens que patrulham as florestas e terrenos agrícolas.

"É mais importante estarem atentos e preparados para este fenómeno do que às vezes multar um caçador só porque tem o bilhete de identidade na carrinha", referiu.

De acordo com a GNR, é sobretudo durante o período da noite que são detectadas as situações de caça furtiva. Lebres, javalis e veados são as espécies mais abatidas. O seu destino é muitas vezes as ementas de restaurantes como iguaria.

APONTAMENTOS

ARMADILHAS

Os laços, armadilhas utilizadas para apanhar caça grossa, podem ser fatais para cães e ferem gravemente os caçadores.

GUARDAS

Os guardas dos terrenos de caça sentem-se muitas vezes impotentes para agir perante um grupo de caçadores furtivos armados e limitam-se a chamar a autoridade.

TROFÉUS

Há registo de furtivos apenas interessados nos troféus da caça grossa e que abandonam carcaças inteiras na floresta."

sábado, 16 de Agosto de 2008

Caça e Segurança

Nunca é demais repetir que se devem respeitar todas as normas de segurança aquando do manuseamento de armas de fogo, como as espingardas de caça, mesmo as mais simples e básicas.

Felizmente que o transtorno ocorrido no passado dia 15 de Agosto, em pleno acto de caça, nesta ilha, não assumiu contornos mais graves, apesar de, mesmo assim, ser necessário proceder-se à evacuação do jovem acidentado, por via aérea para a vizinha ilha de São Miguel, a fim de receber os necessários e urgentes cuidados médicos.
Desejamos-lhe que tudo corra pelo melhor, que a convalescença seja rápida e que recupere totalmente!

Ninguém se encontra imune, pelo que todo o cuidado continua a ser pouco, sendo que nunca é demais repetir, relembrar e reler os conceitos que se seguem:

A arma de fogo só deve ser manipulada por quem se encontra na plena posse das suas faculdades, pelo que o caçador deve cuidar de si e alertar prontamente todos aqueles que não cumprem as mais elementares regras de segurança.

O caçador deve manter uma atitude crítica e permanentemente observadora da sua actuação, aquando do uso de armas de fogo e não esquecer que o excesso de confiança está muitas vezes na origem dos acidentes.

São 10 as regras básicas que se seguem e que devem ser cumpridas:

1. Abra a arma sempre que lhe pegar.
2. Mantenha a arma aberta sempre que estiver na presença de outras pessoas.
3. Nunca aponte a arma na direcção de alguém, mesmo que esta se encontre sem munições.
4. Antes de proceder ao municiamento da arma, verifique se os canos estão desobstruídos.
5. Mantenha os canos sempre em direcção segura.
6. Desmunicie a arma sempre que passar qualquer obstáculo.
7. Nunca dispare sem identificar claramente o alvo.
8. Antes de disparar verifique o que está para além do alvo.
9. Não utilize armas muito usadas sem submetê-las primeiro a uma verificação realizada por um armeiro competente.
10. Quando manusear armas não ingira bebidas alcoólicas.

Mesmo que pensem encontrar-se a espingarda desmuniciada só ficarão com a certeza disso se a verificarem pessoalmente.

Não permaneçam na presença de alguém com a vossa espingarda fechada, no caso das paralelas ou sobrepostas, ou com a culatra à frente nas semiautomáticas, porque provoca receio e desconfiança, um mal-estar desnecessário e prejudicial.

Não apontem a arma na direcção de outra pessoa, porque poderá estar municiada, apesar de vos sugerir o contrário.

Devido a quedas ou impurezas de qualquer natureza os canos poderão encontrar-se obstruídos, pelo que é necessário verificar o seu estado de limpeza antes de colocar qualquer munição.
O disparo efectuado numa arma com o cano obstruído desenvolve pressões altissímas que poderão acabar por rebentá-lo com graves prejuízos para a integridade física do portador e acompanhantes próximos.

Não raras as vezes as armas são transportadas com os canos na horizontal. Trata-se de uma prática incorrecta e grave, pois podem disparar acidentalmente e atingir alguém. Os canos devem estar sempre apontados para o chão, desde que não haja perigo de ricochetes, ou então para cima.

Devem retirar as munições da câmara de detonação sempre que pretendam ultrapassar um obstáculo uma vez que o perigo de queda é real e em resultado a arma poderá disparar-se.

Disparar sem identificar claramente o alvo é uma grande irresponsabilidade.
Muitas vezes a chumbada não se detém no alvo e segue o seu percurso, pelo que é importante verificar o que está para além da peça de caça de modo a evitar atingir bens, animais domésticos ou mesmo outras pessoas.

Armas muito usadas são um perigo para o utilizador e para aqueles que se encontrem nas proximidades, ou porque têm folgas, ou não garantem chumbadas perfeitas, ou podem rebentar.
Os canos defeituosos podem originar a formação de cachos que atingem distâncias longas e seguem trajéctorias irregulares.

A ingestão de alcool em excesso, além de ser uma prática ilegal na caça e severamente punida, não traz bem nenhum e muito menos para o sucesso do acto venatório.
É de uma total irresponsabilidade e falta de respeito.

Em casa as armas não devem ficar ao alcance das crianças.
Uma arma é sempre motivo de curiosidade e de brincadeiras que podem ser trágicamente fatais.

Devem manter as armas desmontadas e trancadas à chave em espaço próprio e em local separado do das munições, num ambiente fresco e seco para que não se deteriorem.

Os cartuchos de calibres e comprimentos diferentes não devem ser misturados para não serem utilizados erradamente.
Lembrem-se de que um cartucho de calibre 20 sela perfeitamente o cano de um calibre 12, sem que se note a sua presença e sem ocupar espaço na camara de detonação.

Antes de sairem para a caça devem efectuar uma limpeza geral na espingarda de modo a assegurarem-se de que se encontra em perfeito estado de conservação.

O transporte das armas de caça no automóvel ou em outros veículos, deve ser efectuado com as espingardas descarregadas, desmontadas, alojadas em estojo próprio e com um sistema bloqueador do gatilho.
As munições devem estar acondicionadas e protegidas dos raios solares para evitar o desenvolvimento pressões exageradas e perigosas.

Assim que cheguem ao local de caça, retirem a arma do estojo e nunca a apoiem de forma, ou em lugar, onde possa tombar, escorregar ou cair. Além dos danos exteriores, outros mais graves poderão acontecer no interior, que impossibilitem o uso da espingarda com a devida segurança.

Verifiquem sempre se os canos estão desobstruídos, se a arma ficou bem montada, se funciona correctamente e se as munições são do mesmo calibre e adequadas à caça a praticar.

Segurem sempre a arma de modo a que a boca dos canos nunca esteja virada para qualquer pessoa.

Na caça procedam ao municiamento da espingarda somente quando estiverem afastados dos companheiros e fechem a arma de modo a manter os canos virados para baixo em vez de ficarem na horizontal. Por defeito mecânico a arma poderá disparar ao fechar.
Para evitarem acidentes ao fecharem a espingarda paralela ou sobreposta, em vez de levantarem os canos, levantem a coronha. Assim manter-se-ão apontados para uma zona segura.
A coronha é que deve fechar a arma e não os canos!

Não devem confiar totalmente no mecanismo de segurança da espingarda.
Uma arma travada pode disparar devido a uma pancada, queda ou deficiência mecânica.

O guarda mato, a peça que protege o gatilho, não assegura uma protecção integral. É necessário tomarem atenção para que nada lhe toque acidentalmente.

Quando caçarem com matilha devem evitar colocar a arma no chão, porque algum animal poderá embater na espingarda e provocar o seu disparo. Sempre que disso tiverem necessidade, deverão proceder ao seu desmuniciamento.

Apesar de útil, a bandoleira pode prender-se em qualquer objecto, ramo, vegetação, pelo que o seu uso requer uma atenção maior.

Nunca passem um obstáculo com a arma municiada.
Valas, vedações, muros devem ser transpostos com a arma aberta e sem munições. Mesmo parecendo desnecessário, nunca deixem de fazê-lo.

Verifiquem sempre se os canos ficaram obstruídos depois de uma passagem difícil, tropeção, queda.
Depois do disparo, antes de municiarem, verifiquem o interior dos canos, porque podem ficar obstruídos com qualquer componente do cartucho.

Nunca devem transportar a arma com o dedo no gatilho, mas sim encostado ao guarda-mato. Só deverão fazê-lo no momento imediato que antecede o disparo.

Devem abrir e desmuniciar a arma sempre que alguém se aproxima.

Assinalem a vossa posição aos seus companheiros e nunca corram a mão na direcção deles, nem disparem para a vegetação que mexe.

No momento do tiro nunca atirem na direcção de alguém, mesmo que pareça fora de alcance e façam-no na certeza de que a chumbada é parada pelo terreno imediatamente a seguir ao alvo.

Nunca atirem sobre o mato ou vegetação que mexe, porque desconhecem o que pode estar no interior e atrás. Poderá tanto ser um animal como uma pessoa.

O disparo só deve ser efectuado a uma peça de caça perfeitamente visível e identificada.

Quando seguirem a caça com a espingarda, tenham atenção ao que possa estar na linha de tiro e para além dela, porque poderão encontrar-se cães ou outros caçadores.

O risco de ricochete é uma realidade em terrenos pedregosos, planos e duros e não façam tiros rasantes sobre a água pelas mesmas razões.

Recolham do chão os cartuchos disparados, trata-se também de uma medida de preservação ambiental e previne que sejam engolidos por animais que se alimentam da vegetação rasteira.

Depois da jornada de caça procedam ao desmuniciamento da arma de fogo.
A sua limpeza deve ser efectuada quanto antes e se ficou molhada deve ser bem seca antes de guardada.

O uso de vestuário apropriado também é uma medida preventiva.
Na caça, porque estamos expostos às diferentes condições climatéricas a escolha de vestuário e calçado adequado e resistente, que nos proporcione liberdade de movimentos, sejam frescos no verão, quentes e impermeáveis no inverno, permite-nos um melhor aproveitamento das jornadas. Protege-nos a integrídade física e a saúde.

Para uma melhor identificação e localização no terreno de caça, principalmente em dias de chuva ou nevoeiro, é preferível o uso de vestuário de cor fluorescente amarela, laranja ou vermelha.

A escolha de óculos protectores e protecções para os ouvidos também não deve ser descurada.

Existem óculos resistentes a impactos próprios para caça que serão óptimas aquisições para defender a visão.

Para prevenirem os danos na audição provocados pelo ruído da detonação de uma munição, o uso de protectores auricolares é a melhor opção que um caçador pode fazer.

Verifiquem se possuem as vacinas actualizadas e façam-se acompanhar por um pequeno estojo de primeiros socorros.
Se não vos for útil poderá sê-lo para cuidar dos seus companheiros.

Aquando da realização do seguro de caçador, escolham uma modalidade que cubra convenientemente qualquer contrariedade.

Não deixem de manter uma atitude crítica e permanentemente observadora da vossa actuação.
Lembrem-se que o excesso de confiança é um passo em frente para a ocorrência de um acidente de caça, que pode ter consequências pessoais fatais e dramáticas para os vossos familiares.
Na caça, os comportamentos de segurança de nada valem se não forem aplicados instintivamente, pelo que devem ser treinados.

Em matéria da segurança devemos dúvidar sempre de nós próprios e dos outros de modo a podermos reduzir e a evitar situações que poderão colocar-nos em perigo.

A prevenção continua a ser a melhor estratégia quando a vida humana não é objecto de brincadeira.

Agradecendo o precioso tempo dispendido na leitura deste longo texto, finalizamos com votos de excelentes jornadas para todos os caçadores amigos, responsáveis e cumpridores.

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Saberes Antigos, Maleitas Actuais

A utilização de plantas medicinais acompanha-nos desde os primórdios da humanidade. Não me perguntem, porque desconheço qual o método de observação que utilizavam, mas seria seguramente empírico e desenvolvido numa base de tentativa e erro, talvez, e se assim fosse, azar de quem errasse!

Acontece é que os nossos cães, sem outro apoio, que não o dos genes mais primitivos que lhes integra o ADN, sabem muito bem reconhecer aquelas que lhes aliviam o mal-estar e não é incomum observa-los de vez em quando a mascar, mastigar e engolir uma erva, toda verde e suculenta, que ele próprio escolheu e seleccionou e vai que dar à cauda que a folia contínua, porque já se faz tarde.

Nós, senhores da técnica e de todo o conhecimento que a suporta, disso não somos capazes, porque evoluímos, porque esquecemos ou porque deixámos de dar importância a estas coisas, simples.
Temos a tendência para complicar e quando queremos compôr ainda mais dizemos que a coisa é complexa. Também é da nossa natureza ser assim e não há quem nos valha!

Numa das minhas jornadas encontrei duas plantas que reconheci e colhi, porque delas quiz fazer uso.
Aqui são conhecidas, uma por Auzaidela ou Uzaidela e a outra por Malva.

FOTO DA UZAIDELA




















FOTO DA MALVA




Estamos numa época do ano em que a vegetação apresenta-se-nos exuberante e o ar encontra-se saturado de pólenes e outras particulas que acabam por se alojar nas pálpebras e nos olhos dos cães, com tal quantidade que ás vezes até os impedem de abri-los. A vegetação, por sua vez, também é utilizada para suporte e base de lançamento de diversos parasitas, como as pulgas e carraças que encontram no pêlo um excelente aliado e no sangue um bom conduto e meio de disseminação de doenças e infecções, pelo que não foram recolhidas por mero acaso, nem pelas suas belas formas e cores, mas sim pela sua utilidade.

Pois bem, nestes casos reza o saber antigo que ferver em água as folhas de Malva serve esta para lavar e desinfectar os olhos, enquanto a Uzaidela, no mesmo método, é utilizada para eliminar pulgas e carraças quando lavado o animal, e se ingerida, numa pequena dose, como a de meia chávena de chá, elimina as lombrigas.

Com isto não pretendo impôr qualquer comportamento, mas apenas e só partilhar convosco o que antes me deram a conhecer e que nos vem de tempos imemoriais.
Por outro lado, para aqueles que não se sentem à vontade com este tipo de remédios caseiros, dispomos de outros mais actuais e seguros, na sua qualidade e quantidade científica que nos disponibiliza o médico veterinário, que é a quem devemos sempre recorrer.

quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Clube Açoriano Homenageado na Expocaça

O Clube Cinegético e Cinófilo da Ilha Terceira, bem como o seu Presidente Olívio Ourique, foram homenageados, no passado dia 11 de Maio, na Expocaça, em Santarém, na que é considerada a maior e mais antiga feira de caça realizada na Península Ibérica (com cerca de 40000 participantes), pelos serviços prestados na defesa da caça, divulgação do Santo Huberto, desenvolvimento da componente social e promoção da riqueza gastronómica cinegética do País, numa cerimónia presidida pelo Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e com a presença do Presidente da FENCAÇA, acompanhados por cerca de 2500 caçadores.

O CCC da Ilha Terceira fez-se representar por Gualter Furtado tendo, também, sido um dos oradores participantes.
É de enaltecer que se trata da primeira vez que um clube de caçadores dos Açores foi alvo de uma Homenagem Nacional e logo no maior encontro de Caçadores de Portugal.

Refira-se que, em 2004, o Campeão Nacional das Provas de Santo Huberto, da FENCAÇA, foi o Terceirence João Silva e que, o treinador de cães de parar, José Matos, que tem obtido diversas classificações a nível Nacional e Internacional (Vice-Campeão Mundial, inclusivé), que muito nos honram, também é proveniente da ilha lilás.

*Informação e fotos cedidas por Gualter Furtado.

segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Mais Semelhanças

Estas fotografias retratam o modelo de uma tesoura alentejana, cuja configuração da "volta", do "Corte" e do "Espigão" se assemelham, em muito, ao desenho da nossa foice.


Outro utensílio agrícola, que abordo mais abaixo, trata-se da Destanganheira que serve para cortar e tirar os "tanganhos" (pequenos ramos de oliveira ou de azinho) sem haver necessidade de subir às arvores e também para cortar e limpar silvados.

As fotos foram-me enviadas por Isaías Piçarra, bom amigo e caçador Alentejano.

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Para Onde Vai a Caça nos Açores?

É uma questão que nos apresenta Gualter Furtado e cujo texto publico abaixo e convido à leitura.

Para onde vai a caça nos Açores?


Em jeito de antecipação de conclusões diria o seguinte : Assim, Assim, já que estamos em presença de uma política cinegética oficial que é um misto de avanços e recuos e de esperança e desilusão .



Pontos positivos :

-A aprovação do decreto Legislativo Regional nº 17/ 2007 /A de 9 de Julho que aprova o novo regime jurídico da caça nos Açores pode-se considerar um avanço já que pela primeira vez se abre a possibilidade de introdução do ordenamento cinegético ainda que numa parte limitada do território da Região Autónoma dos Açores ( até 25 %) . Evidentemente , que neste diploma muitos dos contributos da Federação dos Caçadores dos Açores e precisamente na área do Ordenamento Cinegético foram pura e simplesmente ignorados pelo Departamento Governamental que tutela a Caça nos Açores que é a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas. Não obstante , este reparo , considera-se esta iniciativa positiva já que o estado em que se encontra actualmente a gestão do território cinegético só pode conduzir ao desaparecimento de algumas espécies cinegéticas na nossa Região.
- Um outro ponto positivo foi a realização de um protocolo entre a Direcção Regional e o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Cinegéticos da Universidade do Porto que tem como objectivo o estudo das espécies cinegéticas indígenas e migradoras . É um ponto muito positivo já que a Caça hoje mais do que nunca sem ter aliada uma forte componente científica e ambiental está condenada ao fracasso . Embora também aqui esteja ainda por esclarecer a forma e as razões que levaram ao afastamento do projecto do investigador Carlos Pereira , e cuja capacidade e mais valia para o estudo das aves nos Açores é inquestionável .
-A reprodução em cativeiro de codornizes no posto cinegético das Furnas e a partir de ovos de codornizes selvagens poderia representar um grande contributo para a perenidade desta espécie nobre e rainha dos Açores.
- A participação da Dra Lurdes Lindo e Engª Flor de Lima numa Conferência na Ilha de Santa Maria sobre a nova Lei da Caça é um exemplo positivo do que também pode ser uma função pedagógica e positiva dos Serviços Florestais no diálogo com os Caçadores e sociedade civil.
- A apresentação dos Resultados do estudo da Gestão de espécies cinegéticas no Arquipélago dos Açores também é positiva, embora devesse ser feita com mais frequência e em diferentes Ilhas. A sessão realizada para este efeito em Ponta Delgada no passado dia 7 de Março e com a participação de investigadores do CIBIO da Universidade do Porto e da Direcção Regional dos Recursos Florestais produziu uma informação muito primária e a maioria das questões colocadas pelos representantes dos caçadores ficaram sem resposta ( a galinhola em São Jorge, a perdiz cinzenta, etc) . Sinceramente espera-se que esta situação venha a ser corrigida .

Pontos Fracos :

-O primeiro à cabeça é a desunião existente entre os caçadores , dando razão ao ditado muito antigo “ que em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”, é certo e sabido que os primeiros prejudicados deste triste quadro são os próprios Caçadores, situação bem aproveitada pelo poder e por todos os que são contra a caça .
- Uns Serviços Oficiais responsáveis pelo Sector que dialogam e trabalham pouco com os Representantes dos Caçadores , e em nada contribuindo para ultrapassar o que descrevi no ponto anterior .
-Uma política de combate aos furtivos desactualizada , levando mesmo muitos Caçadores dos Açores a advogarem a adopção do modelo que presentemente existe no Continente Português de uma maior intervenção da GNR na prevenção e
combate aos Clandestinos .
-Uma Gestão da caça que é incompleta e ineficiente. Tomemos o exemplo positivo de criação das codornizes no posto cinegético das Furnas , na fase da criação tudo bem , mas depois fazem-se os lançamentos no terreno , e a partir daí as aves ficam por sua conta e risco, não existindo acompanhamento ao nível da alimentação e muito menos o controlo de predadores . Resultado as que escapam às espingardas , às máquinas agrícolas e aos adubos , não tem hipótese de sobrevivência nem contribuem para a sustentabilidade desta espécie rainha e que no passado existia aos milhares nos campos de trigo e nas terras de produtos agrícolas ( tremoço , etc).
- A proposta de Regulamentação da nova Lei da Caça que o Departamento do Governo que tutela o Sector apresentou à Federação dos Caçadores dos Açores e às Associações de Caçadores não agoira nada de bom ao introduzir o Direito à não caça ( que respeitamos) , já que a forma como é apresentado e proposta a sua regulamentação arreda totalmente os Caçadores deste processo e no limite pode conduzir a que todo o território da Região possa ser afecto a este Regime , isto é ,não se possa caçar, evidentemente que tanto quanto sabemos os Representantes dos Caçadores vão dar nesta matéria o seu parecer, resta saber se serão tidos em conta .
- Como se não bastasse o anteriormente descrito , estão a preparar-se Parques Naturais em muitas zonas do Arquipélago , e designadamente na Ilha do Pico , e nas quais é interdita o direito à caça , como se fossem os Caçadores os responsáveis pela degradação do meio ambiente , esta é de bradar aos Céus .
-Total desprezo pelo Santo Huberto com cão de parar , quando poderia ser aproveitado como escola de caçadores , e aqui refiro explicitamente o excelente trabalho desenvolvido na Ilha Terceira, com diversos campeões Nacionais e com títulos Mundiais , e apesar de não terem nenhum poio oficial continuam a trabalhar como é o caso do Ricardo Rodrigues. É pena…e é ver muito curto , já que não colhe o argumento de que são muito poucos e quase uma elite a praticar esta modalidade, quantas coisas no Mundo não começaram por ser uma iniciativa de poucos…?, e se não fosse o contributo destes muito poucos ainda hoje estávamos na idade da pedra.
- Finalmente , também aqui nos Açores a introdução da nova Lei das Armas começa a afastar muitos caçadores e principalmente os mais jovens e os com mais idade, minando assim uma possibilidade de sustentabilidade do exercício Venatório.

Termino como comecei : Para onde vai a caça nos Açores ? respondo : “Assim , Assim”, embora e em coerência me apetecesse dizer : “ Não Sei”.

Gualter Furtado, Março 2008

sábado, 29 de Março de 2008

Narcejas dos Açores

"A narceja, à semelhança do que acontece no continente, é uma espécie cinegética no arquipélago dos Açores. E, sendo os adeptos de Santo Huberto açorianos sobretudo caçadores de coelhos e pombos, é certamente a espécie menos caçada na região. Porém, um número crescente de caçadores tem-se dedicado com maior regularidade à caça da narceja. As razões devem-se sobretudo ao facto de se assistir desde há algum tempo a uma diminuição das populações de Coelho-bravo dos Açores e consequentemente a um período mais curto de caça a esta espécie."

É assim que Carlos Pereira nos introduz na leitura do seu artigo (que poderão aceder clicando nas imagens abaixo), intitulado "As Narcejas Atlânticas", publicado na edição de Abril de 2008, da Calibre 12.
De salientar que o autor esteve nesta ilha de Santa Maria, aquando da comemoração do Dia Mundial das Zonas Húmidas, promovido pela Ecoteca de Santa Maria, com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves, que também referi neste blogue.





quarta-feira, 5 de Março de 2008

Observação de Avifauna

Decorreram no dia 29 de Fevereiro e 1 de Março de 2008, nesta ilha, um briefing e uma saída de campo para observação de aves, no âmbito da comemoração do Dia Mundial das Zonas Húmidas, promovido pela Ecoteca de Santa Maria, com a colaboração da Sociedade Portuguesa para o estudo das Aves.
Aqui ficam algumas das aves avistadas:






terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

O Professor Pombo

"O Professor Pombo, como, justamente, lhe chamou o investigador Paulo Borges, e mais recentemente o Director Regional do Ambiente, não foi só um distinto naturalista-investigador, mas também um percursor da educação ambiental nos Açores, e um verdadeiro pedagogo, sentindo-se feliz, quando concretizava essas suas paixões, com os jovens e para os jovens. Nessa senda, foi co-fundador do Corpo Nacional de Escutas, em Santa Maria e criou o reputado Centro de Jovens Naturalistas (CJN), tendo sido sempre o seu coordenador responsável."

Excerto e foto retirado do texto intitulado "Sr Pombo - Vida e obra", da autoria de José de Andrade Melo, Coordenador do CADEP-CN, publicado na página oficial da Associação Ecológica Amigos dos Açores e na última edição do jornal "O Baluarte".

Lembro-me das visitas que fazia a sua casa na minha infância, adolescência e já adulto para ver as conchas, borboletas, insectos e tantas colecções maravilhosas.
A última conversa que tivemos foi sobre um chá que fez e que lhe retirou o sono o resto da noite. Decidiu fazer um chá com uma erva que o intrigava e fê-lo.
Para mim ele era assim, curioso, aventureiro e com a dose certa de loucura, que o tornava diferente e especial.

A DESTANGANHEIRA

Este tipo de foice, que apresenta dois cortes na lâmina transversal e um corte longitudinal, é conhecida na região de Brinches ( concelho de Serpa e Moura, no bonito Alentejo ) de "destanganheira" e serve para cortar e tirar os "tanganhos" que são pequenos ramos de oliveira ou de azinho.

A sua utilização consiste no corte desses ramos sem ser necessário subir às arvores e está ser substituida pelas moto-serras com lança comprida, devido ao maior conforto e menor esforço que o seu uso proporciona em comparação com a ferramenta tradicional.

Enquanto a "nossa" descreve uma volta e um espigão esta apresenta um ângulo recto, mas o observador atento facilmente encontrará semelhanças no formato e nas dimensões. E se verificar o processo de fabrico, que descrevi abaixo, num texto datado de 21 de Janeiro de 2007, acompanhado por fotos que retratam cada etapa, ficará certo das semelhanças, sendo que a "volta" e o "espigão" resultam da continuação do processo de construção, uma vez que a base parece ser a mesma.
Será a "nossa" uma evolução? Não sei.
Uma adaptação ao meio e às necessidades diárias? Seguramente que sim!

Quem sabe, se na Destanganheira não reside a origem da "nossa" foice, uma vez que, daquela parte do País, veio um importante agrupamento de gente com o intento de encetar a grande aventura histórica que foi a de povoar esta terra maravilhosa, a ilha de Santa Maria?

A autorização da publicação da descrição da Destanganheira e das fotos alusivas foi cedida gentilmente por Isaías Piçarra, bom amigo e caçador Alentejano.

sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Gestão Cinegética é Menosprezada nos Açores

Artigo da autoria de Manuel Moniz - Diário dos Açores, retirado, na íntegra, de Virtual Azores - Notícias.

Alerto igualmente para a leitura do parágrafo que refere esta ilha em particular.

A questão da caça continua a acirrar os ânimos e de um momento para o outro parece que o problema não pára de crescer – e cada vez mais aparecem pessoas a criticar a forma como toda a questão é encarada e gerida por parte dos responsáveis.
Desta feita é um biólogo, Jorge Tavares, que se insurge pela situação. “A caça em geral, e a caça ao coelho em particular, tem vindo a ser consecutivamente menosprezada em vez de ser vista como uma mais valia em termos económicos e turísticos para a Região”. Para ele, “o facto de permitirem a caça com candeio por um período até 2008, manifesta um total desinteresse e desrespeito pelos caçadores que pagam anualmente a suas licenças; ao permitir a caça com candeio (no Pico), não é só o coelho que irá ser caçado, mas também outras espécies com hábitos nocturnos, como é o caso da galinhola, espécie cujo o número de indivíduos tem vindo a diminuir de ano para ano”. Entende mesmo que “a galinhola vai ser a grande vítima da caça à noite, pois os seus olhos brilham exactamente como os coelhos, não há distinção”.
Diz não compreender como é que as decisões são tomadas. “As decisões deste tipo, assim como a elaboração dos calendários venatórios para as várias ilhas, são tomadas sem qualquer fundamento técnico, ou seja, sem qualquer avaliação das densidades populacionais das espécies cinegéticas”. Aliás, afirma que não é conhecido nenhum estudo sobre as densidades de coelho nas ilhas. “Fala-se em praga, mas tenho a sensação que não. Há 20 anos atrás a densidade populacional era de 19 a 20 coelhos por hectare; hoje não sabemos, mas provavelmente é mais baixo; houve um estudo que foi anunciado há algum tempo, mas nunca publicaram os dados”, diz. “S. Miguel é a ilha onde há maior pressão sobre o coelho; mas tirando as áreas urbanas e agrícolas onde não é permitido caçar, o que nos resta são pequenos núcleos de coelhos; e nesses poucos locais, os caçadores concentram-se e eliminam-nos; deste modo nunca vai haver uma população homogénea”.
Afirma que “os calendários venatórios são incoerentes: a época de reprodução não é respeitada em algumas ilhas e isso é algo que não se faz em mais lado nenhum do mundo; nas Flores, por exemplo, a caça é permitida todo o ano, provavelmente para beneficiar o turismo cinegético na ilha; mas não pode ser assim; as decisões desse tipo devem ser tomadas tendo em conta as densidades conhecidas, mas sempre respeitando o ciclo reprodutivo”.
Para ele, as decisões “são o espelho de um conjunto de interesses, fazendo lembrar os tão populares programas de rádio de discos pedidos”. E diz não entender como é que se pode dizer que o recente surto de virose hemorrágica no Pico não afectou a sua densidade populacional no Pico: “sabe-se que recentemente houve um surto naquela ilha, e tendo em conta a forma como aquele problema se propaga, a densidade deve ter sido bastante reduzida, talvez até 90%”.
Utiliza o caso de Santa Maria como “exemplificativo das incoerências que se vêm cometendo na gestão da caça nos Açores. Temos uma zona, que é zona do aeroporto e sua envolvente até aos Anjos, que na minha opinião pode ser considerada com um bom exemplo de gestão cinegética, onde os limites de peças são ajustados todos os anos de acordo com uma estimativa da abundância de indivíduos, ficando a época de criação e de desenvolvimento totalmente respeitada, abrindo-se a caça apenas de Outubro até Dezembro; há uma reserva integral de caça ao coelho que conjuntamente com a área afecta ao aeroporto constituem uma importante zona de criação e fonte de repovoamento para as áreas circundantes, havendo ao mesmo tempo alguma fiscalização - que embora não seja exemplar, é a possível com os meios existentes. Mas por outro lado, na restante parte da ilha é permitido caçar todo ano, pondo-se de parte todos os princípios de um boa gestão cinegética”.
A explicação possível: “só consigo encontrar uma: os interesses privados dos caçadores, que assim têm uma grande parte da ilha onde é permitido caçar durante todo o ano, e outra parte que funciona quase como uma coutada particular, para a qual se convidam os amigos para aberturas chorudas”.

Os surtos hemorrágicos levantam-lhe as mais sérias dúvidas: “não há provas de que sejam induzidos propositadamente por alguém, mas não deixa de ser estranho, especialmente a sua passagem de ilha para ilha e que ocorra em geral logo após a pressão dos lavradores. Ainda há dias vi um documento na Internet que ensina como fazer a inoculação”…

domingo, 10 de Fevereiro de 2008

JORNADA DE CAÇA 2008

Video sobre o início da minha primeira jornada de caça, deste ano de 2008, onde são intervenientes alguns dos meus cães.
Para mais tarde recordar...

quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

Mais Fotos

No topo está o pardal, uma ave introduzida em meados dos anos 80, do século vinte. Seguramente por mãos irresponsáveis e ignorantes, desconhecedoras dos estragos e dos prezuízos que viriam a produzir na frágil economia mariense e na fauna avícola local.
Posteriormente coloquei fotos de um bando, com cerca de 40 indivíduos, que avistei ontem, pelas 18H00, nesta ilha, na freguesia de São Pedro e do qual desconheço a origem e o destino, uma vez que não é aqui residente.








segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Fotos dos Patos

Tiradas em finais de 2007.
Retratam os patos mostrados abaixo.
Foi o melhor que consegui, por não me deixarem aproximar mais...
Espero que permitam uma melhor identificação.




domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Tensão entre SPEA e Recursos Florestais

Carlos Pereira diz-se injustiçado por uma situação que não compreende e acusa a Direcção Regional dos Recursos Florestais (DRRF) de ter exercido pressão junto do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) da Universidade do Porto para que deixasse de fazer parte do projecto de monitorização das principais espécies cinegéticas da ilha de São Miguel.

O presidente da Federação de Caçadores dos Açores, Paulo Cruz, reconhece que os Serviços Florestais andam de costas voltadas para os caçadores.

Leia o artigo completo, da autoria de Carlos Rego, no Correio dos Açores

Fotos Diversas

Que tirei em Dezembro de 2007, de aves desta terra e doutros lados, reunidas em Santa Maria...














quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

Livro "A CAÇA ao COELHO"

Foi recentemente editado o livro "A Caça ao Coelho", de autoria de Eduardo Pombal, um caçador das regiões do Minho e Trás-os-Montes e Beiras.

A obra que tem prefácio do Dr. Vítor Veiga, presidente do Clube do Podengo Português, inclui sete capítulos que percorrem todos os aspectos ligados a esta popular modalidade de caça - o coelho-bravo, os cães que devem ser usados, o ensino e treino dos cachorros, a composição e treino das matilhas, as armas e munições mais apropriadas, os vários aspectos das caçadas, os aspectos ambientais e as questões de segurança.

Segundo o autor, esta obra pretende preencher uma falha que se nota bastante na literatura de caça, pois o coelho é a mais praticada de todas as modalidades de caça, seja pelo número de caçadores, seja pelo número de peças abatidas. Finalmente, os amantes da caça ao coelho dispõem de uma leitura que lhes é especialmente dirigida.

O livro custa 15€ e os pedidos poderão ser feitos:

- por email: eduardo.pombal@gmail.com

- por telefone: 966 435 436

- ou por correio: Eduardo Pombal, R. das Areias, 807, 4435-112 RIO TINTO

Trata-se de um livro rico na abordagem que faz dos diversos temas da caça ao coelho, que o autor soube descrever numa linguagem acessível aos mais novos e reconhecida pelos mais experientes, sem deixar, por isso, de cativar o interesse do leitor ao virar de cada nova página. Recomendo!

segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Ricardo Rodrigues Campeão

"Realizou-se nos dias 19 e 20 de Janeiro a final do Campeonato Regional de Santo Huberto tendo-se sagrado Campeão Regional de Santo Huberto com cão de parar Ricardo Rodrigues da Ilha Terceira a caçar com o seu braco alemão GUGU, em segundo lugar ficou José Nascimento da Ilha Graciosa acompanhado de outro braco alemão de nome Colin e no terceiro lugar classificou-se Olivio Ourique da Terceira a caçar com o pointer BUDA."

Fotografia e excerto da autoria de Gualter Furtado, retirado do Portal Santo Huberto, cujo artigo poderá ser lido na integra AQUI

segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

ANO NOVO 2008

Concluído o período de caça na parte baixa, que findou no passado domingo, dia 30 de Dezembro, inicia-se dentro de poucas horas, um novo ano.
Foram doze meses de insatisfação e de frustração na caça em Santa Maria, onde quase nada de útil se fez e pouco de positivo se realizou.
Que o vindouro nos proporcione mais alegrias do que este que agora termina e que a todos cheguem os nossos votos de muita saúde e enormes sucessos.
Feliz Ano Novo de 2008!

segunda-feira, 24 de Dezembro de 2007

NATAL 2007

Feliz Natal a todos e que passem esta quadra em saúde, paz e na companhia daqueles que vos são mais queridos, são os nossos votos!

segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007

Raios e Coriscos

Expressão que poderia muito bem caracterizar a actual organização da caça em Santa Maria, se neste caso em particular não fosse dirigida à praga de gatos e furões que nos afectam. E não é para menos, pois todos sabemos os danos terríveis que estas espécies fazem numa zona de caça, ainda para mais numa área tão limitada como a de uma ilha.

Torna-se cada vez mais vulgar cruzar-mo-nos com estes animais nas nossas estradas, estejam eles apenas de passagem ou bem calcados no asfalto, o que não acontecia com tanta frequência há, pelo menos, 2 anos atrás.
A par da caça furtiva, surge esta nova preocupação que deve exigir da associação de caçadores especial atenção e empenho no sentido de desenvolver esforços para lidar com esta nova realidade.

Numa altura em que se discute o fecho ou não da caça para a próxima época, a pressão predatória provocada pelos gatos e furões assume uma apavorante proporção que não nos deve deixar indiferentes.

quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Licença Para Caçar do Ano de 1964


Trata-se da licença para caçar, que a Câmara Municipal de Vila do Porto cedeu a meu pai em 1964.

Hoje, é concedida pelos serviços florestais deste concelho e note-se que era válida em todo o país, sendo actualmente organizada em "Ilha","Regional" e "Nacional", não podendo a de "Ilha" caçar noutra ilha do arquipélago, que não a de emissão, e à "Regional" caçar no continente ou na madeira, sendo apenas válida para os Açores.

segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

DE DOIS CÃES

Relembro dois cães que, nas décadas de 50 e 60, do século XX, palmilharam os terrenos de caça de Santa Maria, dando a tiro muitas perdizes, codornizes e coelhos que meu avô e pai umas vezes faziam o favor de acertar e noutras falhar...

Da perdigueira, acima, que me parece ser uma Braco, adquirida anos antes, a um oficial da força aérea dos Estados Unidos, em serviço na base, aqui existente à data dos factos, recordo uma multa, de 480$00, que meu pai teve que pagar na Esquadra de Polícia do Aeroporto - isto em 1962 -, por ter parado perdizes destinadas ao director do aeroporto.
Sobre esta "aventura", há cerca de 10 anos, tive a oportunidade de ler o auto e com muita pena minha não me lembrei de solicitar uma cópia.

domingo, 11 de Novembro de 2007

ÁLBUM

O meio de transporte tem sofrido enormes alterações desde a invenção da roda, mas nenhuma foi tão significativa como a que ocorreu no séc. XX e o mesmo aconteceu com as idas e vindas das jornadas de caça ao longo da história.
As fotos, descobri-as ao folhear um antigo álbum e retratam o MG TC Midget, de 1947, e o motociclo do fabricante BSA, de 500cc, que conduziram o meu pai nas suas expedições venatórias por esta ilha de Gonçalo Velho, até ao final da década de 60, da última centúria.
Actualmente estão em voga os veículos todo-terreno, de vários modelos e feitios, mas certamente, e concordará o leitor comigo, sem a classe e o estilo doutros tempos.

segunda-feira, 5 de Novembro de 2007

ABERTURA 04NOV07

Ontem, finalmente, celebrou-se a abertura geral da caça que nos permite exercer o acto venatório em toda a ilha. Assim ditou o calendário para o dia de ontem.

Escusado será dizer que a noite de véspera foi muito mal dormida e que, apesar de saber de antemão com que condições climatéricas nos iamos deparar, a chuva que caia pelas 22H00, não me deixava sossegar e apesar de ter colocado o despertador para as 05H15, muito antes já me encontrava a pé e reforçado o quebra jejum.
Quando saí, o céu encontrava-se escuro, coberto e carregado, quase a sufocar não fosse o vento moderado, de leste, que se fazia sentir, por vezes com rajadas. O panorama não era animador, pois havia chovido durante a noite e o vento era novo.

No dia anterior estacionei o atrelado em frente ao canil, pelo que os cães, adivinhando uma data especial, também me esperavam com ansiedade. Não levei a Giesta nem a filhota, que fará no dia 7 três meses, porque esta última desenvolveu uma técnica que lhe permite transpor a rede do canil sem muita dificuldade, bastando-lhe meter a cabeça e rodar as patas traseiras. Pensei que se levasse a mãe, teria vontade de nos perseguir, o que não seria do meu agrado, nem tão pouco prende-la. A minha mulher, no regresso, disse-me que a Giesta havia uivado o que lhe tinha parecido estranho, pois nunca o tinha feito...

Chegados ao local pré-estabelecido, ainda escuro e frio, ameaçando chuva, procurámos por coelhos e acabámos por confirmar os nossos receios, que já eram certos, mas, mesmo assim, esperamos convictos e esperançosos, pelas 08H00.
Ouvimos um tiro 5 min antes e o primeiro cerca de 10 minutos depois.
A estouraria que caracteriza o dia não se realizou e os disparos eram poucos, dispersos e espaçados. Em duas horas não ouvimos nenhum e dois caçadores de espreita passaram por nós, de regresso, a zero!
Quem diz que há coelhos é tolo ou mentiroso, apesar de sabermos que naquelas condições vêem-se poucos, mas nunca tão poucos!

Apesar de termos atingido o limite -10/2-, sabemos de grupos que não conseguiram e dos que se dedicam á espreita foram menos ainda.

Fomos devidamente fiscalizados a meio da manhã e com agrado verificamos o detector de chips em funcionamento. Uma mais valia!

Satisfeitos, arrumámos as escopetas por volta das 12H00, com a conta feita e muito cansaço, mas não se iluda o leitor, porque nem por isso deixamos de sentir preocupação e apreensão com a falta de coelhos, que já é muito grave e com o pouco, ou mesmo nenhum esforço realizado para evitar ou minorar esta situação degradante. É revoltante!

Á Polícia Florestal desejamos um bom trabalho e a todos os caçadores responsáveis e cumpridores votos de uma excelente abertura!

domingo, 21 de Outubro de 2007

I Aniversário

E já se passaram doze meses desde o primeiro artigo...
Obrigado a todos os que nos visitaram!

segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

Identificação de Canídeos em Santa Maria


Clique na imagem acima para aumentar a dimensão do documento, que apresenta as datas, os horários e os locais.

domingo, 9 de Setembro de 2007

Ave Migratória

Esta ave, forasteira, na companhia de mais duas da mesma espécie, foi avistada hoje, no lugar de Acácias. Muito provavelmente foram desviadas da sua rota de migração por ventos fortes.

quinta-feira, 30 de Agosto de 2007

Óculos de Protecção

Todos os anos tomamos conhecimento de acidentes com armas de caça, seja através de contactos inter-pessoais, quando nos relatam situações na primeira pessoa ou através dos meios de comunicação.

Não menos grave, nem de menor importância são as consequências que poderão advir para a integridade física da vítima.
Sabemos, dadas as características das armas de caça, daquelas vulgarmente denominadas "caçadeiras", desde que nenhum órgão vital seja danificado, haverão sempre probabilidades de sobrevivência. Porém, mesmo a distâncias muito largas, quando os olhos são atingidos pelos pequenos bagos de chumbo, a cegueira será tão certa como a deterioração posterior da qualidade de vida do acidentado, pelo que a adopção de comportamentos de segurança deverá ser uma realidade em cada caçador, que deve incorporar, a par de vestuário e calçado adequados, óculos fabricados propositadamente para utilização na caça, com capacidade para proteger a vista de projectéis directos ou de ricochetes tão comuns nos terrenos rochosos.

São vários os modelos colocados à venda, sobretudo nas espingardarias e também diversas as soluções, mesmo para lentes graduadas.
A armação é usualmente de plástico e as lentes são fabricadas numa resina extremamente durável e resistente, denominada EPOXY, proveniente da tecnologia espacial, como testemunha a imagem do lado, resultado de um teste que efectuei numas lentes com as características mencionadas, disparando uma carga de 32grs, de chumbo n.º5, a dez passos de distância.
Dada a violência do impacto só consegui recuperar as peças que constam, por ter perdido rasto das restantes, porém permanece bem visível a capacidade do material.

Precavendo-nos e diminuindo o risco de acidentes evitaremos acusações e críticas negativas que, nos tempos actuais, nos são bastante prejudiciais e pugnamos pelo desenvolvimento desta actividade que acarinhamos.
Não esqueçam os óculos de protecção!

sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

Gestão da Codorniz em São Miguel

Em 2006, na Ilha de São Miguel, efectuou-se um repovoamento de 2738 codornizes, produzidas no Posto Cinegético das Furnas, e que 10% das aves caçadas naquela ilha foram provenientes do projecto de reprodução de codornizes em cativeiro, que os Serviços Florestais dos Açores têm vindo a desenvolver neste arquipélago.

Informação retirada do portal Santo Huberto

sábado, 11 de Agosto de 2007

Argoladas

No artigo intitulado "A Caça às Perdizes Volta à Ilha", publicado na edição deste mês, do jornal "O Baluarte", que se refere à segunda realização da prova de Santo Huberto, nesta terra, o presidente da Associação de Caçadores da ilha de Santa Maria, lamenta-se da ausência da maioria dos caçadores marienses, facto infeliz que se verificou nas provas e nas conferências.
Mais á frente, no mesmo escrito, queixa-se da falta de comparência, e passo a citar o mensário, "de pessoas que tem licenças de uso e porte de armas", como os "agentes da PSP, agentes da GNR e Polícia Marítima". "Não ligaram ao apelo, não quiseram saber, completamente apáticos perante uma situação dessas, que é da própria vida profissional de cada um" fim de citação.

No primeiro parágrafo não surpreendeu ninguém, a não ser o queixoso, que a afluência fosse diminuta, devido à incapacidade, quase crónica (veja-se o ano transacto), de gerar interesse no público alvo.

Quanto ao segundo, onde se refere às forças de segurança, sabendo de antemão a importância que aqueles serviços detêm na nossa sociedade e na caça em particular, da necessidade da sua colaboração na nossa causa, que, integrado no acontecimento, o tema do novo regime de uso e porte de armas de caça foi exposto por um ofícial da PSP é, no minímo, desadequado, sem mencionar a possibilidade de enquadrar o crime de difamação.

Chips Para Setembro

Segundo informação divulgada, na passada semana, pela RTP-A, apenas dois concelhos dos Açores, situados na ilha de São Miguel, disponibilizam gratuitamente este sistema de identificação, integrados numa campanha de sensibilização.
Os restantes, como o de Vila do Porto, só o farão para o mês de Setembro.
A iniciativa não é original, porque no passado já teve lugar entre nós, porém trata-se sempre de uma excelente oportunidade para todos os possuidores de cães de caça.

segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

Edital e Folhetim Época 2007/2008

Edital e folhetim relativos à época de caça 2007/2008, gratuitamente distribuídos pelo Serviço Florestal de Santa Maria, aquando da renovação da Licença de Caça e que respeitam exclusivamente a esta ilha.

Este serviço poderá ser contactado através do telefone n.º 296 882 495 / 088 ou pelo fax n.º 296 882 486

O leitor deve clicar nas imagens de modo a alterar a dimensão dos documentos afixados abaixo.












sábado, 21 de Julho de 2007

Santa Maria a Arder

Ontem, pelas 17H00, quando subia os picos, deparei-me com a parte ocidental da ilha a arder!

Inicialmente pensei tratar-se de algum acidente envolvendo uma aeronave, visto localizar-se na área do aeroporto, ou de algum incêndio que se tivesse propagado na lixeira a céu aberto que é aquela área.

Depois de contactar algumas pessoas verifico que se tratou "apenas" de uma "acção de limpeza", levada a cabo pela empresa gestora do referido aeroporto, a ANA ep, com o propósito de facilitar o movimento de viaturas!

Antes do fogo (mais fotos aqui) era um habitat de variadas espécies animais e cinegéticas importantes, nomeadamente do coelho, sem excluir a poluição ambiental que provocou na atmosfera, já de si saturada...

O que se passou, durante mais ou menos 2horas e numa longa frente, é, apesar de todas as respostas possíveis para a realização daquilo, totalmente injustificavel e inqualificavel!

segunda-feira, 18 de Junho de 2007

II Prova de Santo Huberto

Nos dias 6, 7 e 8 de Julho terá lugar a segunda edição da prova de Santo Huberto, nesta ilha, levada a cabo pela associação de caçadores local, com o apoio de diversas entidades públicas e privadas.

PROGRAMA

6 de Julho

21H00, Hotel Santa Maria
- Sorteio das Séries
- Jantar* de recepção aos concorrentes

7 de Julho

07H30, Caminho Velho de Santana/Risco
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início
13H30
- Almoço*, Copeira de São Pedro
18H30, Hotel Santa Maria (Entrada Livre)
- Conferência sobre a nova lei da caça nos Açores, pelas oradoras Dr.ª Lurdes Lindo, Adj.ª do Gabinete do Secretário Regional da Agricultura e Florestas e Eng.ª Helena Lima, Chf. Divisão Caça, Pesca e Parques da Direcção Regional dos Recursos Florestais
- Conferência sobre o novo regime de uso e porte de arma de caça, pelo orador Dr. Carlos Ferreira, Comissário da PSP

8 de Julho

07H30
- Concentração dos concorrentes no local da prova
08H00
- Início da prova
14H00, Hotel Santa Maria
- Almoço*
- Entrega dos troféus

*O valor da inscrição, que inclui o jantar de recepção aos concorrentes, a participação na prova, o almoço e a cerimónia de entrega de troféus, é de €80, acrescidos de €30 se houver acompanhante.

Quem desejar apresentar-se somente nas refeições, paga o mesmo e dá-se como desistente da prova, o que não possui qualquer nexo, afastando deste modo o caçador mariense do convívio, que o vê cada vez mais como uma actividade elitista e desinteressante, contrária á mensagem que deveria transmitir, que seria de sensibilização para a perdiz vermelha, aprendizagem, convívio e sã camaradagem.

Se no ano passado falhou gravemente a divulgação e este apresenta-se assim é porque deve ser mesmo só para alguns,... Será?

sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Dia Mundial Do Ambiente

No próximo dia 5 de Junho, comemorar-se-á o Dia Mundial do Ambiente que, em Santa Maria, será promovido pela CMVPT.

Nunca é por demais lembrar, e este dia serve para isso mesmo, lembrar aos devotos de Santo Huberto, na práctica da caça e não só, mas sobretudo nesta, que não devem lesar a propriedade privada e que devem adoptar uma conduta que respeite o ambiente, através da preservação dos muros e das vedações, poupando os campos à poluição provocada pelo abandono de cartuchos usados ou outro tipo de lixo e, sobretudo, esforçarem-se no sentido de resguardar a flora da nossa ilha, respeitar a fauna, não atirando a tudo que mexe, e honrar as espécies cinegéticas, que tantos momentos de satisfação nos proporcionam.

Nesta quinzena, receberemos cerca de duas dezenas de caçadores, provenientes de São Miguel.
Espero sinceramente que não se repita o que aconteceu na época transacta.

sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Aprovado Regime Jurídico

O Parlamento açoriano aprovou hoje, na especialidade, o diploma que estabelece nos Açores o regime jurídico da gestão dos recursos cinegéticos.

Proposto pelo Governo Regional, este novo regime jurídico, que vem substituir legislação de 1994, dispõe, igualmente, sobre a conservação e fomento dos recursos cinegéticos e os princípios reguladores da actividade e da administração da caça nos Açores.

Com esta iniciativa, o executivo pretende, antes de mais, adequar a legislação às “necessidades emergentes da realidade cinegética da Região, potenciando uma actuação mais eficaz por parte de todos os agentes intervenientes no mundo cinegético”.

Segundo o diploma, os terrenos de caça no arquipélago podem ser sujeitos quer ao regime ordenado quer ao regime não ordenado, sendo também reconhecido nas ilhas o “direito à não caça” nos termos a definir em regulamentação posterior.

O texto determina, também, que no ordenamento dos recursos cinegéticos deverá observar-se os “princípios da sustentabilidade e da conservação da diversidade biológica e genética”, sendo certo que a sua exploração ordenada, por constituir um factor de riqueza regional e de valorização do mundo rural, “deve ser estimulada em toda a Região”.

Este Decreto Legislativo Regional consagra, igualmente, o princípio de que os recursos cinegéticos, enquanto património natural renovável, “estão sujeitos a uma gestão optimizada e ao uso racional com vista a assegurar uma produção sustentada”, no respeito pela conservação da natureza e do equilíbrio biológico.

Notícia retirada do Portal Santo Huberto

domingo, 20 de Maio de 2007

O Problema Venatório no Alentejo

"A caça é um tema que movimenta forças, cria polémica e suscita discussão como poucos outros. É tão grande o interesse que, em toda a época e qualquer lugar, suscitou e suscita a caça, se escreveu tanto sobre ela, que se torna difícil acrescentar alguma coisa verdadeira e inteiramente original sobre o tema.
O tema da caça tocou indirectamente imensas vezes o horizonte de escritor de muitos confrades, o entusiasmo, o fervor quase mítico com que deparam, em quase tudo o que à caça diz respeito: campo, cão, espingarda, espécies, usos e costumes venatórios, etc."

Excerto d' - O Problema Venatório no Alentejo - Tese de Doutoramento em História Contemporânea, com 981 páginas, do Professor Mário Fernando Ramos do Carmo Pereira Bastos. O autor é Professor Universitário, Investigador na Faculdade de Letras-Departamento de História da Universidade de Lisboa e exerce actualmente o cargo de Assessor do Director-Geral dos Recursos Florestais e vem apresentar-nos um extenso trabalho de profundidade e rigor científicos que vale a pena ler e meditar.

A informação foi retirada do Portal Santo Huberto, onde o leitor deve aceder para efectuar o download gratuito da obra, que será uma referência para todos aqueles que se preocupam com a temática da caça e os movimentos sociais, económicos e culturais que origina e desenvolve no contexto nacional.

sexta-feira, 18 de Maio de 2007

Cães Selvagens

*

É assim que a população mariense denomina os vários cães, não menos de sete, que habitam, vivem e reproduzem na orla costeira ocidental da ilha, desde os Cabrestantes, a Norte, até ao Campo Pequeno, a Sul, passando pelo Campo Grande, a Oeste.

São rafeiros, traçados, cruzados provenientes de várias raças, pintados de várias cores e feitios diferentes, que deambulam numa área geográfica perfeitamente definida, que engloba igualmente a pista e a placa do aeroporto da ilha, alimentando-se de restos de comida, ouriços cacheiros e doutros animais de pequeno porte, como o Coelho Bravo - peça cinegética base da caça em Santa Maria, e, importante recurso económico - que caçam em matilha e com elevada habilidade, sem desprezarem os ovos do Cagarro e os juvenis desta espécie, quando não assaltam ovinos e bovinos, originando graves prejuízos, ou mesmo pessoas, como já aconteceu por diversas vezes.

A existência destes canídeos, há mais de duas décadas, advém daqueles que Gualter Furtado refere no seu livro "Um Caçador Açoriano" e apelida de "vadios", desresponsabilizando os cães do seu destino e culpabilizando os "donos" e alguns ditos "caçadores", sobretudo de fora, que os trazem com 4 a 6 meses e aqui ficam "esquecidos" por falta de aproveitamento.

Embora de raça indefenida, apuraram um conjunto de características que os tornaram predadores invulgares e temidos, tomando um território e tudo o que nele se encontra como seu.
A capacidade de adaptação que demonstram não me deixam indiferente.

Ainda está bem viva na memória a contestação que sofreu a medida da A.N.A. em promover uma sessão de tiro ao Milhafre(Buteo buteo) na área do Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, apesar de ser uma espécie protegida, como medida preventiva de acidentes aéreos, pelo que urge encontrar um consenso com todas as partes interessadas, e onde os caçadores devem fazer-se representar, para que não aconteça o mesmo neste.

Em Santa Maria os cães selvagens depredam a fauna, como o Cagarro, que é uma espécie protegida e nos Açores representa cerca de 74% da população mundial da subespécie Calonectris diomedea borealis e 52% da espécie Calonectris diomedea, o coelho bravo, que é uma espécie cinegética importante, que urge preservar e proteger, a propriedade privada e representa um perigo para a livre circulação de pessoas que se aventuram nos seus domínios, bem como para o tráfego aéreo, na aterragem e descolagem das aeronaves, pelo que existe a necessidade em encontrar uma solução que passe pela sua captura, quanto antes e antes que seja tarde.

*Fotografia recente, cedida por autor que deseja preservar a sua identidade

terça-feira, 15 de Maio de 2007

Santo Huberto em Força nos Açores

É assim que o portal Santo Huberto intitula o seu artigo sobre as variadas provas que se irão realizar neste arquipélago de Julho a Outubro, com referência inicial ao calendário de Santa Maria.
Nesta ilha, a segunda prova deste evento realizar-se-á nos dias 7 e 8 de Julho acompanhadas de um vasto programa social e cultural donde se destaca uma Conferência sobre a nova Lei das armas e a caça em regime ordenado.



terça-feira, 10 de Abril de 2007

Reforço de Espécies Cinegéticas

O GaCS/AP, em nota informativa de 04ABR07, informou que o Governo Regional vai enviar ao Parlamento açoriano uma proposta de diploma que pretende reforçar o povoamento da Região em espécies cinegéticas e aperfeiçoar e clarificar a regulamentação sobre o exercício da caça nas ilhas.

De igual modo, referiu que a iniciativa legislativa do executivo de Carlos César foi aprovada no Conselho do Governo de terça-feira e tem em vista a criação de condições para a dinamização da caça e para o aparecimento de novas oportunidades de organização associativa e de exploração dos recursos cinegéticos regionais.

Na elaboração da proposta que remeteu ao Parlamento, o Governo ouviu os vários parceiros do sector, terminou salientando o referido comunicado.

Veremos o que irá acontecer, no futuro imediato, com a norma que permite a caça ao coelho na Ilha do Pico e na ilha das Flores, ao candeio e sem limite, porque não fará qualquer sentido, por um lado, apresentar medidas no papel, para reforçar as populações cinegéticas, enquanto, na realidade, por outro, pratica-se o seu extermínio.

quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Novo Ciclo, Nova Viragem

Na edição mensal d"0 Baluarte", datado de 3 de Abril, vem publicado um artigo intitulado "Caçadores Marienses Satisfeitos Com Governo Regional".

O contentamento, e não é para menos, advém da atribuição, por parte do executivo açoriano, à Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, de um terreno com 1290m2, sito no lugar de Salvaterra - Vila do Porto, para a construção da nossa sede social, conforme refere o comunicado do Conselho do Governo.
É uma excelente novidade proveniente do G.R., que aguardamos com ansiedade a sua realização fisíca!

No texto mencionado, vem ainda referido que será efectuada a segunda edição da Prova de Santo Huberto, bem como a execução de um festival de caça genuína e uma vontade expressa de levar as coisas avante: "vamos fazer como as outras associações e clubes, vamos pedir apoios e patrocínios", afirmou o Ricardo Sebastião, presidente da associação, que caracteriza o momento como "este novo ciclo, esta nova viragem".

Da minha parte fico duplamente satisfeito com o que tomei conhecimento, pois, independentemente de apresentar trabalho, deram-se os primeiros passos;
-A direcção traçou um rumo e vai de encontro ao modelo que apresentei e explanei na última reunião.

Aves Migratórias

São fotos, obtidas na zona do Aeroporto, ao longo de 15 dias, no mês passado, de algumas aves - não de todas - que, devido a razões de ordem variada, sobretudo ventos fortes e contrários, demandam esta terra de Gonçalo Velho ao longo de todo o ano, embora se registe uma maior afluência na estação de Inverno.

quinta-feira, 15 de Março de 2007

"O meu Companheiro de Caça"

Trata-se de uma bonita e verdadeira demonstração de carinho de um filho para com o seu pai. Relação que a caça também ajudou a cimentar.

O texto, da autoria de Gilberto Fernandes, sob o título d'"O meu Companheiro de Caça", é acompanhado de várias fotos representativas e foi publicado no Portal Santo Huberto.

Aos dois, os meus sinceros votos de muitas e muitas mais jornadas e sucessos!

segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Caça ao Candeio e Sem Limite

O Governo Regional decidiu permitir, até Junho de 2008, a caça ao coelho com auxílio de candeio e sem limite de peças em áreas de vinha, milho e produtos hortícolas na ilha do Pico. Noticiou o Azores Digital no dia 4 de Agosto de 2005.

Através de um despacho, o Secretário Regional da Agricultura e Florestas justifica a medida com a necessidade de salvaguardar os investimentos realizados na agricultura local, os quais se encontram ameaçados pela elevada densidade do coelho bravo registada na segunda maior ilha dos Açores e, como se não bastasse, sublinha o facto negativo da ilha do Pico não ter sido afectada pela virose hemorrágica VHD que dizimou as populações de coelho nas outras ilhas da Região.

São os interesses económicos cegos a ditar as leis na caça, agora mais do que nunca.
Esta acção não é de gestão, mas de aniquilação de uma espécie cinegética.
A deslocação desses coelhos para outros locais onde practicamente não existem, como para a ilha de São Miguel, seria uma medida de gestão racional, muito proveitosa e de mais fácil execução.

A caça, nos moldes em que está apresentada, será tanto ou mais destrutiva com os caçadores e cães a pisarem e a esmagarem as culturas, disparos nas plantas e vegetais, nas mangueiras de irrigação e o pior de tudo, a cimentação de hábitos que, quando já não for permitido esse tipo de comportamento, a lei e as entidades fiscalizadoras terão muita dificuldade em prevenir e evitar.

domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Piedade 2005

No seguimento do "post" abaixo, em que venho recuperando alguns textos passados, deixo este também, produto de uma jornada ocorrida há dois anos atrás, em meados do mês de Setembro.

Pus-me a caminho por volta das 05H45. Era ainda noite e o céu apresentava-se encoberto, enquanto a temperatura permanecia amena. A humidade do ar era sufocante, característica daquela época.

Cheguei ao terreno passados 45 min., depois de percorrer, no final do percurso, uma estrada de terra batida, em muito mau estado, numa extensão de 1km.
A última vez que tinha caçado no sopé do Pico da Piedade foi há 3 anos, pelo que esperei que amanhecesse para observar melhor o espaço circundante e, daí, partir à procura de indícios que me ajudassem a compreender, de algum modo, os hábitos da população, de coelhos, lá residente.
Então, sentado numa encosta, aguardei pelo testemunho do novo dia.

Os cartuchos que levei, tinha-os há um bom par de anos e eram destinados aos patos que fazem a sua aparição nos poços de Cabrestantes em Novembro e Dezembro. Ainda me sobravam duas caixas deles e pensei usa-los, pois alguns já apresentavam focos de ferrugem na copela, que limpei com um pouco de óleo e palha d'aço. Ficaram a brilhar, melhor do que em novos.
Nascido o dia e depois do Roquete dar umas corridas, esticar as patas e mudar a água às azeitonas, fomos procurar vestígios da presença dos coelhos e sinais dos seus comportamentos. Num barreiro de terra vermelha, tivemos a sorte de encontrar alguns que nos proporcionaram bons rastos e, depois de seguidos, bons tiros.

O vento era velho, de três dias, e fraco. Então, com calma e sem pressa, pois já dizia o mestre que "o caçador de coelhos é manco", porque deve percorrer o campo devagar e sem agitação, acabámos por bater toda a área com alguns sucessos e outros nem por isso.

Arrumámos a trouxa por volta das 11h30, com o sol a pino e regressámos cansados, mas satisfeitos por mais uma jornada!

sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Coelho Trepador

Passou-se numa distante Quinta-feira, do mês de Agosto de 2005.
Acordei pelas 05h30. Já tinha o material todo preparado de véspera, pelo que, da cama para o asfalto e terra batida, pouco demorou.
No local, chego a tempo de vislumbrar os primeiros raios de sol, que acabavam de despontar.

Espero que passe mais uns minutos e assim que entendo, monto a espingarda, engato o cinturão, solto o Roquete e liberto o espírito ao mesmo tempo que avanço naquela imensidão de montes e vales, repletos de cores, cheiros e sons que o Roquete investiga minuciosamente, esquadrinhando todos os recantos da paisagem.

Num silvado, situado num canto da pastagem, bem protegido dos elementos por muros de pedra seca e exposto ao calor dos primeiros raios do sol, o cão ladra, gane, salta e, por fim, decide-se a mergulhar no emanharado de folhas, ramos e espinhos, que balançam para todos os lados, devido ao drama do predador e da presa, que se desenrola no interior. Coloquei-me em posição, que até era boa e esperei inquieto.

Tratava-se de um terreno, numa encosta, que descia em escada até a um precipício, de basalto negro e terra vermelha, que caía a direito em direcção ao mar. Era rasgado por um ribeiro, mas não lhe perdia a vista, sobre toda a sua extenção, do lugar onde estava. Só não vislumbrava para lá da parede, que era alta, que protegia a moita, bem fechada, mas que o coelho não conseguiria transpor. Asseverava eu.
Só poderia correr para mim, ou para baixo, e, em ambas, poderia atirar com êxito, disto me convencia.

Finalmente sai do silvado e sustém a correria a um metro da sarça, e bem à minha frente a cerca de 10 metros. Por detrás estão as silvas e nelas o Roquete que lhe segue o rasto frenéticamente. De imediato e sem pensar, alinho-o com com 30gr de chumbo, mas opto por não arremessa-las. Não seria justo, nem seguro para o podengo, que não tardaria em aparecer e é de bom sangue, fuzilar o coelho daquela maneira.

O tempo parece que parou e, nesse instante - que se fosse transposto para o tempo dos relógios, duraria, bem à vontade, uma hora -, o coelho olhou para mim e, com um salto, apoiou-se numa pedra, depois noutra, pata ante pata até transpor completamente o obstáculo de pedra, que tinha bem mais de um metro de altura, embora não fosse exemplo do melhor prumo, e que pensei ser suficiente para desencorajá-lo a seguir naquele sentido.
Surpreso, não disparei por ter receio de fazer ricochete naquela parede velha e lá se foi o coelho, que era velho, e que naquela manhã também foi mais sabido do que eu.
Há quem os chame nomes e desdenhe, mas eu prefiro mil vezes, tentar caçar um laneta (designação alentejana) destes do que atirar a milhentas perdizes farinhentas catapultadas por chaminés.

Na margem do ribeiro, rebenta outro numa fugida desalmada e com o Roquete atrás. Decido atirar. Se acertasse, segurava-o com o segundo, mas acabei por conservar um cartucho. Foi uma boa decisão, porque a espoleta acabou por ter melhor destino, mais à frente.

Levei a Browning Cinergy, que me cativou desde o lançamento, mas por muita qualidade e boniteza que exibisse, nunca me permitiu o gozo e as alegrias que tive com a Beretta, anterior, e que tanto me arrependi de tê-la vendido. Acabei por ceder a Cinergy, porque detestei a assistência e nunca me avezei àquela coronha (tipo lombo de javali), que me surpreendia toda a vez que disparava, pois desconhecia sempre o desfecho da chumbada.

sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

Seguro Caçadores

É necessário realizar a actualização do contrato de seguro de responsabilidade civil efectuado com as companhias de seguro, através do preenchimento do Anexo à Proposta de Seguro de Responsabilidade Civil dos Caçadores, e que consiste na Inclusão de Responsabilidade Civil dos Titulares de Licença Para Uso e Porte de Armas ou sua Detenção.
Assim, os caçadores que ainda não o fizeram, devem dirigir-se às suas companhias e solicitar o documento acima mencionado porque, quem anda à chuva molha-se!

quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

Cadeados e Gatilhos

Reza o n.º2, do art.º 41.º, da Lei n.º 5/2006, de 23 de Fevereiro, que aprova o novo regime jurídico das armas e suas munições, que a arma de fogo curta ou longa deve ser transportada de forma separada das respectivas munições, com cadeado de gatilho ou mecanismo que impossibilite o seu uso, em bolsa ou estojo adequados para o modelo em questão, com adequadas condições de segurança.


Isto significa que a espingarda, além de ser obrigatório o acondicionamento em estojo próprio, deve também ser transportada com um cadeado que impeça o gatilho de ser activado ou fazendo uso de um mecanismo que impossibilite o seu uso.

Enquanto o cadeado se trata de um objecto identificado, o tal mecanismo que impossibilita o uso não está. Isto significa que esse sistema pode ser qualquer coisa que impeça o gatilho de ser usado, tal como uma corda ou fita adesiva, por exemplo. O problema advém de, no acto de fiscalização, o agente não aceitar qualquer destes materiais ou outra coisa do género porque, apesar de poder impossibilitar o uso do gatilho, não o faz na condição semelhante, de resistência, funcionalidade e segurança do cadeado ou do cabo que, por acaso, exemplificam este post e são fabricados pela Remington.

Assim sendo, e para evitar dissabores, a melhor opção será sempre a adquisição de produtos fabricados para o efeito, por empresas qualificadas.

quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Coelho vs Horta

O agricultor que, depois de muito esforço e investimento na realização da sua cultura, vê-a danificada ou destruída devido aos coelhos, concerteza que não ficará satisfeito, pelo que devemos compreender e desenvolver energias para evitar esse prejuízo, em vez de olhar para o lado e fazer de conta que não nos diz respeito.
É em virtude deste comportamento ou de outros semelhantes que, de há cerca de 2 anos, somos pressionados e prejudicados nos nossos interesses.

Dirão alguns, e com razão, que parte importante da responsabilidade dos danos, advêm dos próprios lavradores que, desleixados, não limpam a vegetação e os entulhos das orlas, das cercas, gerando condições propícias para o estabelecimento e desenvolvimento destes roedores.
A outra parte surge do facto das batidas serem solicitadas aos serviços competentes quando as culturas estão a emergir do solo, apresentando os rebentos suculentos que os coelhos tanto adoram. Autorizadas as batidas, estas são quase ou tão nefastas para as plantas e para os vegetais quanto os coelhos, em razão da acção dos cães e dos caçadores, que acabam por esmagar, espezinhar e partir o que se encontra à superfície.

Porque persistem os actos e os seus efeitos, acima descritos, foi introduzido, o n.º1, do Art.º 3º, no actual calendário venatório, que permite caçar o coelho nas Quintas-Feiras, Domingos e Feriados Nacionais e Regionais, desde o nascer do sol até ao pôr do sol, com o limite de 15 (quinze) peças por dia e por caçador.
O raciocíno foi: se matar 7 não resultou, matar 15 já deve resultar e para a nova época tudo indica que será: manter 15 não resultará, veremos se com 30 e assim por diante, enquanto, muitas vezes, a perca que se verifica numa horta é provocada por apenas uma coelha, que ali encontra as condições ideais para construir a sua lura.

Para que o descrito não subsista, indico as seguintes medidas:

1- Os agricultores devem manter os seus campos limpos;

2- As Batidas devem ser efectuadas antes das plantações e antes das sementeiras serem realizadas;

3- Manter as 15 peças e fazer uso de furão neste tipo de batidas.

Convocatória

A Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, convoca todos os associados para uma Assmbleia Geral Ordinária, a realizar no dia 10 de Março de 2007, pelas 19H30, na Banda 15 de Agosto, com a seguinte ordem de trabalhos:

- Apresentação, discussão e votação do relatório e contas da direcção do ano 2006

- Análise do calendário venatório 2006/2007 e discussão do calendário venatório para a época 2007/2008

- Diversos

terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

Os Coelhos da Ilha

Nesta tarde aproveitei para verificar a veracidade do que me têm contado sobre a inexistência de coelhos na zona de Cabrestantes, o que infelizmente acabei por verificar no local. Só tive a oportunidade de avistar um coelho ao longe o qual, em virtude de manifestar um comportamento nervoso, denotou não desfrutar de uma vida tranquila, apesar do local estar interdito à caça desde o fim do ano passado.

Parece que há alguém que caça entre o lugar do Polígono e dos Anjos com alguma regularidade e suspeita-se que a jantarada recentemente realizada, para os lados do Aeroporto, foi feita com coelhos caçados furtivamente na área da Mobil.
Se souberem alguma informação relativa a esses bandidos, por favor enviem-ma para o e-mail.

Em contraste com o panorama desolador da ilha, e a título de curiosidade, este grupo, com cerca de uma dúzia (+/-) de indivíduos, vive em paz e prospera bem próximo de uma urbanização, onde os furtivos não se atrevem.

Desta simples comparação podemos chegar facilmente à triste conclusão que a caça furtiva é uma das principais causas da diminuição, desaparecimento e mortandade da comunidade de coelhos bravos nesta terra.

quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

Fecho dos Coelhos

Na Ilha de Santa Maria

Fechou a caça aos coelhos no antepenúltimo fim-de-semana de Dezembro de 2006, nesta ilha açoriana. Os resultados finais não foram espectaculares e, segundo os presentes, os manaciais estão em regressão. São de diversa índole as causas desta diminuição: furtivismo, excesso de pressão por parte dos caçadores de outras ilhas, comércio de carne de coelho, mas, sobretudo, a falta de ordenamento cinegético! Esperam-se melhores dias.


Pequeno artigo retirado da edição de Fevereiro/2007, da Calibre 12, a revista do caçador português, sobre a caça na terra de Gonçalo Velho.
Para bom entendedor...

terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

Balanço e Perspectiva

A Abertura Geral teve o seu início no primeiro domingo de Outubro, que coincidiu com o primeiro dia daquele mês.
Os diversos grupos espalharam-se pela parte oriental de norte a sul, desde os Cabrestantes ao Campo Pequeno. Aos poucos, e debaixo da chuva que caracterizou toda amanhã, foi-se fazendo o cinto, mas cedo se constatou uma menor densidade populacional de coelhos, se compararmos com a época anterior, que já foi de crise.

Lamentável foi constatar a existência de comportamentos inadequados, à semelhança dos anos passados. Saliento a falta de educação e de civismo que ainda caracterizam muitos daqueles que para aqui se deslocam, sobretudo na destruição das paredes de pedra solta, danos nas propriedades e lixo que deixam ficar abandonado nos lugares por onde passam. É escumalha que não interessa a ninguém.

As jornadas seguiram-se umas ás outras e a cada dia de caça foi notório o menor número de peças encontradas e abatidas.
É o furtivismo dizem uns, são as doenças dizem outros, o facto é que não há dúvidas que a população de coelhos é cada vez menor e que os que ficaram já não possuem capacidade de repor os que foram cobrados.
A culpa não é outra senão do furtivismo, das doenças e, sobretudo da falta de gestão.

O que se fez até agora foi reduzir e impôr limitações.
Foram no número de peças, no horário de caça, foram na área disponível.
Está à vista de todos daqueles que querem ver que não está a resultar e não está, porque as medidas não foram complementadas por outras igualmente importantes, como a criação de habitates, fornecimento de alimentação, criação de zonas protegidas, reintrodução da perdiz, reforço populacional da codorniz, entre outras.
Verifica-se é que se abriram zonas, que antes estavam fechadas e eram alvo de fiscalização, dum momento para o outro e sem qualquer tipo de justificação, prejudicando gravemente a renovação das populações ou seja, o que existe é insuficiente e o que se faz é só destruir!
Esta realidade não deve perdurar ou a caça em Santa Maria desaparece, como já desapareceu a perdiz vermelha.

Para o novo calendário venatório devem ser implementadas as seguintes medidas:

- Durante todo o ano e na parte alta iniciar a caça às 07h00 e findar às 12H00
- Na parte baixa e na Abertura Geral, iniciar às 07H00 e findar às 12H00
- Iniciar a Abertura Geral no inicio de Outubro e terminar em meados de Novembro
- Ao coelho e na parte baixa reduzir o número de cães para cinco e por grupo de caça, ou seja, um caçador, ou um grupo de caçadores, só deve(m) fazer-se acompanhar por cinco cães adultos e 2 cachorros até 6 meses
- Ao coelho e na parte alta reduzir para 7 o número de peças abatidas
- Ao coelho e na parte baixa reduzir para 3 o número de peças abatidas

Devem ser acompanhadas das seguintes acções:

- Manter fechadas as zonas que estão fechadas e criar outras áreas interditas à caça na parte baixa
- Criar condições e reintroduzir a perdiz vermelha
- Criar condições e reforçar a população de codornizes

Não são idéias e/ou objectivos impossíveis de concretizar desde que haja capacidade e vontade para o fazer, porque a realidade é simples e é esta: se nada for feito nesta época e na seguinte a caça deixará de ser a caça que queremos e desejamos para Santa Maria.

Documentário Podengo Pequeno

Documentário sobre o Podengo Português (raça canídea endémica à Peninsula Ibérica) e a sua actuação em cenário de caça.
Realizado por Renato Guerra Ferreira e Paulo César Fajardo (Portugal, 2006).

sábado, 27 de Janeiro de 2007

Relato da Abertura Geral 2004/2005

A Abertura Geral ocorreu a 10 de Outubro, em resultado da proposta formulada pela Associação de Caçadores da Ilha de Santa Maria, que incluiu a diminuição de 10 para 7 peças* e a redução do horário de caça até ao meio-dia* como medidas urgentes, necessárias e temporárias para fazer face a uma época anterior caracterizada por intempéries, doenças e furtivismo que reduziram significativamente a população de coelhos bravos.

Apesar das limitações, 120, menos 10 do que na época anterior, dos 177 caçadores residentes, mais 9 do que no ano transacto, renovaram as suas licenças.
Aderiram representantes de todo o país, principalmente a partir de 08 de Outubro, aquando do desembarque de 140 devotos, acompanhados pelos seus cães, do “Golfinho Azul”, navio que estabelece as ligações marítimas inter-ilhas.
Na mesma data, menos de três dezenas escolheram a via aérea.

O Sr. Alfredo Leitão, reformado, 80 anos, proveniente de Cinfães do Douro, Viseu, regressou pela segunda vez, porque nas suas palavras “adoro a caça e o ambiente que a envolve”. Fez-se acompanhar do seu filho, Osvaldo, de 43 anos, que exclamou, ao mesmo tempo que soltava uma gargalhada: “esta é a segunda vez que venho, mas não há-de ser a última. Em Santa Maria, por o terreno ser plano, os coelhos correm muito depressa!”. Por sua vez, o Sr. Silvino, reformado, de 69 anos, morador na ilha de São Miguel, operado às cataratas por 2 vezes e mesmo assim uma das melhores espingardas do seu grupo, concluiu: “esta é a décima ou décima segunda abertura que faço aqui e para o ano voltarei!”.

A jornada ocorreu sem acidentes, para o que contribuiu a acção dos agentes da Polícia Florestal, cuja presença fez-se notar desde o cais de desembarque e da aerogare, facultando conselhos e indicações úteis a todos os interessados e aos mais distraídos.
Efectuaram 152 fiscalizações, sem registar qualquer infracção e contabilizaram 1028 coelhos cobrados.
Menos 1 contra-ordenação e menos 872 coelhos do que na abertura anterior.

Constatei maior responsabilidade no cumprimento das normas de segurança, o uso crescente de vestuário fluorescente, de protectores auriculares, bem como harmonia entre caçadores e os seus cães, momentos de amizade, companheirismo e gentileza, que por serem menos comuns merecem destaque, como a oferta de 1 cartucho, por vezes “esquecidos” sobre o solo, depois de detonados, a quem segurou uma peça ferida atirada por outro.

Não posso deixar de expressar apreensão em relação ao futuro, quando verifico que o número de caçadores supera anualmente todas as medidas locais no sentido de tornar a caça o elemento de gestão, conservação, estabelecimento da biodiversidade e desenvolvimento que deve ser, sob pena de perder-se este importante recurso natural e económico.

Santo Huberto, mesmo assim, proporcionou-nos uma manhã nublada, com vento fraco, de sul e uma temperatura amena, repleta de peripécias que recordarei e para as quais contribuíram todos os caçadores praticantes da boa ética venatória, das normas legais em vigor e do respeito que a natureza reclama.

*Acções propostas e difundidas, muito antes de apresentadas e discutidas, numa crónica semanal radiofónica, na estação do Clube Asas do Atlântico.

Uma parte deste texto foi publicado na revista Caça & Cães de Caça em finais de 2005

domingo, 21 de Janeiro de 2007

Fabrico da Foice de Caça

Como referido anteriormente, a foice de caça, de Santa Maria, possui características próprias e diferentes das construídas nas outras ilhas do arquipélago e do continente português, nomeadamente nas dimensões, peso, comprimento do cabo, qualidade da madeira, formato, entre outras, mas estas serão as mais importantes.

A que irei descrever foi-me fabricada em Vila do Porto pelo Senhor Hélio Rebelo, pessoa bastante afável, educada e atenciosa, cuja profissão já nao é a de ferreiro, embora realize alguns trabalhos sempre que solicitado. Foi instruído na arte pelo seu pai desde a meninice e juventude, cuja actividade desenvolveu até ser chamado para o serviço militar, no então ultramar português. No regresso optou por seguir outra ocupação que, infelizmente, mantém-no afastado da forja por longos períodos de tempo.

Quando teve oportunidade contactou-me, aliás como estava combinado, para poder acompanhar o seu trabalho passo a passo e que aqui irei relatar.

Inicia-se a construção da foice por acender a forja e depois do aço estar em brasa, para melhor ser moldado, inicia-se por encalcar, ou seja tornar plana a face do Alvado, onde irá encaixar o cabo.

Assim a foice é composta por 4 partes:

-Alvado
-Corte
-Volta
-Espigão

A Volta, devido à sua configuração, é a mais trabalhosa de efectuar, mas dizia eu que se começa por encalcar...



De seguida procede-se à formação do alvado, o local onde se irá encaixar o cabo...




Poderão ser encontradas peças destas com cabos de madeira, em dois tamanhos difrentes.
Um de cerca de 50cm e outro em 150cm.
O primeiro é utilizado com mais frequência pelo caçador que faz uso da espingarda, em virtude da facilidade do manejo, enquanto o outro é preferido pelos batedores.

O cabo mais pequeno não aparece por acaso na história desta ilha.
A título de curiosidade e decorrente do desrespeito pela propriedade privada, agressões fisícas e outras faltas menos e mais graves que a distância da ilha em relação ao reino permitia sem agravos de maior, os utensílios do campo eram utilizados como armas bem eficazes. Assim, e para pôr cobro a esse tipo de comportamento, foi emitida uma ordem régia impedindo um comprimento superior à tal medida (50cm).

Decorrida a fase do Alvado, inicia-se o Corte, a parte da lâmina propriamente dita, aquela que o caçador usa para abrir caminho por entre a vegetação agreste.



Só depois dá-se forma à Volta, que foi a tarefa mais longa e esforçada, depois da construção do Alvado.



O Espigão é a parte seguinte...





... que depois de formado é dimensionado.


Terminada esta acção temos a foice em bruto, pois falta tempera-la adequadamente e fazer a folha de corte, e só aí sim, o trabalho estará completo. tarefa que exige aqueles conhecimentos que se passam de pais para filho e que com toda a certeza o Sr. Rebelo possui dada a qualidade do trabalho final. Interessa salientar que o aço da foice não deve dificultar o seu amolamento, para que o utilizador possa, no campo, com uma pequena lima, manter o gume afiado sem esforço. Daí a importância do tempêro a fim de tornar a foice numa peça de trabalho muito resistente, mas de fácil manutenção.



Finalmente terminada, depois de muito esforço, e pronta a ser utilizada.



O objectivo da foice na caça é o de coadjuvar o caçador na ultrapassagem de obstáculos, alcançar zonas de dificil acesso, prender a peça para ser cobrada e muito raramente como arma de arremesso na caça ao coelho, mas isto só realizado pelos mais habilidosos...

Como são objectos manufacturados de modo artesanal, não existem dois iguais, o que os valoriza.

Em Santa Maria e 600 anos depois, ainda se caça ao coelho com foice.
Apesar do seu uso não ocupar a posição de destaque inicial, persiste em proporcionar-nos muita alegria e orgulho por possuirmos um utensílio precioso ao mesmo tempo que nos permite reviver e participar numa manifestação centenária de cultura e de tradição que é a caça e as suas envolventes.

quarta-feira, 17 de Janeiro de 2007

O Livro

Finalmente tenho o livro "Um Caçador Açoriano", de Gualter Furtado.

"Ontem, como hoje, para se ser caçador não basta ser-se homem nem gostar de perseguir as presas e abatê-las. Para se ser caçador é preciso nascer com esse dom. Sim, porque o verdadeiro caçador, para se desenvolver, necessita de um meio ambiente propício, mas se não tiver esse dom, nunca mais será um caçador".

Trata-se de um parágrafo, de um dos muitos textos que se desenrolam ao longo das 236 páginas que nos oferece o autor, numa tiragem de 500 exemplares.

Fala-nos do "nosso" saudoso Chefe Lima, da Caçada do Aeroporto, dos irmãos Bragas e fotografias há muitas.

É um livro escrito por um caçador açoriano que vale a pena adquirir e ler.

domingo, 31 de Dezembro de 2006

Feliz Ano Novo de 2007

Hoje termina mais um ano e com ele a Abertura Geral de Caça, iniciada em Outubro passado.

Venho também desejar a todos vós um excelente Ano Novo de 2007!

sábado, 23 de Dezembro de 2006

Feliz Natal 2006

Para todos, envio os meus sinceros votos de Feliz Natal 2006, com saúde, amizade e na companhia dos mais queridos.

terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Narcejas em São Miguel

A Calibre 12, a revista do caçador português, informa na sua página 6, da edição deste mês, que na semana de 14 a 17 de Outubro houve uma importante entrada de narcejas na ilha de São Miguel, de tal modo que um caçador de 60 anos conseguiu cobrar 4 exemplares e que se encontra nestas ilhas um especialista, que durante três anos irá analisar o estado de desenvolvimento da perdiz cinzenta, introduzida recentemente na ilha de São Miguel, bem como estudar o coelho e a narceja.
Imagem retirada de Birdguides.

segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

Livro ''Um Caçador Açoriano''

O lançamento e apresentação do livro “Um Caçador Açoriano” da autoria de Gualter Furtado realizou-se no passado dia 25 de Novembro em Ponta Delgada numa cerimónia presidida pelo Representante da República para os Açores o Juiz Conselheiro José Mesquita também ele caçador.

Foto e notícia no portal Santo Huberto

sábado, 18 de Novembro de 2006

Nota - Repovoamentos

Antes de se fazer qualquer repovoamento, seja de codorniz, pombo torcaz, é imprescindível, e antes de haver qualquer decisão, criar condições para que as populações residentes se desenvolvam.

Caso se opte por repovoar, e essa decisão só pode ser avançada se as populações residentes não apresentarem sinais de desenvolvimento depois de todos os esforços nesse sentido, é necessário garantir a pureza genérica, bem como as semelhanças de comportamento.

Libertar aves sem se tomarem as medidas necessárias para viabilizar a sua adaptabilidade e desenvolvimento é o mesmo que deixá-las ao destino igual ou semelhante das suas predecessoras.

quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

Ainda o Calendário

Em relação à diminuição do número de peças, é preciso ter coragem para defender a implementação dessa medida, quando uma parte significativa da comunidade (muitos "caçadores" também) quer é matar o maior número de peças de caça sem olhar a consequências, a não ser para depois defenderem e justificarem a implementação de uma zona de caça associativa que irá seleccionar, excluir e prejudicar muitos aficionados desta arte em prol de alguns previligiados...

A alteração do calendário e a redução para o limite máximo de três coelhos por caçador, ou mesmo dois, suprimir a quinta-feira e feriados, contribuíria para diminuir o desbaste que se faz todos os anos pela abertura e ao longo dela até Dezembro e, por outro lado, desencorajaria a vinda de muitos caçadores de fora.

É preciso não esquecer o trauma dos agricultores em relação ao coelho, que é em parte justificado, mas se forem efectuadas batidas com limites de 10 e antes das culturas, não haveria desconfiança em relação às nossas intenções.

É imperioso alterar o calendário venatório para nao se prejudicar a época de reprodução, nem se matar fêmeas prenhes e lactantes como acontece actualmente nos meados de Novembro e no mês de Dezembro.

terça-feira, 14 de Novembro de 2006

Coelho Bravo - Espingarda

Nos tempos actuais a caça ao coelho com pau é practicamente inexistente apesar de ter representado um papel importante no passado, sendo substituida pela caça com arma de fogo, cujo utilização se generalizou a partir de meados do século transacto.

Assim, existem três tipos de espingardas, vulgo caçadeiras, para a caça menor: a sobreposta, a justaposta, mais conhecida por paralela, e a semi-automática, chamada erradamente de automática.

Semi-Automática

É uma espingarda leve, já bastante evoluída, muito utilizada no continente, talvez devido à pouca presença de caça, pois poderão pensar ser os três tiros uma mais valia, o que não é completamente verdade.
O preço é geralmente mais acessível do que nos outros tipos.
A meu ver a única desvantagem que apresenta é o facto de possuir apenas um choke e, neste caso, o mais utilizado é o de três estrelas em canos de 71cm. Porém, devido às características do nosso terreno e unicamente na caça ao coelho, a ponteira de quatro ou cinco estrelas não é de excluir num cano de 66cm de comprimento, o que faria desta ferramenta, em mãos experientes, um utensílio de grande valia.

Justaposta ou Paralela

É sem qualquer dúvida o tipo de espingarda mais elegante e o mais tradicional de todos. Com um peso superior ao da semi-automática, nem por isso é mais difícil de manusear, pois permite um encare fácil e cómodo. Tem dois canos paralelos um ao outro (daí a origem da sua designação) e oferece a possibilidade de dois tiros diferentes, o que é uma vantagem. Porém o campo de visão é inferior e aquando do disparo tende a ir para a direita ou para a esquerda em função do cano que dispara.

Sobreposta

A sobreposta possibilita fixar o alvo facilmente e com rapidez, efectuar dois disparos diferentes (chokes com constrições desiguais) e grande estabilidade, mesmo ao segundo tiro. Os contras advêm do peso, embora já se encontrem básculas em ergal e de qualidade, que lhe tornam mais leve e cómoda.
É uma excelente escolha e não é por acaso que é utilizada em competições desportivas.

A Ideal

Depois de identificar sumáriamente os três tipos utilizados na caça menor e, neste caso ao coelho, a espingarda ideal seria a sobreposta com canos (não ventilados) de 71cms de comprimento, fita de 6 a 7mm (de preferência não ventilada), chokes intermutáveis, possibilidade de selecionar a função de extracção ou ejecção do cartucho, bigatilho, porque se um avaria há a possibilidade de continuar com o que funciona, coronha de pistola, báscula em aço e calço numa matéria amortecedora deslizante.

domingo, 12 de Novembro de 2006

Medo

Seria de todo conveniente que mais ninguém tivesse a possibilidade de caçar em Santa Maria, a não ser os marienses, mas a realidade é bem diferente.

A cada época, o número de caçadores aumenta. Aos cerca de 300 que cá existem, acrescentam-se outros 300 forasteiros e somos 600 a caçar nos mesmo dias, nas mesmas zonas, cujas áreas já são reduzidas e limitadas por natureza, a uma única peça de caça.

Os caçadores continuarão a vir e cada vez mais, por outro lado o nosso coelho bravo já perdeu a capacidade, por si só, de repor aqueles que foram abatidos e qualquer dia desaparece mesmo. É esta a realidade!

O que aqui me interessa realçar é que não podemos agir como a avestruz e fazer de conta que estamos numa redoma, ou então tomar medidas a medo, como apresentar um calendário que não coincida com o horário do barco e viver nessa insegurança a época inteira.

Uma forma de defendermos e guardarmos os nossos recursos é através da constituição de uma, ou de várias zonas de caça associativas. É uma forma legal, prevista na lei, portanto perfeitamente realizável.
Não há que ficar à espera de uma qualquer lei, como foi referido no artigo mais abaixo, intitulado a Perdiz e o Turismo, que seja aprovada para se fazer alguma coisa.É um engano!

A outra, e seguramente aquela que poderá vingar com sucesso, sem andar a prejudicar ou discriminar é: os caçadores marienses, enquanto associação, responsabilizarem-se perante as autoridades competentes pela gestão das zonas de caça, preservação e desenvolvimento da biodiversidade.
Assim o acesso ao permanecer livre, continua a funcionar como um cartaz de apresentação da ilha e de chamamento de forasteiros, o que seria uma mais valia para a economia da terra. Deste modo os interesses dos caçadores harmonizar-se-iam com os da população (Câmara Municipal, Juntas de Freguesia, Câmara de Comércio de Ponta Delgada, Delegação do Turismo, do Ambiente, entre outras) da qual a associação receberia fundos para levar a cabo a sua tarefa.

Não é dificil, basta haver vontade e capacidade para levar avante uma destas duas acções e deixámos de ter "medo do navio", "medo dos caçadores de fora" "medo de perder a caça", medo.

sábado, 11 de Novembro de 2006

Alterar o Calendário

Uma das medidas a serem concretizadas com urgência é a alteração do período de caça ao coelho.

Actualmente a época começa nos inícios de Outubro e finda no último domingo de Dezembro, cujo calendário original foi idealizado num tempo, já distante, quando o coelho era considerado uma praga, portanto desfazado da realidade.

Os agricultores poderão não compreender esta lógica, pois argumentam que o coelho lhes faz prejuízo. A situação seria oposta se houvesse, da parte deles, a sapiência de criar as condições para se poder efectuar as batidas antes do começo das culturas e não quando já se encontram em curso.

A modificação do calendário venatório consistiria na antecipação da época de caça ao coelho, e só ao coelho, e na redução de três para dois meses de caça ou seja, com a marcação para o início de Agosto e finalizando no último domingo de Setembro em virtude das populações se encontrarem no seu auge e porque, nessa altura, não interferia, como acontece actualmente, com o ciclo reprodutor desta espécie. Para os patos e pombos da rocha, manter-se-ia a mesma calendarização que vigora actualmente.

Na razão do calendário existente há o propósito de capturar o máximo de peças possíveis e impedir a sua reprodução, pois de Setembro a Dezembro trata-se de uma época importante para o desenvolvimento da espécie.
É um documento idealizado para permitir o exterminio do o maior número possível de coelhos e impedir a sua reprodução.

Em Santa Maria o coelho já não é uma praga. É sim uma espécie cinegética, cuja sobrevivência das populações se encontra ameaçada, pelo que urge ajustar o calendário à nova realidade e agir, de uma vez por todas, de acordo com a legislação nacional, europeia e mundial que apadrinha a preservação das espécies e o desenvolvimento da biodiversidade.

quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Sem Eira Nem Beira

O ordenamento do território cinegético mariense é uma necessidade, que advém do abandono e do estado lastimável a que estão votados os recursos cinegéticos actualmente.

O ambiente é de desordenamento e de destruição gratuita.

A tarefa não é fácil, mas cabe à associação de caçadores realiza-la.
No percurso deve ser coadjuvada pela CM de Vila do Porto, Juntas de Freguesias e CC Ponta Delgada, pelo que é necessário sensibilizar estas entidades para a importância da caça como factor de desenvovimento económico.

Se nada for concretizado e se tudo continuar na mesma -sem eira nem beira -, vamos ficar mais pobres do que já estamos.

Um Caçador Açoriano

É no próximo dia 25 de Novembro no Solar da Graça, em Ponta Delgada, numa cerimónia onde estarão presentes inúmeras figuras do mundo venatório, que será apresentado o livro “Um Caçador Açoriano” da autoria de Gualter Furtado.
A notícia completa e foto no Portal Santo Huberto.

Coelho Bravo - Reprodução

O macho pode ter várias fêmeas que têm a capacidade de reproduzir em qualquer altura do ano, caso ocorram condições favoráveis de clima e alimentação. Também delimita o território da colónia e é o responsável por expulsar os intrusos.

O início da actividade reprodutiva é regulado pela rebentação da vegetação anual nos fins de Outono e determinada pela disponibilidade de alimento. De igual modo as alterações de temperatura e de precipitação regulam o final desse comportamento.

As tocas para os partos, normalmente situadas próximas da colónia, chamam-se Luras e encontram-se a uma profundidade de 50cm a 1m. São construídas dias antes dos nascimentos, cuja preparação é da responsabilidade das fêmeas que cobrem o fundo com folhas secas, pêlos, que arrancam do seu próprio ventre, e musgo, deixando o solo donde o retira a descoberto e marcado pelas unhas. Estes sinais devem ser entendidos pelo caçador como uma informação de que devem mudar de local de caça.

As crias, denominadas por Láparos, permanecem na lura 19 a 21 dias. Findo este período passam-se paras as tocas da colónia. Seis meses após o nascimento tornam-se adultos.

Em média as fêmeas realizam 3 a 5 partos por ano e a ninhada pode ser constítuida por 1 a 7 láparos, que nascem cegos, surdos e sem pêlo, com cerca de 60grs cada.
Num ano normal, cada fêmea poderá gerar 15 a 20 láparos.

O coelho é um animal muito sensível ao frio e à chuva, que quando cai em abundância e inunda as tocas, acaba por provocar amorte a muitas crias.

segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Debater e Gerir

Em Santa Maria a preservação, bem como o desenvolvimento da sua fauna cinegética, passa necessáriamente pela participação activa dos caçadores, mas também da restante sociedade, a fim de se desenvolverem projectos e colocarem-se em práctica medidas de gestão deste importante recurso natural que é a caça.

Infelizmente ainda não se compreendeu este facto importante, devido a desatenção, desconhecimento ou outra causa qualquer, mas a verdade é que Santa Maria poderia proporcionar excelentes condições para o desenvolvimento da caça como factor dinamizador da frágil economia mariense.

São visiveis níveis populacionais baixos, quase insuficientes, da fauna cinegética local.
Nesta época o coelho, devido ao facto da outra espécie permitida - o pombo da rocha - não se apresentar atractivo, está a sofrer uma pressão desmesurada que já está aprovocar e provocará mais graves e maiores danos na sua existência.

É imprescindivel debater esta questão, porque nunca a preservação, nem a diversidade da fauna cinegética foi um tema tão necessário, nem actual para a viabilidade da actividade cinegética em Santa Maria.

quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

O Coelho Bravo - Caracterização

Ao longo de alguns posts, sendo este o primeiro, irei caracterizar o coelho bravo, falar sobre os seus hábitos, a reprodução, localiza-lo nesta ilha e sua caça.

A origem deste mamifero, segundo alguns autores, situa-se no sudoeste da Peninsula Ibérica, vindo depois a dispersar-se pelo mundo, sendo introduzido na ilha durante o séc.XV pelas mãos dos descobridores e povoadores que o trouxeram do centro e sul do país.

O nome científico que identifica o coelho bravo é Oryctolagus Cuniculus, possui o pêlo de cor pardo acizentada terrosa, à excepção do ventre e da parte externa das coxas, que são brancas.
As orelhas medem entre 6,5 a 7,5 cm, sendo acizentadas na metate posterior, enquanto os pêlos do bordo anterior são esbranquiçados.
À volta dos olhos apresenta um círculo claro mal definido. Os bigodes são castanhos e pouco compridos.
A cauda é cinzento acastanhada na parte de cima e branca por baixo, formando um pequno tufo cm 4 a 6 cm.
As patas posteriores são alongadas, que podem medir de 8 a 9cm, de cor parda acizentadas, apresentando uma risca branca clara.
As unhas são grandes e afiadas, constituindo uma ferramenta importante para ajuda-lo na escavação de tocas e na fuga.
O coelho bravo adulto, muito mais pequeno que o coelho doméstico, pesa, em média, 1kg a 1,2kg.
As fêmeas tendem a apresentar-se mais compridas e pesadas do que os machos.

quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Tradição à Deriva

Escrevo sobre a ilha de Santa Maria, donde a caça soltou amarras e navega sem rumo, ao sabor da indiferença dos ventos e das marés.

Na terra mais oriental do arquipélago açoriano, o acto de caçar surge com a chegada dos primeiros povoadores, verificada no início do séc.XV, depois de terem sido largadas, nos anos anteriores, diversas espécies animais com o propósito de proporcionarem alimento e condições de subsistência aos recém-chegados até que brotassem os primeiros frutos.

Inicialmente a utilização do pau era uma prática comum e generalizada, principalmente na caça ao coelho. Certamente a que proporcionaria mais jornadas, também realizada com a ajuda de cães, furões, ou com os dois.
O caçador deslocava-se munido de um bordão, geralmente de pau branco, madeira leve e resistente, ao qual, mais tarde, uniu uma foice, fabricada na forja, de menores dimensões e mais ligeira do que as que utilizava no trabalho campestre, para desatravancar caminho, introduzir nas fendas, levantar a presa ou sitiá-la, de modo a tornar possível a aproximação e, com uma pancada certeira, executar o cobro com sucesso.

Já não existem ferreiros que se dediquem, por inteiro, à laboração, pelo que as foices de Santa Maria dificilmente poderão ser adquiridas novas.

Os cães, devido ao isolamento e especificidade insular, acabaram por desenvolver características notáveis e de grande paixão por este tipo de caça.

Aquele mais afortunado fruía igualmente de furão. Eram utilizadas preferêncialmente as fêmeas por serem de menores dimensões e mais facilmente adestráveis. A sonoridade do guizo, pendurado ao pescoço do pequeno mamífero, para facilitar a sua localização, motivava acaloradas discussões nos centros de reunião.
Eram transportados no aljabre, pequeno contentor, de forma cilíndrica, construídos em madeira, couro ou varas de vimeiro, por vezes artistícamente trabalhados.
Numa das extremidades era a porta, enquanto a outra permanecia vedada com a excepção de um pequeno orifício para o escoamento da urina do animal.

Somente em meados do século transacto se verificaram profundas alterações no modo de vida e consequente caçar ilhéu.
Para não comprometer a neutralidade portuguesa durante a II Guerra Mundial foi arquitectado um acordo entre Portugal e a companhia aérea norte americana Pan American, para a construção de um aeródromo que permitisse aos E.U.A. alcançar o mediterrâneo e Santa Maria, por acréscimo, vislumbrar o Séc. XX.
O choque cultural foi violento para esta comunidade. Ainda hoje persistem no vocabulário local palavras como “friza”, proveniente do inglês = freezer, que designa arca frigorífica, entre outras.

Na caça os efeitos não foram menores. Vulgarirou-se o uso da arma de fogo devido a trocas nem sempre idóneas e legais entre os trabalhadores e os militares. Aos poucos foram deixadas ao abandono tradições centenárias e desprezados os conhecimentos que as sustentavam. Os campos deixaram de ser cultivados, contribuindo a par da caça intensiva e do furtivismo para o desaparecimento total da perdiz vermelha nos anos oitenta e para a regressão populacional contínua das codornizes e dos pombos torcazes.

Urge debater, definir e aperfeiçoar medidas e acções que proporcionem a reorganização da actividade venatória e o ordenamento do património cinegético, sensibilizar as entidades políticas, económicas e científicas regionais para a caça como factor de diversificação de rendimentos e de desenvolvimento local, harmonizar os interesses dos caçadores com os demais cidadãos, levar a efeito acções de preservação, de desenvolvimento da fauna e da sua biodiversidade. Já não se justificam medidas, como a da ilha do Pico que permite caçar o coelho com auxílio de candeio e sem limite de peças até 2008 nas áreas de vinha, milho e produtos hortícolas. Porque razão não se optou pela deslocação dessas populações por biólogos da Universidade dos Açores, em parceria com os caçadores e os agricultores para locais onde a sua presença é deficitária?

Santa Maria é um exemplo real onde a pressão sobre a fauna cinegética supera todas as medidas no sentido de tornar a caça o elemento de gestão, conservação, estabelecimento da biodiversidade e desenvolvimento que deve ser.

É num misto de ansiedade e preocupação que aguardo os novos tempos.
Se a realidade se mantiver e nada for alterado no actual panorama cinegético, a curto prazo acabaremos por perder um importante recurso natural, uma porção significativa da nossa identidade cultural que nos identifica e distingue.

Texto publicado na revista "Caça & Cães de Caça" e no jornal mensal "O Baluarte"

terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Conceitos Elementares

Verifico um crescendo desrespeito, e nesta época em particular, pela propriedade alheia, principalmente na destruição das paredes de pedra seca que delimitam os terrenos.

Na ocasião da Abertura Geral esta situação ultrapassou todos os limites, chegando a atingir talhadas de 10 metros, numa só parede. Os donos que comtemplaram cenas deste género certamente que não ficaram satisfeitos, e cobertos de razão.

Se há a necessidade de retirar pedras dos muros, no final devem ser recolocadas, se os portões abertos se encontram , abertos devem ficar, aqueles que se encontram fechados, fechados ficam. Estes são conceitos elementares.

Acredito piamente que os responsáveis não foram os caçadores marienses, pois conhecem os lugares e quem os possui, pelo que custosamente os vejo nestes ofícios.

sábado, 21 de Outubro de 2006

Ribeira Seca


Uma área de caça por excelência, mas que necessita de medidas urgentes de gestão. Como ela encontram-se as restantes zonas da ilha, antes ricas na sua biodiversidade, mas agora pobres e deficitárias.

A caça é uma actividade cultural, uma tradição legada dos pais aos filhos, que poderá ser um motor de desenvolvimento económico importante na frágil economia mariense, se receber dos caçadores e das entidades públicas e privadas a atenção e o investimento que merece.

É altura de acordar para esta nova realidade e de tentar unir esforços para a sua preservação e desenvolvimento.